Archive for março, 2007

Quando um amigo vai embora

27/03/2007

Só hoje consegui vir aqui e escrever. Meu final de semana foi horrível. Perdi um amigo mais do que especial pra mim. O Bruno saiu pra andar de bicicleta, sem documentos e sem celular, no sábado à tarde. Achamos que ele estava demorando demais e começamos a procurá-lo. Um bom tempo depois descobrimos que ele tinha sofrido um acidente. Foi atropelado. Meu amigo não volta mais…

Foi o Bruno quem me apresentou a maioria dos meus melhores amigos. Foi ele que me ensinou que a amizade é ingênua e simples. Ele vinha brincar, ou ficava ollhando de uma forma meiga. No início, logo que ele veio trabalhar comigo, eu tinha uma certa implicância com ele. Até comentei isso com ele alguns meses atrás. Ele olhava estranho, e tinha um jeito quieto que causava curiosidade. Não demorou pra eu perceber que ele olhava estranho porque olhava no olho. Era carinho. Aprendi a conviver com meus amigos como uma família, a dizer o que eu sentia e a demonstrar que eu gostava das pessoas. Ele veio todo alegre uma vez me mostrar uma caixa de CDs do Simon and Garfunkel, que ele havia ganho do pai dele. E a gente vivia trocando gostos musicais.

Domingo, depois do enterro, estávamos lá os amigos lembrando algumas coisas, e a gente chorava e ria junto. Só tem coisas boas pra lembrar dele. Só mesmo coisas boas. A cumplicidade pras indiadas e pras noites de trabalho. Pra cerveja depois das madrugadas de trabalho. O Bruno estava em tudo isso. Os chavões que só poderiam vir do humor inteligente e refinado dele. As piadas internas e bizarrices que nem todos vão entender, é claro, mas são boas pra secar um pouco o rosto e rir das lembranças:

Francamente, Otto
Saaaaaabeeeee
Que foi que tu disse, Cristiana?”
Não sei se isso é lícito
Sai de perto de mim
“…o ouro do besouro
Tô me sentindo um colega de trabalho teu, Cristiana

Tem ainda “um brinde à roupa do Guaragna“. Tem o omelete com pão integral, tem o dedo cortado no dia da caipirinha, tem o banho de chuva na véspera de Natal, no show da Apanhador Só. Tem o Bruno abaixando a cadeira de todos, tem ele na jantinha comigo e com a Cris, mordendo o croissant congelado e dizendo que tava tri bom. Tem o Bruno me apressando pra irmos jantar, e pra eu me arrumar rápido pra sairmos em Buenos Aires. A dança do pezinho. Tem os nossos planos de montar um site e as conversas-cabeça por msn. Tem o Bruno carregando a caixa de cervejas logo que entrou pra equipe do clic. Ele tirando os óculos pra rir. O Bruno estava em tudo. Nada mais vai ser igual depois que ele passou por aqui.

É isso. Ficam muitas saudades. Ficam coisas boas.

“Desculpe, meu amigo, mas não dá pra segurar”

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22/03/2007

“In modern and late Medieval Christian thought, Lucifer is usually a fallen angel commonly associated with Satan, the embodiment of evil and enemy of God. Lucifer is generally considered, based on the influence of Christian literature and legend, to have been a prominent archangel in heaven (although some contexts say he was a cherub or a seraph), prior to having been motivated by pride to rebel against God. When the angel failed, Lucifer was cast out of heaven, along with a third of the heavenly host, and came to reside in the world.”

And so it was Lucifer between the boy and the girl

21/03/2007

Três dias de chuva. To realizada!  :)

* * *

Shutdown Day

O site Shutdown Day lançou o desafio.Você consegue sobreviver 24 horas sem um computador? Segundo a página, a proposta faz parte de um experimento global para saber quantas pessoas são capazes de passar um dia inteiro com o micro desligado, e o que acontecerá se todos participarem (algo impossível, obviamente).

O dia escolhido foi 24 de março, próximo sábado. Na página dá pra ver a quantas anda o desafio. Até agora, 3 da tarde, quase 8 mil pessoas já votaram na opção “I cannot”, contra 51 mil e poucas em “I Can”. Não sei se eu consigo, hein?

20/03/2007

“E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pagem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz; e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim pra ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente sozinha e perdida no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seu olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a cara-na-vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que eu estou brincando.” Do Poetinha.

[Foi minha mãe quem me ensinou, bem sem saber, a gostar de Vinicius de Moraes. Ela tinha o poema Filhos na primeira página do caderno de receitas dela. E toda vez que eu pegava aquele caderno (aliás, eu folheava cadernos de receitas com freqüencia BEM MAIOR quando eu era MENOR). Continuando. Toda vez que eu pegava aquele caderno eu lia o mesmo poema, trocentas vezes. Decorei partes dele que nunca mais esqueci, porque achava engraçado: “Chupam gilete/Bebem xampu/Ateiam fogo No quarteirão”.]

* * *

Entre o passo, a pressa, a pedra e o tombo.

