Breve História do Corpo e de Seus Monstros

11/06/2009

Fotografia sem nome, de Cindy Sherman

Fotografia sem nome, de Cindy Sherman

Minha orientadora me emprestou uma série de livros com temas relevantes para o meu TCC.  Um deles chama-se “Breve História do corpo e de seus monstros“, de autoria de Ieda Tucherman. O exemplar da professora foi por ela mesmo definido como “meio desmontado”: está completamente sublinhado, desenhado, MUITO BEM usado. E ainda contém uma dedicatória da autora. Como eu tenho esse mesmo costume de USAR BEM meus livros, preferi encomendar meu exemplar para não estragar o dela. Mas enquanto ele não chega, leio o emprestado mesmo e me aproveito das anotações feitas por outras pessoas. As minhas ficam em post-it. Um trecho:

“Quem somos nós, humanos? Já as novas tecnologias biomédicas, as novas teorias de neurofisiologia cerebral, a profusão de próteses conectáveis ou implantáveis com as quais nos hibridizamos, as clonagens e as experiências que superaram as determinações da espécie e só fazem pôr em questão as mais antigas noções de humanidade e as nossas determinações mais radicais: a saber, mortalidade, singularidade e sexualidade.

Em relação à mortalidade, a nossa finitude constitutiva da experiência da Modernidade, cuja elaboração podemos reconhecer nas questões kantianas a partir da radicalidade do limite como nosso próprio corpo: o que posso conhecer? O que posso desejar? O que posso esperar? Parece estar sob suspeição. Assim como as intervenções protéticas e o processo de duplicação tornam possível o adiamento ou a superação da mortalidade, à condição que o homem perca suas pretensas características de ser natural, portador de singularidades próprias, pois para postular-se como imortal é possível que o homem seja “em seu próprio corpo”, puro artefacto, as questões que nos constituíam tornam-se anacrónicas ou obsoletas. Talvez não estejamos totalmente preparados, mas é sem dúvida preciso conceber as novas questões que se fazem necessárias. Entre elas, talvez a mais significativa seja: o que é ser um corpo? ou O que é ter um corpo? Que possibilidades hoje nos são abertas e que experiências nos são possíveis?

Quanto à singularidade, ela relacionava-se imediatamente com a experiência de finitude, de corpo e modo de ser próprios. E o processo de globalização, que configura o que chamamos de sociedade de controle, parece ter como premissa lógica para o seu funcionamento a nossa des-singularização. Somos agora senhas, que falam do nosso lugar no sistema, que é o que interessa para a operacionalidade do mundo que tem como alma a empresa, como somos conexões no regime da cibercultura. “Eu sou na medida das minhas conexões” parece ser o que hoje define a nossa subjectividade, assim como o nosso corpo.

No que se refere à nossa sexualidade, nós orgulhamo-nos do movimento político que nos permitiu destacá-la da reprodução, a nossa tão festejada revolução sexual que afirmava em nós a liberdade de seres de desejo. Mas não estávamos, parece, preparados para não sermos mais responsáveis pela vida e pela continuidade da espécie. Tudo parece supor que a ordem mundial na sua mais intensa radicalidade não depende mais do homem, condenado então a ‘funções inúteis’.”

Lembrei-me de que um ensaio sobre Leonardo Da Vinci fala sobre a forma e a função do corpo. Fui buscar e achei o trecho (p. 84):

“Embora o engenho humano conceba invenções diversificadas, que correspondem, por meio de várias máquinas, ao mesmo fim, nunca descobrirá invenções mais belas, mais apropriadas ou mais diretas que a natureza, porque no que ela inventa nada há que falte ou que seja supérfluo”

* * *

Enciclopédia dos Monstros, de Gonçalo Junior

Enciclopédia dos Monstros, de Gonçalo Junior

Ainda falando sobre isso, mas não muito,  ganhei recentemente a “Enciclopédia dos Monstros“. Adorei! A capa é meio juvenil demais, é verdade. Preferia uma capa preta, com letras prateadas e só. Acho mais clássico. Mas isso não é um defeito do presente, e sim da publicação. No mais, fotos, muitas fotos, a evolução da idéia de monstro, e as histórias de vida (?) de seres conhecidos na literatura, no cinema, nas HQs, na natureza. Há páginas também sobre os circos e espetáculos itinerantes que entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX atraiam a curiosidade mórbida do público expondo pessoas com deformidades congênitas. Os monstros folclóricos brasileiros também aparecem: Boitatá, Curupira, Saci-pererê. Em alguns há mais de humano do que de monstro. Frankenstein me adoraria por dizer isso, eu sei. Mas sobre isso também posso citar o Edward Mãos-de-Tesoura (categoria bonzinhos), e o ET (categoria Monstros Infantis). Melhor presente!

