Archive for setembro, 2007

Pra 27 não passar em branco

28/09/2007


Já devo ter falado isso, mas eu ADORO esse lugar.

Também tá de encher os olhos a oitava edição da Idéia Fixa. O tema é SELF-PORTRAIT. Tem uma minientrevista com o André Dahmer, do Malvados, e outros tantos trabalhos legais.

Ahm. E ontem o Usina fez dois anos. Nem foi por ser desnaturada que me esqueci do aniversário. O clichê tá valendo, e eu realmente não tive tempo de passar por aqui antes. Maaaaas, como eu ainda não dormi, ainda é 27/09, certo?

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26/09/2007

Parei em frente ao quadro e fiquei um tempo olhando. A galeria era a mesma – a sala branca – e os tons de vermelho eram os mesmos, mas em menor quantidade. Na verdade não tinha reparado que o quadro do qual eu mais tinha gostado era melancólico, até ouvir a afirmação. É mesmo. Pior que era. Mas uma coisa não impede a outra. Também não tinha ouvido uma definição melhor para a melancolia: um estado reflexivo (não lembro bem se a palavra era essa, mas era esse o sentido. Contemplativo, talvez. É por aí.).

Os pés foram riscados em preto, envelhecidos. Tinham um apelo rústico e solitário, mas não me pareciam tristes. Melancólicos. Aham. Já cheguei à conclusão há muito tempo que tristeza é uma coisa e melancolia é outra, embora os dicionários não concordem comigo. A linha de pensamento seguiu pelas folhas vermelhas no topo da imagem e pelo verde musgo, até meio imperceptível escondido nos rabiscos, e chegou ao inverno. Acho que me passou frio. O inverno, pra mim, poderia ser feito somente pelas cores do quadro. Sei que ali no meio também deveria ter um marrom. Preto e branco. Inverno precisa ser noir. E eu queria aquela obra pra mim, mas nem me lembro de quem era.

Agora a imagem está na Galeria Augusto Meyer, na Casa de Cultura.

19/09/2007

“Precisamos de bolsos muito maiores, pensei ao deitar na cama, contando os sete minutos que uma pessoa leva em média para dormir. Precisamos de bolsos gigantescos, bolsos grandes o suficiente para nossas famílias, nossos amigos e até mesmo as pessoas que não estão em nossa lista, pessoas que nunca conhecemos mas ainda assim desejamos proteger. Precisamos de bolsos para distritos e cidades, um bolso que pudesse conter o universo. Mas eu sabia que não podia haver bolsos tão gigantescos. No fim, todo mundo perde todo mundo. Nenhuma invenção poderia evitar isso, portanto me senti, naquela noite, como a tartaruga que tinha sobre si todo o resto do universo.”

Oskar Schell, 9 anos, personagem de Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer
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Pena que nos meus bolsos mal cabem as minhas mãos…

Por que você bloga?

17/09/2007

Quem pergunta é a Sandra. Bah, blogo por tantas razões. É meu hábito mais saudável, depois da aversão a refrigerantes, acredito.

Cansei de ouvir professores da faculdade dizendo que ter um blog ajudava a desenvolver a velocidade do pensamento, a atenção no dia-a-dia, a criticidade e um jeito próprio de escrever. Comprovei tudo isso. Se eu largar o blog, enferrujo. Também já cansei de levantar da cama de madrugada com meus dedos impacientes porque uma idéia não saía da cabeça e se eu não escrevesse, ela ia embora. Blogo porque aqui conheço pessoas de lugares diferentes (reais e virtuais), aqui vejo idéias diferentes e proponho as minhas idéias. Concorda quem quiser, discorda também quem preferir, e essa discussão toda abre a cabeça. A blogosfera é uma multidão querendo conversar. Já morri de vontade de transformar os comentários que alguns deixaram aqui em novos posts, porque tantas vezes são melhores do que os próprios posts, ou os complementam, ou deixariam tão mais belo o lugar se estivessem mais visíveis. É isso. Blogo por hábito, por prazer, por lazer.

