Retalho de uma hora

26/01/2007

Era de um branco tão branco que os olhos arderam, sentiram que a visão tinha limites pra enxergar. Tinha pontos vermelhos. E eram múltiplos de sete. Todos eles. Não. Minto. Acho que um era maior, e estava no centro. Oco. Exatamente do meu tamanho. Mas tenho certeza de que eram todos quadrados. E tinham em uma das faces figuras geométricas, completas ou não. Começavam e não terminavam. Provavelmente daria pra ver alguns pontos de sujeira, se eu tivesse olhado com mais atenção. Mas preferi deixar o branco, só branco. Não poluir, talvez isso. Deixei o olhar correr solto, sem fixar um ponto específico por muito tempo. O objetivo era um detalhamento menor. Ver as coisas na imensidão que existe nelas mesmo. Sem fechar, sem foco nenhum. Era assim, não? que deveria ser. Não ver uma parede branca, só no concreto e na tinta que encobre ela, porque eu não sei ver só o que posso tocar. Branco na passagem do tempo também. E nas horas rápidas. que paralisassem, elas! Era a sala dos sete selos, na tarde das sete vontades. Vermelhas, todas. E escondidas. Me perdi.

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