Archive for setembro, 2006

A perfeição não me agrada

29/09/2006

Não acho que eu deva sempre ter uma resposta pronta pra tudo, nem uma opinião formada em relação a tudo. Sou algumas certezas e muitas dúvidas. Antes isso me incomodava, e muito. As dúvidas sempre pareciam bem maiores e mais urgentes do que as coisas que eu tinha como certas. Já não dou mais tanta importância a isso. Estou aprendendo a usar a meu favor essa minha mania de desconfiar de tudo, e questionar o que sinto, o que leio, o que vejo, e o que acho que vejo. Desconfio da perfeição. Idéias perfeitas não existem. Se existissem, não haveria evolução. Pessoas perfeitas não existem. Se existissem, seriam monótonas. Flores perfeitas não existem. Se existissem, seriam triviais.Odeio estas palavras: inércia, monotonia, fixo, imóvel, e por aí vai. Todas elas estão ligadas à perfeição. Tudo que é perfeito é imutável. Permanece estático. Não evolui, nem regride. O termo perfeição é facilmente substituível. Flores belas existem. Pessoas interessantes existem, trabalhos competentes existem, idéias existem de todas as formas, e evoluem. Falar que algo é perfeito é abusar da exatidão. É estancar qualquer possibilidade de continuidade ou transformação. Um ponto-final. E definitivamente, perfeição é um termo subjetivo demais pra ser tratado com tanta lógica. Não é à toa que sempre uso a expressão “Perfeito!” sempre que algo não acontece da maneira que eu gostaria. Não gosto dessa palavra. O caráter de imutabilidade que ela atribui às coisas a que se refere não me agrada nem um pouco.

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Velinhas

28/09/2006

Além do Ique, o aniversariante de hoje é… O Usinaaa! Este blog está completando um aninho. Menino novo, ainda : )

Diálogos não começam com títulos

27/09/2006

Eu ia arrancando com calma todos os pedacinhos de grama que encontrava. Um ao lado do outro. Primeiro esse, depois a folha do lado, e a seguinte. E quando esse exercício de completo ócio me cansou, resolvi deitar e olhar para o céu. A Redenção tem dessas coisas. E não que a tarde pudesse ser assim tão preguiçosa. Muito mais preguiçosa era eu, que teria uma semana cheia de provas e trabalhos a entregar. E daí? E daí que eu me dei todo o direito do mundo de sentar um pouquinho ali e ficar vagando nas minhas idéias. Ou não, também. Ou ficar só, ali, ou somente ali. Só ficar ali.Até vi que tinha alguém se aproximando, mas tanta gente passa ao teu lado num parque… Ele parou na minha frente. Era um dos meus melhores amigos. Me deu um beijo e sentou ali a minha direita. Abriu a mochila, pegou um livro e começou a ler. Isso é fantástico. Tu está ali, e não precisa falar nada. Só ficar ali curtindo o dia bonito. Não que eu encontrasse meu amigo sempre, mas nossa amizade é assim, meio estranha. Eu digo que o livro dele é em braile. Não esse livro que ele estava lendo ali, naquela tarde. Tem uma história de um livro que ele estava escrevendo, um dia eu conto (se ele me permitir isso, e acho que ele não vai), mas eu sempre dizia que esse livro era em braile, porque eu não sei ler em braile. Meu amigo é imprevisível. Ilegível, assim como o livro dele. Quando eu acho que conheci um pouquinho mais dele, ele vem com uma idéia que derruba toda as minhas teorias. Aliás, hoje ele está de aniversário.

_ O que tu tá lendo?

_ Isso (e me mostrou a capa do livro). Preciso fazer uma resenha dele, e entregar essa semana.

(Cara de dúvida, a minha. Sobrancelha desconfiada. Ele faz engenharia…)

_ É pro curso de inglês. Mas pedi um livro curto. Expliquei pra professora que tô em época de provas e tenho pouco tempo pra ler. E tu?

_ Ah, tô tentando. Tenho uma prova de literatura na sexta. Mas é difícil ler aqui. E também tá mais interessante o material de cinema. Então acabei deixando de lado a matéria da prova e peguei isso sobre cinema e virtualidade, que foi o debate da aula passada.

_ É. Parece beem mais interessante mesmo…

_ Bá, cinema é tri porque não mexe só com um sentido teu. Literatura tu viaja, claro, mas é diferente. Na real são duas coisas diferentes. Enfim, cinema tem isso de tu poder abusar nas cores, ou não, também. Tem uma plasticidade, barulho, silêncio…. Enfim.