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A dona aqui não anda tendo muito tempo pra postar. As aulas recomeçaram, o trabalho também toma espaço, e o relógio não tá dando trégua, então me perdoem se eu for um pouco tratante…


(Beatrice Billard)

17/03/2007

 Tell your story. So cute.

Por baixo da saia usava os desejos. O restante da vontade escondia nas meias. As antigas ternuras, guardava em potinhos de vidro transparente e ficava olhando antes de dormir.

16/03/2007

Mia: Don’t you hate that?

Vincent: What?

Mia: Uncomfortable silences. Why do we feel it’s necessary to talk about bullshit in order to be comfortable?

Vincent: I don’t know. That’s a good question.

Mia: That’s when you know you’ve found somebody special. When you can just shut the fuck up for a minute and comfortably enjoy the silence.

Vincent: I don’t think we’re there yet. But don’t feel bad, we just met each other

* Personagens de Uma Thurman e John Travolta conversando em um restaurante, em Pulp Fiction

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Pronto. Entrou em ação o metralhador de palavras. Não sei como respirava, mas dava pra perceber o nervosismo porque as mãozinhas estavam geladas de suor. Mãozinhas, porque eram menores do que as minhas. Comentei uma vez que quando a gente começa a falar coisas no diminutivo, mesmo elas não merecendo, é porque é carinho, e no fundo, no fundo, a gente se importa. Já vi gente chamando homem de 1,90 de “meu nenezinho” (eu acho brega. nenê não, né, por favor, mas cada um, cada um)… As sobrancelhas não eram harmônicas. Um dos lados era bem retinho. O outro, se me lembro bem, o esquerdo, começava com alguns fios desordenados que só depois se alinhavam. Nariz grande. Italiano, provavelmente. Olhos falantes que me deixavam sem graça. A tática de olhar pro lado e disfarçar não funcionava porque ele puxava meu rosto e dizia pra olhar no olho. Droga. Odeio e ao mesmo me atrai gente que age assim. Gostei dos cílios, longos.

[Falando em descrição, nunca vi ninguém descrever a delicadeza melhor do que a minha tia, falando sobre minha avó. “Ela usa as pontas dos dedos. Quando pega o guardanapo, ela estende a mão e toca as pontinhas dos dedos no papel, e tu jura que o guardanapo vai cair da mão dela, de tão leve que ela segura. Mas ele não cai.”]

Links

14/03/2007

To acrescentando ali do lado as tiras toscas do Bruno e uma página de música e afins bem legalzinha que eu achei por aí.

Entre a lente e a retina, o cinema

13/03/2007

Recebi hoje um e-mail sobre o II Festival Cinema & Cidade – Porto Alegre entre a lente e a retina, que vai ser nos dias 25 de março, 1º, 15 e 29 de abril, ali no StudioClio. Engraçado que eu postei há poucos dias o texto ali embaixo sobre a pesquisa do Seminário de Cultura e Comunicação, e mais umas coisinhas que fui lembrando sobre esse assunto, e novamente volto aqui pra falar algo relacionado a espaços urbanos.

Essa segunda edição do Cinema & Cidade (a primeira foi no ano passado) explora em curta-metragens a identificação das pessoas com as áreas da cidade, os lugares, e o cotidiano de uma metrópole. No centros urbanos, cada esquina tem uma história pra contar. Contrapondo a produção de cineastas – experientes ou iniciantes – aqui de Porto Alegre, também serão exibidos esse ano filmes rodados em São Paulo e Minas Gerais. A curadoria do festival é da arquiteta Jeniffer Cuty.

Todas as sessões serão aos domingos, das 17h às 19h30min, no StudioClio (Av. José do Patrocínio, 698).

———————————————————————–>  Programação

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O filme Science of Sleep, do Michel Gondry, estréia esse ano. Tem Gael García Bernal e Charlotte Gainsbourg interpretando os personagens principais. Seguindo a linha de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, o diretor extrapola, sai da realidade e parte pro surrealismo. No filme, Gael faz o papel de um um cientista que domina a técnica de viver os seus sonhos de forma lúcida. Ele faz isso pra tentar trazer a namorada dos sonhos pra realidade dele, só que algo dá errado e ele acaba ficando preso entre dois mundos. Lembra exatamente Brilho Eterno, mas Science of Sleep me parece ainda mais cativante. Achei a página do filme e passei um tempão viajando nela, bem deslumbrada. Tem fantoches, carros feitos de papel, nuves movimentadas pelo cursor do mouse… fora a trilha, que já tem no myspace.

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Charlotte Gainsbourg é filha da cantora Jane Birkin e do cantor e escritor Serge Gainsbourg (Mauren, me lembrei de ti!). A atriz (e cantora) acabou de lançar o álbum 5 55. Olha que bonitinho. Segundo Charlotte, o disco leva esse nome porque 5h55 “é a hora mágica em que os sonhos surgem”.

PS.: Do jeito que minhas horas de sono estão bagunçadas, ando perdendo sonhos demais…