Amantes Constantes

10/10/2007

Devia ter passado por aqui antes pra postar isso, mas o fato é que um conjunto de detalhes anda me fazendo ficar distante do blog. Trabalho, faculdade, a leitura em meios impressos fez um pouco mais a minha cabeça também. E por último, sinceramente, a falta de vontade e paciência. Não a falta de idéias, mas a falta de paciência mesmo. Mas isso vai mudar, prometo.


Pra começar. Faz tempo que eu não me apegava tanto a um filme. Mesmo. Amantes Constantes, de Phillipe Garrel, conseguiu esvaziar meu pensamento de qualquer outra coisa que não fosse a tela em preto e branco em minha frente. E mais, conseguiu isso durante quase três horas. A época é maio de 1968. O lugar é Paris. O tempo é de manifestações sociais e políticas, revoltas, arte borbulhando, anarquistas e estudantes que se reúnem para protestar. Depois que os confrontos cessam, o que sobra para o grupo de jovens que protagoniza o filme são as reuniões em uma casa que acabou virando república de artistas. Além disso, o ópio serve de passagem entre a filosofia, a escultura, a poesia e a pintura. Ah, sim, e a moda.

Encontrei arte do início ao fim do filme em uma sala de cinema com menos de cinco pessoas. A fotografia é impressionante. Estética rara. As cenas mais escuras coincidem com as desilusões e com a tensão. E se a tela é clara demais e dificulta a nossa visão, é porque os personagens são transparentes em cada atitude. Nenhum deles desvia o olhar. Amantes Constantes levou o prêmio de melhor fotografia no Festival de Veneza do ano passado. Coisas pra falar sobre o filme não me faltam, mas se eu me prolongar, talvez conte coisas que não deva (sim, eu me empolgo falando disso) e acabe tirando a expectativa de quem ainda quer ver. Tenho a dizer ainda apenas que foi um dos filmes mais sinceros que já vi, sem dúvida alguma. Saí do cinema balançada, como gosto de sair.

Pois bem, fui procurar mais informações sobre o filme pela internet e acabei descobrindo que HOJE é a data oficial de lançamento de Amantes Constantes em DVD. Quem perdeu nos cinemas (em Porto Alegre ficou em cartaz só por duas semanas no Guion Center e, que eu saiba, em São Paulo também ficou restrito apenas a uma sala de cinema), pode ficar feliz. E eu quero ter o filme em casa.

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6 Respostas to “Amantes Constantes”

  1. Matheus Palma Says:

    querida, post mais.

  2. zecaman Says:

    legal, adorei a dica!

  3. Luiz Says:

    Tinha esquecido o quanto esse teu blog é gostoso de ler, Cristiana. Quando fizermos nosso ficha na Blockbuster mais próxima aqui em Lisboa, vou ver se acho esse filme aí. =)

  4. Cris Says:

    Matheus, venha sempre : )

    Zeca,
    Vale a pena. Garanto.

    Luiz, saudades!
    Aqui ainda não tem em DVD. Não sei como funcionam essas coisas aí, mas deve ser mais rápido. Acho que tu vai gostar.
    E não te esqueça do cartão-postal!!
    Bjs

  5. Lívia Says:

    Também me impaciento com as letras e sumo da “blogsfera” [ainda mais com todos os afazeres do cotidiano!].

    Fiquei hiper interessa no filme e ficarei de olho para locá-lo, até porque o Louis Garrel [por si só] já é um presente para os olhos [rs].

    Beijos Cris.
    [sempre bom lê-la].

  6. Cris Says:

    Lívia, percebi que tu deu uma sumida…
    Que bom que foi temporário.

    Sobre o filme, indico meeesmo. Eu veria pela segunda vez, sem problemas. Achei o máximo. Concordo duplamente contigo!

    Beijão, e venha tomar um café : )


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