:)


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09/04/2009
Com 4 ou 5 anos(não lembro!). Desde aquela idade eu já esbanjando charme...

Com 4 ou 5 anos (acha que foi ontem??). Esbanjando charme desde a infância...

Sem traumas.

Mas só atualizo o perfil da barra lateral depois que passar da meia-noite de hoje.

*(me liguei agora: ter uma categoria para posts chamada “nostalgia” é muito emo)


Não foi no sétimo dia que a vida fez sentido

31/03/2009

Tenho pensado em me dedicar a outro blog, de teor profissional. Algo que esteja mais próximo do meu trabalho, sem tanta música, sem tanto ruído, sem o calor do momento.  O Usina desde o início, lá em 2005, falou de tudo um pouco. Fez rodeios em cinema, literatura, música, muita música. E falou de mim, da vida, das coisas da minha vida. Não achei ruim, e ainda fico com dó quando passo tempos sem atualizá-lo, mas percebi que isso de me sentir mal por ficar longe daqui faz parte de uma necessidade angustiante minha de guardar tudo em algum lugar. O que pode e o que não pode ser guardado. E isso incomoda. As coisas são bonitas. Lindas. As coisas guardadas aqui são queridas. Mas preciso de um tempo para me renovar. Essa é a verdade. Enfim. Ando pensando em me dedicar a outro blog. Talvez eu consiga, ainda que num ritmo tartaruga, levar os dois juntos. E aquele, por estar mais próximo do meu cotidiano, dos meus estudos, seja privilegiado.

Depois do desabafo. Posso falar dos discos do Explosions in the Sky?

Explosions in The Sky - the band

Explosions in The Sky - the band

Se não me engano, conheci a banda através da Pandora, rádio online que infelizmente parou de disponibilizar acessos para ouvintes de fora dos EUA. (e agora o Last.fm… Pelo menos o Last.fm deu a opção  de podermos assinar. Assinarei).

Fui baixando álbum por álbum. Na época eu ainda trabalhava durante a madrugada (dá-lhe vinas. sistema caindo. a madrugada não descansa da roda viva). Chegava em casa não antes das 3h da manhã. A questão é que o corpo não dorme depois que se acostuma às linhas e às colunas, tabelas, à exatidão. Eu sentia que dormir seria um atraso. E então Explosions in The Sky fazia o trabalho sujo, que era mudar todo o meu fuso e me colocar na cama. São algumas das canções mais passionais que eu já ouvi. Quase não tem voz, só amor, tragédia e catarse.  Não tem rastro corpóreo. O som é instrumental e metálico mesmo.

2009 é o ano do décimo aniversário da banda. Eles começaram a tocar juntos em 1999, e em 2000 gravaram o primeiro disco. Vou me dar ao trabalho de colocar todas as capas dos álbuns, e todos os nomes das músicas aqui. Vale muito a pena. Os títulos são demais! Grifei os que eu acho mais bonitos.

how-strange-innocence

How Strange, Innocence (2000)

1. A Song For Our Fathers ——>MEHOR MÚSICA.
2. Snow and Lights
3. Magic Hours
4. Look Into The Air
5. Glittering Blackness
6. Time Stops
7. Remember Me As A Time Of Day

It sounds strange to say that instrumental songs are about something, but to us these songs were/are about such things as a couple walking through the park on a winter day, a child playing on 70′s shag carpet, the story of a boy hero leading a revolution against the tyranny of the coal mines. We’ve had a bit of a love/embarrassment relationship with the record.

