Sobre a Cinemateca Paulo Amorim

03/02/2007

Na quinta-feira entrevistei pra rádio da UFRGS o Luiz Pighini, diretor das salas de cinema da Casa de Cultura. Ele falou sobre a crise que a Cinemateca Paulo Amorim tem enfrentado depois que o Instituto Moreira Salles, braço cultural do Unibanco, suspendeu o apoio financeiro. O patrocínio acontecia desde 1996; era de em torno de 11 mil reais por mês. O restante da renda vem da bilheteria das sessões. Em dezembro o Unibanco contribuiu pela última vez, sendo que a Casa de Cultura só recebeu o aviso da suspensão do patrocínio um mês antes. Não bastasse o fim de ano ser um período complicado, também era época de transição no governo Estadual.A causa da retirada do patrocínio é óbvia, apesar de não ter sido esclarecida pelo Instituto. O Unibanco é dono dos espaços Arteplex em várias capitais do país, e a perspectiva é de crescimento. Embora a Casa de Cultura tenha uma proposta que geralmente não atrai o mesmo público que o Unibanco Arteplex, ela é uma concorrente. Nos últimos tempos até, a programação de lá tem incluído mais filmes comerciais e talvez isso sirva como um indicativo da dependência que a Cinemateca tem do dinheiro que vem da bilheteria (eles têm apenas duas fontes de renda: o patrocínio, que agora foi retirado, e a bilheteria).

Um abaixo-assinado que ficou na porta da Sala Eduardo Hirtz recolheu cerca de 4 mil assinaturas. Foi entregue na semana passada à Secretaria de Cultura, e por enquanto, nada foi definido. Apoios isolados também vieram de gente como a advogada Denise Argemi, que vai contribuir até abril com mil reais do próprio bolso.

A Casa de Cultura, por enquanto, está com as três salas abertas graças à bilheteria. Uma programação atraente ajudou bastante, e agora, com a entrada em cartaz dos filmes indicados ao Oscar, a renda vinda dos ingressos não deve cair. O problema maior, de acordo Pighini, vai começar em março. Até fim de fevereiro, o funcionamento das salas está garantido.

Se as salas de cinema fecharem, o que acontece é que a Casa de Cultura fica sem um grande pólo de atração. Um espaço amplo vai ficar sem aproveitamento, e a cidade perde muito. Porto Alegre tem uma tradição de ter ainda espaços de cinema fora dos shoppings, com filmes muitas vezes raros, e vai perder junto com a Cinemateca parte da história do cinema no Estado. Foi ali que trabalhou de 90 a 96 (ano em que faleceu) Romeu Grimaldi, antigo programador dos cinemas Vogue e Bristol (esse ficava no mezanino do antigo Baltimore, na Osvaldo Aranha. O prédio foi demolido e agora, no lugar, existe um estacionamento). Grimaldi tinha um conhecimento enorme em filmografias. Ele fazia mostras internacionais (filmes chineses, franceses…), relançamentos de clássicos… Foi responsável pela formação de boa parte de uma geração de cinéfilos e de cineastas como Jorge Furtado e Carlos Gerbase.

Enfim, me alongo, perco o foco da discussão, que é o problema da CCMQ. Mas acho que tudo se mistura mesmo. Se a Cinemateca Paulo Amorim não fizesse parte tão importante pra cultura em Porto Alegre, não faria sentido todo o esforço que está sendo feito pra mantê-la em funcionamento.

A entrevista com Luiz Pighini vai ao ar na Rádio da Universidade na segunda-feira (05), a partir das 18h05min, no programa Universidade Revista.

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Uma resposta to “Sobre a Cinemateca Paulo Amorim”

  1. crishttp://impulsive.blogsome.com Says:

    love u! : )


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