Criei um blog bem no escuro em 2005 com o intuito de escrever mais. Sempre gostei de escrever, mas morria de vergonha dos meus textos. “Crisinha tu tá numa faculdade de jornalismo e tem vergonha/medo de escrever??” Era meu bloqueio. Sentava na frente do micro e ficava horas enrolando até escrever algo, quando não desistia. O primeiro blog chamava-se Palavrasemordem, e era hospedado no blogspot. Morreu cedo. Mal começou, pra ser mais exata. Por falta de vontade, timidez, sei lá o quê. Falta de vontade mesmo. Recomecei alguns meses depois e dessa vez a coisa foi diferente. As idéias também eram diferentes. O segundo era também no blogspot, e tinha o mesmo layout do primeiro. Tinha a terminação “do Caos” no título. Usina do Caos. Um ano e pouco depois, já com um sentimento de dever não cumprido se passasse mais de três dias sem blogar, comecei a achar o layout no blogspot feinho e estático demais. Era preto, sei lá. Não que preto seja feio, mas a idéia era mudar tudo. Eu gosto de imagens, de cores, e isso faltava lá. Então o Cleber me falou do WordPress e vim futricar pra ver como era. Os poucos fui trazendo a mudança pra cá. E o “do Caos” já estava juvenil e afetadinho demais pra continuar no título, além de não combinar com o conteúdo. Agora eu tenho uma Usina, e ela funciona melhor do que eu imaginava.

Contrariando o propósito dos memes, não vou repassar a pergunta pra nenhum blogueiro definido, e sim deixar o convite do título pra quem quiser responder. Ah, mas me deixem os caminhos das respostas! Quero lê-las.

: )

17/09/2007

Começando etapa de mudanças por aqui (já enjoei do que vejo todo dia). E por que mesmo existe a categoria “Sinapses” na minha lista?

Daqui pro futuro

13/09/2007

Baixei o disco novo do Pato Fu. Queria conhecer antes do show, hoje (!). Ainda não consegui parar de ouvir. Referências ao tempo, como sempre, referências a Clarice Lispector, dá pra ouvir pra dormir, dá pra ouvir antes de sair. Adorei. Sempre achei bem bonitinha a história do John e da Fernanda Takai. Se conheceram porque ela ia comprar cordas pro violão dela e outras coisas baratinhas na loja de instrumentos dele. Ela já tinha uma banda, e ele também já tinha tido uma. Um dia ela deixou uma fita demo pra ele ouvir. Ele gostou. Nasceu Pato Fu. E depois nasceu John e Fernanda.

Sobre a morte e a vida

11/09/2007

Quando acontecer, penso que vou me desfazer em metáforas. Desmontar complexidades, equilibrar o oxigênio, evaporar lentamente. Vou virar pequeninas partículas. Invisíveis, mas de beleza incomum. Bolinhas transparentes. Vou me juntar a outras pares, fazer brotar um sorriso de canto, balançar os bigodes dos gatos e os cabelos compridos das meninas. Entrarei pelo nariz das pessoas, deixando que me respirem, respirando-as… chegando lá no fundo, lá dentro no canto do peito e fazendo a vida funcionar novamente.

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Bons momentos virtuais

10/09/2007

O Usina recebeu da Sandra, do Isso é Bossa Nova, uma indicação ao certificado de reconhecimento – Bons Momentos Virtuais. Obrigada, Sandra!! Me sinto lisonjeada.

Mas a idéia agora é indicar outros cinco blogs que eu acho que merecem esse reconhecimento. Caramba, eu futrico link por link, eu gosto de blogs. Como disse a Sandra, rola uma troca de idéias bem legal em cada um. Fora a quantidade de gente Brasil além fronteiras que acabamos conhecendo. Não é fácil indicar só cinco, mas lá vai a função árdua. São lugares tri agradáveis para passear:

Mais Canela, por favor, da Fernanda Fonseca – ilustrações, trabalhos artesanais, dicas de música e até umas receitas de culinária.

Namastê, da Alê – os sapatinhos, a mobilidade, a poesia, o tempo, e o bom gosto

Terra do Rafael, do Rafa Terra – textos autorais, histórias de ontem e poética na prosa gostosa de ler

Plástico-bolha Color, da Bebel – poesias refinadas e metáforas que eu não se de onde ela tira

Limão Expresso, da Prill – criações, terceira pessoa, cores, muitas cores e textos bacanas

É isso. Mas ali na barra lateral tem mais blogs que merecem visitas. É só dar uma chegada.