(Texto tirado da página oficial da banda)

Those Who Tell the Truth Shall Die, Those Who Tell the Truth Shall Live Forever (2001)

Those Who Tell the Truth Shall Die, Those Who Tell the Truth Shall Live Forever (2001)

1. Greet Death
2. Yasmin the Light
3. The Moon is Down
4. Have You Passed Through This Night?
5. A Poor Man’s Memory
6. With Tired Eyes, Tired Minds, Tired Souls We Slept

The Earth Is Not A Cold Dead Place (2003)

The Earth Is Not A Cold Dead Place (2003)

The Earth is Not a Cold Dead Place é o único  álbum da banda em que todas as músicas ultrapassam a marca de 8 minutos.  É também o álbum que, se não me engano, tem a música preferida da Gressi: “First Breath After Coma“.

1. “First Breath After Coma” – 9:33
2. “The Only Moment We Were Alone” – 10:14
3. “Six Days at the Bottom of the Ocean” – 8:43
4. “Memorial” – 8:50
5. “Your Hand in Mine” – 8:17

Friday Night Lights - LP Cover

Friday Night Lights - LP Cover

Original Motion Picture Soundtrack Friday Night Lights - CD Cover

Original Motion Picture Soundtrack Friday Night Lights - CD Cover

“Every once in awhile someone asks us how we ended up working on a big studio movie about football. The simplest answer is that we got an email. This particular email was from Brian Reitzell who was the music supervisor for both The Virgin Suicides and Lost In Translation (two movies that we are quite fond of). He said he was working on a new movie and he was wondering if we would be interested in doing music for it. We told him we would. He got back in touch with us a few days later and told us that the movie he was working on was called Friday Night Lights. He didn’t really have to explain much as we were somewhat familiar with the book and even more familiar with the setting of the story. West Texas. Midland and Odessa. This is the part of Texas where three out of the four of us grew up. We all read the book and we loved it. It was sad and joyful and depressing and triumphant and funny and ugly and exciting. We said yes.

1. From West Texas
2. Your Hand In Mine (w/strings)
3. Our Last Days As Children
4. An Ugly Fact of Life
5. Home
6. Sonho Dourado (Daniel Lanois)
7. To West Texas
8. Your Hand In Mine (Goodbye)
9. Inside It All Feels The Same
10. Do You Ever Feel Cursed (David Torn)
11. Lonely Train
12. Seagull (Bad Company)
13. The Sky Above, The Field Below
14. A Slow Dance

The Rescue (2005)

The Rescue (2005)

Acho a capa do The Rescue totalmente desesperada. Urgente. É autoexplicativa.

“This is an album of cathartic, beautiful, sweeping, emotionally-charged post rock, that builds from moments to dream-like, ethereal beauty, to grandiose, triumphant, uplifting passages. As with all Explosions in the Sky material, this is HIGHLY recommended. Temporary Residence Limited. “

Não foi no sétimo dia que a vida fez sentido.

1. Day One
2. Day Two
3. Day Three
4. Day Four
5. Day Five
6. Day Six
7. Day Seven
8. Day Eight

All of A Sudden I Miss Everyone (2007)

All of A Sudden I Miss Everyone (2007)

“Here are a few of the key ingredients:

Dilapidated swimming pool which held no water, a dangerous bonfire fueled by lighter fluid and tended by inexperienced outdoorsmen, a babbling brook, Trailer Park Boys seasons 1 – 5 (and the Christmas special), two hammocks, TRAILS INTO THE FOREST, wild turkeys, torrential downpours, elaborate breakfasts, the best backporch in the world, a dangerous snake on the loose inside the house, a trip to the Mall of America, A GHOST, and a ride on a rollercoaster.”

1. The Birth and Death of The Day
2. Welcome, Ghosts (mp3)
3. It’s Natural To Be Afraid
4. What Do You Go Home To?
5. Catastrophe and the Cure
6. So Long, Lonesome

Love,
Explosions


“Entusiasmem-se. Façam festa. Riam.”

20/02/2009

Quem me conhece bem sabe que eu tenho pavor de carnaval. Quando eu era mais nova, era só ouvir os primeiros batuques de escolas de samba na TV que eu apertava no OFF. Mesmo. Desligava a TV.  Hoje não sinto mais tanto asco, mas continuo não gostando. Tolero, mas prefiro estar longe de toda a bagunça. No carnaval do ano passado eu vi trocentos filmes. Adorei a função em Beverly Hills.

