Sem especulações

13/11/2007

“(…) Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as coisas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas. (…)”

Foi assim. O Alberto Caeiro, seguro e manso, contradisse o Fernando Pessoa. Perdido na sua multiplicidade, oblíquo, porque não eram a mesma pessoa, o nascido Pessoa mistificava também o discurso. O Fernando dizia que nada era transparente. “Não procures, nem creias: tudo é oculto”. O Alberto chegava quebrando tudo e afirmava a objetividade. Não tem nada de oculto nisso. É só viver e pronto.

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8 Respostas to “Sem especulações”

  1. Sandra Leite Says:

    Cris,

    Tu tens (quase gaúcha) uma sensibilidade incrivel.Adorei o encontro do FP com AC que sendo múltiplos se desfazem e reencontram num novo olhar.
    Olhares….
    E viva a poesia!

  2. Says:

    Lindo!
    :D
    bjo bjo!

  3. gabriel Says:

    continuo achando sempre um prazer passar por aqui…encontro vida inteligente…tranquila…e simples…é sempre um prazer passar por aqui…
    saudações sinceras…

  4. Samara Says:

    Sinto uma leveza toda vez que passo por aqui, é como se acalmasse os olhos, o pensamento.
    Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, indescritíveis.
    Beijo Cris :)

  5. Cris Says:

    Sandra, tu é cosmopolita! MG – SP – de SP pra RS falta pouco!

    Rê! Não falei?

    Gabriel,
    Um abraço grande. Tu é sempre presença querida por aqui : )

    Samara,
    Beijão!
    = )

  6. Claudio Partes Says:

    Gosto disso. No fundo caminho a busca
    de estender essa compreensão, mas quem não busca.
    As coisa como elas são, sem interpretação,
    despojadas das distorções do olhos,
    do crivo da razão…

    Abraços,

  7. rafael Says:

    No dia-a-dia sou Pessoa. Mas por quem realmente sou apaixonado é por Caeiro. Muitos buscam a “salvação” no mistério, mas ele me mostra que devemos querer a realidade:

    “O que é o presente?
    É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
    É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
    Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.”

    bjus…

  8. Cris Says:

    Claudio, acho que são duas margens. A gente adora uma, obscura, mas a que satisfaz é a outra, crua e sem interpretações.

    Abraços!

    Rafa
    Também gosto do Pessoa, mas a cada dia me torno mais Caeiro, e exijo que as pessoas sejam Caeiro comigo. Uma insistência pela clareza, talvez, certamente. Eu só quero a realidade.

    Beijos
    = )


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