_ É, isso. E é muito mais profundo. Te influencia muito mais.

_ Tu já viu Dreams, do Akira Kurosawa? Cinema é isso. Tá ali. E música também. Sabe, música pra mim é tudo. Tem bandas que eu conheci por causa de filmes, e que são especiais pra mim por isso. Fazem eu me lembrar dos filmes, e os filmes me lembram da época em que eu assisti eles… Não é assim com literatura. Eu gosto muito, mas não é o mesmo sentimento. Não é tão temporal, assim, não tem tanta ligação com a minha memória como cinema… Aliás, é Tristania aquela banda que tu curte, né? Acho que vi no teu nick uma vez.

_ Aham, Tristania eu escuto bastante. É uma das minhas favoritas.

_ Não conheço. Mas eu vi algo sobre ela outro dia, acho que foi numa página, lá, e me lembrei de ti. Vou escutar hoje. Se eu gostar, te digo.

_ Se tu quiser conhecer, escuta também Lacuna Coil. Mas acho que tu vai gostar mais de The Gathering.

_ Ahhh sim, eu ouvi The Gathering outro dia, e curti. Te falei já, acho. Foi tu, até, quem me indicou. Eu ouvi vários dias seguidos. Incrível como música muda meu dia e meu humor.

_ Pra mim também. Eu tô toda hora ouvindo. Eu saio de casa, e deixo meu computador ligado, baixando um monte de coisas…

_ Outro dia eu tava no trabalho, tri concentrada ali, mas também no embalo do que eu tava ouvindo, e de repente tocou aquela My Girl, do Temptations, sabe? Aquela, do filme Meu Primeiro Amor

_ Hmmmm. Não lembro…

_ I’ve got sunshiiiiine on a cloooooudy daaay. Tan tantantantantantan

_ Ahhhhhh! sei sim, agora sei

_ Bah, muito engraçado, porque eu tava ali, centrada em xmls e tal, e quando começou essa música eu abri um sorrisão, assim, bem sem perceber, natural. Um sorriso voltado pro passado, porque lembrei da minha família, que foi com quem vi o filme. Foi tri. Meu colega me olhou e perguntou o que tinham me dito no msn, pra eu sorrir daquele jeito. Hahaha

(…)

_ Mas tu não quer ter filhos? Nunca? Como tu pode ter certeza de que nunca vai mudar de idéia?_ Não, Cris. Eu nunca vou querer ter. Eu acho que eu não tenho capacidade pra ter um filho. Eu não saberia

_ Hahahahahahahha… Mas isso leva tão pouco tempo pra homens. Basta uns 10 minutinhos ali. E olhe lá, nem isso. Se for só com o objetivo de fazer um filho, mesmo

_ Criiiiiiis, tu entendeu! Hahaha

_ Hahaha… entendi. Tá, mas por que tu acha que não teria?

_ Sei lá, acho que eu não saberia criar um filho. Talvez eu não soubesse cuidar direito. Não sei.

_ Hmmmmmm. Pra mim também é estranho. Eu também já pensei assim, mas agora não mais. Sei lá, deve ser porque eu sou mulher, sabe? Aquilo de instinto materno. Deve ter uma idade em que, inevitavelmente, tu muda de idéia. Não que eu queira ter um filho agora. também acho que eu não saberia cuidar, agora. Mas sei que um dia quero ter. Quero saber como é.

_ Deve ser tri ruim, sabe. De alguma forma, tu vai ter que deixar tua vida de lado por outra pessoa. Não sei se eu faria isso.

_ Uma vez sonhei que eu tava grávida, e foi um dos melhores sonhos que eu já tive. Era uma sensação tão boa, algo como se fosse uma responsabilidade, mas não algo forçado, que me incomodasse, porque eu não era mais uma só. Tinha uma pessoinha bem menor e mais frágil ali dentro, que precisava de mim. Sei lá. Eu sei que eu passei a noite dormindo com a barriga pra cima, por medo de machucar a criança. Mas acordei tri calma. Não sei explicar… hahahahaha

_ Hahaha Sério?? Eu não sei. Não acho que eu vá mudar de idéia.

_ Mas é aquela coisa de fases, sabe. Um filho é meio que uma continuidade tua. É uma extensão da tua vida, pra quem tu vai passar o que tu sabe, e quem vai levar um pouco de ti. É uma forma bonitinha de ver isso, na real, mas tem lá sua verdade antropológica.