Em 2009 não vai ser diferente, mas sem filmes. Até tentaram me convencer a cair na festa, mas não adianta, Carnaval não é a MINHA festa. A solução encontrada foi a melhor possível: Forte de Santa Tereza, no Uruguai. Acampar, ver um monte de coisas legais e descansar um pouco da urbanidade :)

E olha que tri. Uma das fotos que eu encontrei quando fui pesquisar sobre o Forte se parece muito com a foto que eu postei no meu antigo blog, quando fui para Buenos Aires. É só comparar.

A do Forte:

arandela-da-fortaleza-de-santa-tereza

A de Buenos Aires:

buenos-aires

E estas são novamente da Fortaleza:

fortaleza-uruguai

forte2

Adoro essas viagens. Sobre o Parque de Santa Tereza, encontrei:

“Por causa de sua  localização sobre o Atlântico, é dotado, também de magníficas praias oceânicas.

Em sua área há quatro praias que oferecem um visual interessante, com formações rochosas peculiares, dunas e muito verde.

O nome do parque vem da Fortaleza de Santa Tereza, que faz parte do patrimônio histórico e cultural do país. Construída em 1762 pelos portugueses a quem a região pertencia na época – como medida de precaução para o caso de guerra com a Espanha, a fortaleza fica na entrada do parque, à esquerda.

Dentro do forte é possível ver canhões, uma capela, a cozinha que era utilizada pelos soldados, um museu que contém uma coleção de armas e diversas maquetes de outras fortalezas uruguaias. Uma grande atração local são as suas cinco praias: La Moza, Las Achiras, Playa dei Barco, Playa Grande e Cerro Chato. A água do mar costuma ser bastante fria e, por isto, normalmente encarada apenas pelos surfistas. 0 parque conta ainda com outras construções interessantes, com destaque para o Sombráculo (jardim de verão) e o Invernáculo (jardim de inverno).

Texto tirado daqui.

A torcida então é: que não faça um sol de rachar, mas que não chova até alagar. Pedi demais?

Beijosnãomeliguem. Eu não vou olhar muito para o celular lá mesmo.


A origem das espécies

20/02/2009

Li Saturno nos Trópicos, do Moacyr Scliar, há bons anos. Acho que logo que passei no vestibular, ou um pouco antes. Isso quer dizer de deve ter sido lá por 2003 ou final de 2002. Me darei ao trabalho de transcrever vários parágrafos que muito oportunamente reli no início da semana.

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O Combate do Carnaval com a Quaresma, de Pieter Bruegel (1559)

Também a festa era um antídoto para a tristeza do cotidiano. No final do medievo e no começo da modernidade multiplicaram-se as festividades populares, ligadas ou não à Igreja. É a época em que os goliardos, estudantes que se vestiam de maneira característica, com guizos nos chapéus de várias pontas, percorriam a Inglaterra, a França e a Alemanha recitando poemas debochados (que serviriam de inspiração para os Carmina burana de Carl Orff) e apresentando sátiras contra a Igreja. Os goliardos eram apenas uma das “confrarias alegres” (confréries joyeuses) que então surgiram na França e em outros países.

(…)

Essa é também a época em que o Carnaval ganha impulso. Originava-se, como já se disse, da Saturnália dos antigos romanos, ou talvez das Bacanais, festas em geral realizadas no solstício de inverno. Trata-se da noite mais longa do ano no hemisfério norte e, portanto, a mais lúgubre; neutralizá-la com uma festa deve ter parecido, à época, uma boa idéia (mais tarde, a Igreja estabeleceu quase a mesma data para o Natal). A propósito similar obedeciam outras celebrações, como a Festa dos Loucos. Não se tratava, como o nome pode sugerir, de uma celebração da loucura. Era, isso sim, uma válvula de escape – necessária, na medida em que, no Renascimento, as maneiras iam se refinando, impedindo a expressão da agressividade.

Roma e outras cidade italianas , notadamente Veneza, Florença, Milão e Nápoles, transformaram o Carnaval numa grande celebração que ocorria nos últimos dias antes da Quaresma, período destinado à penitência e à meditação. O contraste – na verdade a oposição – entre Carnaval e Quaresma, entre prazer e abstinência, não passava despercebido aos artistas. Em O Combate do Carnaval com a Quaresma (1559), Pieter Bruegel retrata a Quaresma como uma dama seca, magra, triste, usando um vestido cinzento – o retrato da melancolia. Já o Carnaval, obeso, rubicundo, está sentado sobre um enorme tonel de bebida empunhando um espeto com carne assada. A palavra Carnaval, aliás, vem de carne, e de fato, carnes de porco, de vaca, de coelho eram consumidas em grande quantidade. Em muitas cidades alemãs, os açougueiros eram figuras importantes nos desfiles. Em Koenigsberg, em 1583, noventa açougueiros desfilaram carregando uma salsicha de mais de duzentos quilos. Mas “carne” também aludia, claro, à carnalidade, ao sexo; falos gigantescos às vezes apareciam nos desfiles. O que coincidia, como na Saturnália, com uma liberdade geral de costumes, não raro agressiva; mascarados podiam insultar pessoas e criticar autoridades.

