26/09/2007

Parei em frente ao quadro e fiquei um tempo olhando. A galeria era a mesma – a sala branca – e os tons de vermelho eram os mesmos, mas em menor quantidade. Na verdade não tinha reparado que o quadro do qual eu mais tinha gostado era melancólico, até ouvir a afirmação. É mesmo. Pior que era. Mas uma coisa não impede a outra. Também não tinha ouvido uma definição melhor para a melancolia: um estado reflexivo (não lembro bem se a palavra era essa, mas era esse o sentido. Contemplativo, talvez. É por aí.).

Os pés foram riscados em preto, envelhecidos. Tinham um apelo rústico e solitário, mas não me pareciam tristes. Melancólicos. Aham. Já cheguei à conclusão há muito tempo que tristeza é uma coisa e melancolia é outra, embora os dicionários não concordem comigo. A linha de pensamento seguiu pelas folhas vermelhas no topo da imagem e pelo verde musgo, até meio imperceptível escondido nos rabiscos, e chegou ao inverno. Acho que me passou frio. O inverno, pra mim, poderia ser feito somente pelas cores do quadro. Sei que ali no meio também deveria ter um marrom. Preto e branco. Inverno precisa ser noir. E eu queria aquela obra pra mim, mas nem me lembro de quem era.

Agora a imagem está na Galeria Augusto Meyer, na Casa de Cultura.

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Uma resposta to “”

  1. clau Says:

    let youself feel it! : )


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