Archive for agosto, 2007

28/08/2007

Tem show do Pato Fu no dia 13 de setembro.

Irei : )

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27/08/2007

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Cenas perfeitas

27/08/2007

Meu silêncio guarda um mundo. Só meu. Guarda o ronco de um automóvel, guarda uma caixinha de músicas que já não existe mais. Guarda diários empoeirados nas minhas gavetas, e um envelope com cartas de amizade de 1995, fotos de antes disso, e depois. Meu silêncio guarda o som da rua, apenas alguns metros longe de mim e guarda as palavras que eu não quero dizer. Guarda cenas que acontecem todos os dias, irretocáveis, cenas perfeitas. Talvez a perfeição exista mesmo. Não sei se um dia vou chegar a uma conclusão sobre isso e, sinceramente, não há motivo nenhum para eu me abalar se não conseguir. Não vai mudar nada na minha vida. Talvez a perfeição caiba em um espaço de tempo tão curto, tão, mas tão curto, que quase não é percebida, mas ok, admito, talvez ela exista. Não é sólida nem eterna, mas está aí, em segundos. Não precisam ser cenas com finais felizes, nem com início, meio e fim. Só precisam funcionar. Só precisam nos atingir de alguma forma. É isso? Perfeição é isso? Como eu me contradigo nos meus conceitos. Mas não é sobre isso que quero conversar agora.

Naquela hora da manhã poucas pessoas andavam pelas ruas, e minha aula era cedo. Eu ia com calma, incrivelmente não me atrasaria. O velhinho que caminhava alguns metros a minha frente ia em um ritmo só um pouco mais lento que o meu, com um jornal aberto, lendo. Atenção no caminho, nem pensar. Atenção na calçada, nem pensar. A vida para ele estava naquele momento nas linhas diagramadas do jornal. Alguém vinha em direção contrária, e reconheci a manta. Existem trocentas mantas iguais por aí. Óbvio, eu sei disso. Mas talvez aquela fosse justamente a manta que eu conhecia. Não sei. Minha visão estava totalmente comprometida por causa do jornal aberto. Talvez o velhinho feche o jornal e eu consiga ver. Talvez. Talvez. Mas eu me aproximava. E a pessoa em direção contrária também. Não fiz muito esforço para ver, confesso. Deixei que a pessoa se aproximasse e eu pudesse ver quem era. Eu me aproximei do velhinho, o jornal se manteve aberto, e eu nada pude ver além de algumas linhas de lã verde escura. A cena perfeita estava aí. Exatamente no mesmo momento em que eu ultrapassei o velhinho, a pessoa em direção contrária também o fez. Nem um segundo antes, nem um segundo depois. Precisamente ao mesmo tempo. O velhinho continuou o caminho, com as folhas abertas, eu já estava a sua frente, e a manta se distanciava atrás de mim. Não fiz questão de olhar para trás. Nem pensei em fazer isso, sei lá por que motivo. Vi mais interesse no que tinha acabado de acontecer do que na pessoa que havia passado. Era irretocável, claramente irretocável. Se era a manta que eu conhecia, não sei, nunca vou saber. Talvez se eu tivesse enxergado a pessoa que carregava a manta algo tivesse mudado, ou não. Talvez aquele se tornasse só mais um dos meus freqüentes atrasos. Nunca vou saber.

Desaguar

21/08/2007

Tenho duas relações conflituosas. Talvez conflituosas até nem seja a palavra certa, mas não são relações tão amigáveis. Uma delas é com o sono, e a outra é com água. Águas grandes, é assim que eu digo. É a melhor forma que encontro pra descrever. Não é a água de sempre, do banho, do copo. São águas grandes, que não se pode enxergar o fim. Mares, rios largos, águas profundas, transparentes ou não. Bonitas ou não. Comportadas ou não. Quando estou acordada, admiro. Não sou uma pessoa de neuras e traumas. Nunca me afoguei; a água nunca me levou. Mas meus sonhos mais incômodos sempre envolvem água. São os dois lados da mesma moeda. Amo a água que cai do céu. Me causa inquietação a água que está mais próxima do chão. O sono, pois é, minha briga constante com as horas. É necessário, mas inerte. É confortável, calmo e silencioso, mas ocioso. Envolve os minutos que antecedem o amolecer dos músculos (e minutos que eu adoro). Envolve entrega. E envolve sonhos com águas. Meu sono é instável, prazeroso, mas por vezes me aborrece. Arrumo desculpas pra não dormir. Desculpas pra não sonhar. Desculpas pra não desaguar. E pior, me convenço fácil.

21/08/2007

Cada linha
cedida perdida
achada
(des)manchada
falava no escuro
insinuava idéias
rascunhos
injúrias
pormenores
maiores que fossem
se expandia
crescia por dentro
tomava conta
raptava dias noites
passos precisos
cortava a ordem
destruía espaços
forçava o relógio
virava os ponteiros
na vigésima quinta hora
acordava.

20/08/2007

“Last week I had the strangest dream
Where everything was exactly how it seemed
Where there was never any mystery of who shot John F. Kennedy
It was just a man with something to prove
Slightly bored and severely confused
He steadied his rifle with his target in the center
And became famous on that day in November”

*

20/08/2007

*Não consegui escolher um de todos.

Sete pessoas na sala. Cheguei, me esparramei lá no fundão do cinema e nem vi o tempo passar.

20/08/2007

Não lembro onde parei por aqui. Há mais de uma semana fui ao show do Toquinho. Meio em cima da hora. Sobraram ingressos, vamos? Vamos. Ele já tava contando umas histórias quando chegamos. Atrasos acontecem. Era longe. E o show foi de chorar. Não me lembro de ter chorado em algum outro show. Acho que foi a primeira vez. Foi com Aquarela. Olhei para os lados e vi que não estava sozinha limpando o rosto. Sei lá, é forte. A acústica do lugar era boa e o som parecia fazer voltas ao redor da cabeça, bater nas paredes, voltar, entrar pelos poros. Na hora me lembrei de um texto que li pra faculdade: não escutamos com os ouvidos, e sim com a pele. Agora entendi o porquê.

Comentando com o Rodrigo, e sem ser estraga-prazeres, concordamos em uma coisa. O Toquinho passou o show contando histórias do tempo em que vivia pra lá e pra cá com o Vinicius de Moraes e o Tom Jobim. Nada, absolutamente nada de novo. São histórias bonitas, não dá pra negar. Não foi à toa que chorei. Cresci ouvindo isso da boca da minha mãe. É legal, mas também seria legal ouvir algo de novo. Poxa, acaba ficando um show nostálgico. O Rodrigo foi ao show do Chico Buarque. Eu não fui. Comparando. O Chico não parou no tempo. Ta aí, produzindo, na ativa. O Toquinho vive dos sucessos que fez no passado, das rodas e festas com gente que nem tá mais aí. Passado é passado. Lembra, conta, mas mostra que tá vivo, sabe? Não critico o som, que é de ótima qualidade. Critico as atitudes.