(…)

Bakhtin (Mikhail) mostra como esse e outros festejos cumpriam um papel histórico e psicológico importante, subvertendo, ainda que transitoriamente, a cruel ordem social: ao lado do mundo oficial, comportado, surgia um segundo mundo, carnavalesco. A localização da festa no calendário era apropriada, já que, no passado, ele ocorria logo após o ano-novo, marcando assim, diz Bakhtin, o fim do ano velho, dos velhos tempos; como o bifronte deus Janus, que deu origem à palavra janeiro, a festa medieval tinha uma face oficial, religiosa, a mirar o passado, e uma face debochada, olhando o futuro.

Saturno nos Trópicos – A Melancolia Européia Chega ao Brasil
Moacyr Scliar
Editora Companhia das Letras
p. 108 a 110


Fotografias e Mistério no Bosque, mas não necessariamente ao mesmo tempo*

12/02/2009

*a cacofonia nasalizadora é permitida. Tenho licença poética.

Como eu escrevi no post anterior, o arquivo em que estavam as fotos da casa da Lenara e do Romanoff corrompeu. Ele me mandou tudo novamente logo no dia seguinte ao post (segunda-feira, acho). A Lenara ainda me deixou um comentário todo fofo com o link de onde ela armazena as fotos.

A estante do quarto é bem grandona. Sério, cabe um monte de coisas:

leao-querido1

A sala, assim, com luz fraquinha, fica com cara de inverno. Bem europeu... Tem um gatinho verde ali na estante :)

gatinho-querido-11

A fachada:

fachada-da-casa-querida

Bah, e o bosque (!), bem pertinho da casa, pelo que eu entendi :)

bosque-perto-da-casa-querida

* * *

*Já que falamos nisso ou “cuide em que bosque você pisa”: no primeiro filme de terror a que eu assisti, lá pelos 7… 8 anos de idade, não lembro bem,  as cenas mais “fortes” aconteciam em um bosque, então eu fiquei com a sensação de que todos os bosques têm algo de expressivo, para não dizer tenso, além das folhas secas. O filme, por sinal, também foi o primeiro terror produzido pela Disney. Chama-se Mistério no Bosque/Olhos na Floresta (The Watcher in the Woods) e tem a Bette Davis no elenco.

Como a Disney é uma companhia mais voltada para o público infantil, os sustos são leves, naturalmente, e nem dão muito medo (hoje, porque na época eu fiquei apavorada). Os efeitos especiais estão até meio defasados, já que o filme é de 1980. Acabou virando cult. No Boca do Inferno também tem alguma coisa sobre ele.

poster_misterio_bosque1


O que dizem as paredes

09/02/2009

Eu tinha programado postar aqui algumas fotos da casa em que o Romanoff e a Lenara estão morando, em Frankfurt. Achei de muito bom gosto. Ele mandou várias apresentando o lar deles para os amigos daqui. Bem legal. A entrada é daquelas de casinha antiga, aconchegante, com bastante verde, se não me engano. A ideia era postar as fotos e comentar algumas coisas que achei bacana na decoração, só que o arquivo em que estavam salvas corrompeu, e eu perdi tudo. Ou seja, Ricardo, me manda tudo de novo, please? Enquanto ele não manda as fotos novamente, eu vou falando sobre isso igual (se eu deixar para postar depois, as minhas ideias fogem).

