Archive for fevereiro, 2007

Em um texto publicado na década de 1980, a princíp…

10/02/2007

Em um texto publicado na década de 1980, a princípio intitulada Dois ou Três Almoços, Uns Silêncios e, mais tarde, Pequenas Epifanias, o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu fez uma reflexão sobre o encontro de duas almas, aquele instante mágico em que seu caminho se cruza com o caminho de um outro que, independentemente da idade, classe social ou gênero, o reconhece como alguém especial, entende seus desejos e temores mais íntimos e lhe oferece uma possibilidade de partilha. A esse tipo de encontro, o autor dá o nome de “pequena epifania” e assim o explica:

“Era assim – aquela outra vida inesperadamente misturada a minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania”.

E continua:

“Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos se armavam de outro jeito, fazendo sentido”.* Início de uma resenha na Bravo desse mês sobre Eu, Você e Todos Nós, da Miranda July. A autora do texto usou partes da crônica de Caio Fernando Abreu pra descrever um pouco do universo do filme. Uma feliz combinação.

Anúncios

Faz tempo que não escrevo poemas. Me lembrei disso…

09/02/2007

Faz tempo que não escrevo poemas. Me lembrei disso ontem, na fila do banco. Nem tinha tanta gente, e eu olhava pro chão. Era só um depósito, numa tarde vazia de coisas pra se fazer. Geralmente escrevo poemas de madrugada. E nem é que não tenho ficado acordada durante as madrugadas. Nada mudou. Mas mudou. Porque eu não tenho sentido vontade de escrever palavras queridinhas, nem nada que possa parecer muito doce. Não ando me enxergando como uma pessoa de muitas doçuras. Mas isso não é ruim. Não estou dizendo que é. Só não me vem naturalmente a delicadeza pra escrever um texto pé na lua. Daí penso que um poema não precisa ser eu, e caio em contradição. Um blog não precisa ser eu, e caio novamente em contradição, porque tenho muita coisa pra falar. Muita mesmo. Talvez eu fale, talvez eu encha isso aqui de sentidos. Prefiro, por sinal. Sentido dá uma idéia multifacetada de tato, de cheiros, de sentido na pele. E também não me importa o que vão dizer. Os textos que eu quero que sejam entendidos em linha reta, eu escrevo em linha reta. Os textos a que eu quiser dar múltiplos sentidos, usarei metáforas. E entenda-os como quiser, viu? Te dei liberdade pra isso. Tenho aqui uma mistura meio difícil de dissociar. Uma fome de jornalismo literário, e de literatura. Geralmente pendendo mais ao subjetivismo. Uma vontade de contar sobre o tempo. O meu e o de tanta gente que passa pela minha cabeça. E o tempo que acho escondido pelos cantos da casa. As palavras aqui falam das coisas. Só isso. Se elas passaram por mim, ou cruzaram o caminho de quem quer que seja, não interessa. Elas contam coisas, reais ou imaginárias. Se daqui a alguns minutos as frases aqui parecerem desbotadas, pouco importa. Minha necessidade é de escrever.

Já começou

09/02/2007

3º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional

Estou em débito com o cinema. Faz tempo que não e…

09/02/2007

Estou em débito com o cinema. Faz tempo que não entravam em cartaz tantos filmes bons ao mesmo tempo. Pretendo resolver isso a partir de sábado. Vou começar por A Vida Secreta das Palavras, que já espero estrear aqui há um tempão. Já vi Minha vida sem mim, da Isabel Coixet, também com a Sarah Polley protagonizando, e gostei muito. Incrível a maneira como ela consegue lidar com temas delicados com tanta sensibilidade. O elenco tem, além da Sarah Polley, Tim Robbins (Sobre Meninos e Lobos), Javier Camara (Fale com Ela, do Almodóvar, que inclusive, está co-produzindo o filme de Coixet), Leonor Watling e Julie Christie. A trilha é cativante: tem Antony and The Johnsons, com “Hope There’s Someone“. Depois conto o que achei.Tem Scoop, filme novo do Woody Allen, de novo com a Scarlett Johansson no papel principal, Pecados Íntimos, que concorre ao Oscar em três categorias, Perfume (esse desconfio que já perdi. Pelo menos no Guion Center não está mais em cartaz)… À Procura da Felicidade entrou em cartaz hoje e Will Smith recebeu indicação ao Oscar de melhor ator. Eu vi o trailer e me deu vontade de chorar. Parece um filme triste (e eu choro mesmo em cenas tristes. Até tento disfarçar, mas não convenço).