(…)

_ Acho que eu me vou. Talvez eu consiga estudar um pouco em casa ainda, antes do trabalho. Vou chegar, e ler um pouco. Tu vai agora?_ Não, acho que vou ficar mais um pouco…

_ Então tá, vou indo… Já passei a tarde aqui.

_ Hmmmm, não, acho que vou contigo. Vamos só ficar aqui mais cinco minutinhos.

_ Daqui quatro minutos vou te lembrar que tu só tem mais um!

_ Siiiim, Criis

(…)

No caminho pra casa:

(…)

_ Eu não acho. Se eu fosse traduzir memories pra português, eu traduziria como lembranças. Eu sei que, ao pé da letra, não é. Mas pra mim faz muito mais sentido._ Pra mim não. Eu sempre leio memory nos livros, e na faculdade. E pra mim, memory é memória mesmo. Não é ligado à lembrança.

_ Deve ser por causa das nossas áreas de interesse mesmo. Por isso, se eu fosse traduzir memory, seria lembrança, e não memória. Lembrança é bonito em português, é nostálgico. Memória é um termo muito científico.

_ Bem isso. Eu tava tentando explicar, mas é o que tu disse. Nossas áreas são diferentes. É porque eu sou da engenharia e, pra mim, memória não tem a ver com lembrança.

Deu Saudade

25/09/2006

Falkor, o dragão da sorte

Fui ao oftalmologista hoje (meus olhos vão muito bem, obrigada) e, enquanto aguardava na sala de espera, ouvi uma música que sempre me lembra do filme A História sem Fim, de Wolfgang Petersen (ele também dirigiu Poseidon, Tróia e Mar em Fúria) e me deu saudade das tardes em que eu me negava a sair pra brincar com meus amigos pra ficar assistindo à versão dublada da Globo. Pra mim, e pra grande parte do pessoal da minha idade, esse filme ficou na memória.A História sem Fim é inspirado em um livro (de mesmo nome) de Michael Ended, e foi lançado em 1979. Logo se tornou best-seller na Alemanha e nos Estados Unidos, e foi traduzido para mais de 30 línguas. No Brasil pode ser encontrado pela editora Martins Fontes. Em 1984, virou filme. Mas na real o que virou filme foi só um pedaço da história, porque o livro é dividido em duas partes. O que o filme conta é a primeira parte do livro. A diferença é que o final do filme foi adaptado e não é igual ao do livro.

E, A PARTIR DAQUI, SE TU NÃO QUISERES SABER O FINAL, MELHOR NÃO LER. DEPOIS NÃO DIGA QUE EU NÃO AVISEI : )

No final do filme, Bastian volta para a cidade na garupa de Falkor, para espantar seus “amigos”. No livro, a primeira parte termina com Bastian ficando em Fantasia (a cidade destruída, lembra?) para reconstruí-la. Aí começa a segunda parte do livro. Perfeito pra quem, como eu, odiou a seqüência do filme, História sem Fim II.

Meu mundo ontem foi silencioso e claustrofóbico. N…

24/09/2006

Meu mundo ontem foi silencioso e claustrofóbico. Nariz trancado.
Pelo menos os olhos estavam BEM abertos. Cinema mudo.
O filme era uma dessas comédias românticas mal resolvidas.

Letters of Desire

21/09/2006

Yuko Shimizu Web Portfolio

Estes gritos assustadores ao redor são o que chama…

19/09/2006
Estes gritos assustadores ao redor
são o que chamam de silêncio?

O enigma de Kaspar Hauser, de Werner Herzog

Tratando filmes como objetos filosóficos

18/09/2006

O Cineclube da Filosofia UFRGS promove, no próximo sábado (23), a exibição do filme O ano passado em Marienbad (L’anée dernière à Marienbad), de Alain Resnais, no auditório da Livraria Cultura. Logo após a sessão haverá espaço para comentários e debates, com o professor do Intituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, Paulo Faria. A temporada 2006 do projeto já está em sua segunda sessão, que teve no mês passado Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de Michel Gondry, com comentários de Jônadas Techio. A idéia é discutir e analisar os aspectos estéticos e filosóficos presentes nos filmes, e de que forma esses elementos podem ampliar a análise da obra pelo espectador.

Então:

O ano passado em Marienbad, 1961, 94 minutos. Direção de Alain Resnais
Sábado, 23 de setembro
Horário: às 10h30min (ai…)
Onde: no auditório da Livraria Cultura
Quanto: Entrada francaAs próximas sessões, em outubro e novembro, terão os filmes Closer (Mike Nichols), e A Igualdade é Branca (Krzysztof Kielowski), respectivamente.

Mais informações, aqui