Uma das coisas legais que ele comentou é que existe um dia da semana em que as pessoas colocam para a rua objetos e móveis  que não querem mais. Claro que algumas coisas vão para a rua porque estragaram, ou porque estão velhas demais e tal. Mas isso também não é uma loteria. Alguns objetos  estão em bom estado e podem tranquilamente servir na decoração de outra casa:

Romanoff diz:
uma vez vimos um conjunto de copos com uma jarra que eram bem legais
Romanoff diz:
ficamos de pegar na volta do correio
Romanoff diz:
mas 5min depois não estava mais lá
Romanoff diz:
:/

As luminárias eles conseguiram pegar, e só trocaram os cabos e as lâmpadas. Ficaram tri bonitas na casa. Queria eu ter as fotos pra mostrar pra vocês.

Aqui em Porto Alegre, o meu clima é esse, de reorganização. Decoração, na verdade. A minha irmã foi oficialmente morar com o namorado (mãe, tu sabia disso?) e o apartamento ficou só para mim. Ela ainda não levou a cama dela, nem tirou todas as roupas e objetos dela daqui. Isso vai acontecer aos poucos, mas aos poucos eu também vou decorando tudo ao meu gosto. Ontem ela levou a cadeira aqui da escrivaninha, então agora eu preciso procurar uma legal para mim. O tapete do quarto também vai daqui a alguns dias, e o banquinho do banheiro também já foi.

sugar

Da Supermarket

Eu sempre gostei da ideia (é a terceira vez que eu escrevo idéia e tenho que voltar e retirar o acento) de morar sozinha. Quando ainda morava com meus pais, sempre imaginei que um dia moraria em um loft. Acho que as divisórias nos ambientes quebram um pouco da liberdade que um lar pode proporcionar a quem mora sozinho. Eu me sinto um pouco mais presa tendo que dividir meu espaço com paredes. Como não posso me desfazer delas, vou decorando, enchendo de ilustrações, fotos, deixando tudo mais pessoal.

Eu tenho paixão por imagens, cores e formas. Essas ilustrações que saem em calendários criativos e revistas de cultura bem diagramadas simplesmente me ganham. Acabo recortando tudo, colando em caixas, colorindo a casa. Hoje o alvo foi a tomada da cozinha. Exercício para praticar a coordenação motora: recorta, mede, cola, repara… Funcionou, e ficou bem legal! A da sala já estava ilustrada. Ainda tenho mais uma na cozinha, uma no quarto, e uma no corredor para decorar. Mas agora, só quando tiver paciência para continuar o trabalho.

colheres-para-salada

Da Rosamundo

Para a sala, ainda falta comprar almofadas coloridas (as que estão aqui estão um caco!), trocar (ou mandar arrumar, né) a cadeira tri boa de sentar que quebrou, e agora serve só para decorar, comprar a cadeira para a escrivaninha… Eu queria também ter um baú. Não desisto dessa idéia. Adoro baús. Acho tão provinciano. Dá um ar nostálgico para a casa. Agora não tem espaço, mas quando a Sara levar a cama dela, terei mais espaço no quarto.

inside-a-black-apple

Do Inside a Black Apple

Outra, preciso de uma caixa organizadora de bijuterias. Mas de UMA só mesmo. UMA que possa armazenar tudo. Agora eu tenho um monte de caixinhas e isso toma espaço demais. Se alguém souber se existe algum tipo de “porta-pulseiras”, me avisa. Eu tinha pensado em algo que funcionasse como um cabide, sabe, onde eu pudesse ir encaixando os braceletes e tal… Enfim, coisas para organizar aqui dentro não faltarão. E eu estou adorando a oportunidade de poder decorar tudo sozinha. Também tinha pensado em luminárias para a sala e o quarto. Elas deixam o ambiente tão mais confortável, principalmente no inverno. Ah, sim, e também quero almofadas grandes para o canto da sala. Ainda me faltam copos, acreditam? Eu adoro xícaras, e por isso tenho uma coleção delas, só que me esqueço de comprar copos. Só me lembro que preciso deles quando realmente preciso de um. A cozinha também precisa de tapetes…

Aos poucos eu vou mudando tudo, e de repente até coloco umas fotos aqui pra mostrar como ficou. Ah, e depois que o Romanoff me mandar novamente as fotos da casa dele, eu coloco aqui pra mostrar as luminárias de que falei antes :)


“I Love Your Lovin’ Ways”