Completando, tem ainda Borat, com pré-estréia hoje. A Rainha recebeu 6 indicações ao Oscar e está entrando em cartaz hoje também.

Muita coisa. Certo é que não vou conseguir ver todos os que quero. Nunca consigo. Mas pelo menos espero ver a maioria no cinema. Isso que não citei todos. Alguns já perdi. O Labirinto do Fauno queria ter visto e talvez ainda dê tempo. Na Casa de Cultura ainda está passando. Mais estranho que a Ficção também não vi ainda…

Previsão do Tempo: sol até o final da semana :…

08/02/2007

Previsão do Tempo: sol até o final da semana : (

Vi Donnie Darko no domingo. Já tinham me falado de…

07/02/2007

Vi Donnie Darko no domingo. Já tinham me falado desse filme e eu sempre me esquecia dele. Sábado cheguei na locadora sem indecisão, pelo menos, e de boa memória. Pra variar, peguei dois filmes (o outro foi Veludo Azul, do Lynch, que por sinal, vou devolver atrasado porque só fui assistir ontem).

Donnie Darko é antiguinho, de 2001. O protagonista é Jake Gyllenhaal, de Brokeback Mountain, mas bem novo ainda. Na real vou ter de assistir mais vezes. É um desses filmes de várias teorias. Andei discutindo com amigos e vejo que cada um tem uma idéia diferente, com alguns pontos de intersecção. O filme lida com viagem no tempo e no espaço (distúrbio mental?), realidade x ficção, sensibilidade, corruptelas e falhas na linha temporal. Ainda mexe com a hipótese da existência do Buraco de Verme (wormhole), ou seja, um túnel no tempo/espaço. Efeito Borboleta entra na história? Me pareceu que sim (várias teorias). E ainda tem espaço pra romantismo. Já li por aí que é basicamente um filme de terror para adolescentes. Meio simplista essa denominação, eu diria. Embora o filme toque um pouco em conflitos da adolescência, o sexo sublimado, alguns assuntos ali têm uma proporção bem maior. O mundo de um adolescente x o MUNDO, UNIVERSO.

Seguindo o filme busquei a trilha. O filme abre com The Killing Moon, do Echo and the Bunnymen, tem também Tears for Fears, Joy Division, INXS, The Cure, e Mad World (Gary Jules), pra fechar. Sim, é total anos 80.

Donnie: Why do you wear that stupid bunny suit?
Frank: Why are you wearing that stupid man suit?

With an envelope, We’ll enter buildings we might t…

07/02/2007

With an envelope, We’ll enter buildings we might touch,
I’ve got souvenirs but yesterday can’t mean too much,
Have we missed an opportunity?Whispers Chinese leaves a message, leaves a metaphor,
For what once was gold and once was rich and now is poor,
Have we missed an opportunity?
And the trees lean to lend,
Can I fold you in fourteen ways to depend not defend?
Souvenirs
Architecture in Helsinki

Se enxergavam em tudo que é lugar. E um olhava pro…

07/02/2007

Se enxergavam em tudo que é lugar. E um olhava pro outro dos pés à cabeça, assim, bem como quem olha produto vencido na geladeira. Mantinham uma distância saudável e despercebida. Sem pretensão. Ela era uma patricinha metida a indie. Ele, um indie desinformado do resto. Ela, All Star limpo. Ele, quanto mais sujo, melhor.

Um dia se encontraram na parada de ônibus. Ela ficou sem ficha. Ele emprestou uma. “Acontece”. Ela disse que devolveria. Ele disse que não precisava. Ela disse que fazia questão. Não pegaram o mesmo ônibus, mas dias depois ela devolveu a ficha. Bem Eduardo e Mônica.

.

[!] Féérias! Eu estou mesmo em contagem regressiva, porque elas estão chegando.
[!!] Ontem comecei a organizar o blog novo. Provavelmente vai ser branco. Ainda estou testando os templates. Engraçado é que já vou ficando com saudades desse fundo preto daqui. Engraçado, só.