10/01/2009

nina

Bah, eu nem sei se ainda tenho credibilidade por aqui, já que não escrevo há mais de um mês. Mas vamos lá. Pretendo desenferrujar a ferramenta de publicação de posts deste blog. Primeiro) desejando um ano incrível para todos que por aqui passarem (os que por aqui não passarem não merecem um bom ano). Segundo) dizendo que NÃO, eu não derrubei xícara nenhuma de café no teclado no meu primeiro dia de trabalho. Por sinal, lá tem máquina de café e agora eu tomo mais de um capuccino por dia sem pagar nada por isso. Babem. Terceiro) o saldo de fim de ano foi positivo, bem positivo. Troquei de emprego, entendi, aprendi,  li mais, continuei vestindo a cor preta tanto quanto em 2007, mas terminei o ano com olhos verdes de presente. Entrei em 2009 com pagode. Nem eu me reconheço. Pula a parte do pagode. Ou deixa assim.

Ainda sobre o início de 2009, se vocês levarem as novas regras ortográficas na ponta do lápis, talvez encontrem algum TREMA por aqui. Não me preocupo com isso. Não se preocupem. Temos até 2012 para (re)aprender a escrever corretamente. Que reforma mais absurda!

Mudemos de assunto. O que eu quero agora é falar da cantora que mais me acompanhou em 2008: Eunice Kathleen Waymon. Popularmente falando, Nina Simone.  Ela é minha deusa desde que eu assisti à cena de Before Sunset (2004) em que a Celine (Julie Delpy) prepara uma xícara de chá para o Jesse (Ethan Hawke). Sinceramente, nem procurei a cantora pela música que tocava na cena; procurei por causa do nome mesmo. Achei “Nina Simone” um nome bonito. Com o tempo fui vendo que a dona de um bom nome artístico tinha também uma boa voz. E que a voz dela tinha uma pontinha de tristeza, um lirismo rouco que me fascinava. E assim ela foi tomando conta de algumas das minhas horas, geralmente de descanso.

Nascida na cidade de Tryon (estado norte-americano da Carolina do Norte) em 1933, Nina Simone assim se autodenominou porque se achava pequena, menina (do espanhol, Niña). Achando-se pequena, fez sua “pequena”  homenagem a Simone Signoret, a grande atriz do cinema francês. Pianista, compositora e cantora, Nina Simone adotou nome artístico aos 20 anos, para que pudesse cantar a “música do diabo”, BLUES, nos cabarés de Nova Iorque e Filadélfia escondida de seus pais, pastores metodistas. Nos anos 50, foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na conceituada escola de piano Julliard School Of Music, de Nova Iorque. Foi mais ou menos nessa mesma época que ela começou a acompanhar artistas na noite de Atlantic City, e também nesse tempo que se viu obrigada a continuar cantando para garantir o sustento da família. A obrigação, por fim, virou prazer.

Embora tenha transitado por blues, soul, gospel e folk, foi pelo jazz que ela ganhou cena entre as mais importantes cantoras do mundo, gravando mais de 60 discos. Ao abraçar publicamente todo tipo de combate ao racismo, Nina Simone também se destacou e foi perseguida. Envolveu-se de tal forma, que chegou a cantar no enterro do amigo Martin Luther King. Em suas memórias, a cantora declarava sua vontade: “Meus amigos estão todos mortos ou no exílio. Se pudesse ter escolhido, teria sido assassina, teria respondido golpe a golpe”.  No repertório dos shows, dificilmente  canções como Black is the colour e Everytime I feel the Spirit ficavam de fora.

A minha primeira favorita foi uma das mais conhecidas: My baby just cares for me. Com o tempo fui acolhendo Who Knows Where The Time Goes, I Love Your Lovin’ Ways e finalmente a versão de Here Comes The Sun. Heres Comes the Sun me causa a mesma sensação de Dear Prudence, dos Beatles. A explicação está no convite ao sol, na atenção. Não sei. Here Comes the Sun parece recado de mãe para filho. Eu me lembraria dessa música se quisesse dizer algo à minha mãe na noite em que ela me pegou no colo. Just Like a Woman também é linda.

Em agosto de 2000, no Festival de Jazz in Marciac, na França, Nina Simone subiu ao palco pela última vez. Morreu em abril de 2003, aos 70 anos. A declaração dada à imprensa foi que a cantora morreu de causa natural, e que já estava doente há um certo tempo. Eu gostaria de ter visto um show dela e de ter visto ela dançar rebolando tão elegantemente, como  a Julie Delpy descreveu em Before Sunset.


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