Archive for dezembro, 2007

Que venha sorridente

28/12/2007

Passei aqui pra desejar um ótimo 2008 a todos que acessarem essa página. Eu ficarei ausente por alguns dias. Estou pegando o caminho para a praia hoje ainda. Férias, rede, sossego! Agora só volto aqui depois que o cheiro de filtro solar sumir do corpo e a areia já não estiver mais no meio das minhas roupas! Feliz Ano-Novo antecipado e cuidem nas comemorações e na estrada!! Até a volta!

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O Saldo

21/12/2007

Enfim. O que 2007 fez de mim, e o que eu fiz por 2007, em uma desorganizada ordem. Um post sincero.

Comecei o ano com uma mensagem de celular de um amigo querido: “2007 será sensacional”.
Fiz um estágio na rádio da UFRGS
Tomei café da manhã na Redenção e memorizei o fim de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”
Conheci Buenos Aires e desejei morar lá. Decidi nunca mais parar de viajar, mas não sei se estou cumprindo isso.
Este blog nasceu. Vim de mala e cuia do blogspot para o wordpress, dando adeus ao pretinho básico.
“Sabia que nos últimos três mil e quinhentos anos houve apenas duzentos e trinta anos de paz em todo o mundo civilizado?”
Perdi pela primeira vez uma pessoa muito próxima de mim. Já havia perdido outra antes, mas ainda não tinha idade para saber o que era morte.
Me surpreendi com um abraço vindo de quem eu não esperava.
Comemorei meu aniversário com grandes amigos, e em vários dias diferentes.
Comecei projetos que não terminei.
Deixei de trabalhar durante a madrugada e recuperei minha lucidez.

“Na contagem dos martírios
Deus me livre dos delírios
Onde um é mais que dois
Entre todos os mortais
Quem é lúcido demais
Deixa o limbo para trás
e o Éden pra depois”

uhm?
Meu salário caiu, mas minha saúde agradeceu.
Vi vários amigos vestirem a toga. Em fevereiro de 2008 verei mais alguns.
Jorge virá! Recados mal escritos vão para o mural!
Disse mais vezes o que pensava. E na maioria das vezes valeu a pena.
Fiz as pazes. Desfiz amores.
Caramba! consegui passar mais um ano sem ser assaltada…
Minha priminha aprendeu a dizer Titi, meu apelido entre a família e amigos de infância.
Eu e minha irmã recebemos uma advertência da imobiliária por causa do barulho que os saltos dos nossos sapatos fazem no teto do apartamento debaixo.
Escrevi mais no blog, e fora dele também. Na verdade me tornei um pouco “criatura virtual”. E estou aprendendo a desvirar isso.
Aprendi a comer nata com vários alimentos e a fazer várias combinações legais entre doce e salgado. É muito bom!

 

[Ela trouxe então do quarto um grande rolo de papelões (?) em que havia pintado. Desenroscou uns de outros e espalhou-os pelo chão da sala, cobrindo quase todo o parquet. Me disse “escolhe um”. Foi algo feito por ela. Um trabalho em que ela colocou o que há de melhor nela. Um tanto tempestuoso, um tanto vivo. Foi difícil escolher; fiquei entre dois. Depois que for emoldurado, o presente vai para a sala do meu apartamento. Ela pintou com tons de vermelho. Combina com o puff.]

 

Mudei o corte de cabelo.
Vesti menos roupas pretas.
“Cause what is simple in the moonlight by the morning never is”
Música, muita música no pão. Conheci El Perro del Mar, Julie Doiron, CocoRosie e Sufjan Stevens… Nossa! Foi o ano das descobertas musicais.
Guided by Voices entrou para meu hall de boas bandas, e aprendi que filmes ruins, muito ruins e mal produzidos, também podem ser bons e engraçados.
Me apaixonei por um garoto que não vejo mais.
Assisti ao filme Amantes Constantes e adorei a sensação com que saí do cinema. Também gostei de Paris, Te amo, e virei fã do Bertolucci e do Cronenberg.
Tirei só notas “A” na faculdade (Mentira. Só no segundo semestre de 2007).
Falei mais vezes com meus pais.
Acho que entendi que algumas pessoas precisam de mais tempo. Outras, menos.
Fui mais vezes ao cinema sozinha. Gostei.
Paciência é sempre bem-vinda.
Peguei duas gripes fenomenais. Me curei mais rápido na segunda.
Um CD deixado na minha mesa de trabalho mudou meu dia.
Meu pai ligou em várias madrugadas para dizer “oi. Saudades”.
Coincidências em seqüência me assustaram mais do que em outros anos.
Pensei, ao encontrar um erro de digitação na página de um livro, que isso é como ouvir o ronco de fome na barriga do dentista que está te atendendo. Tira um pouco do profissionalismo. Também me lembrei das aulas de rádio. “Não é legal ouvir a respiração do locutor”.
Recebi a visita de uma amiga de outra cidade. Ela deixou várias fotos salvas no meu desktop e um post-it com um recado querido no monitor.
Quis algum silêncio.
Tomei tanto café quanto no ano passado, apesar de ter me prometido que isso não se repetiria neste ano.
Queria ter visto a pré-estréia do filme mais recente do Lynch, mas perdi por uma boa causa. Mais uma amiga de longa data estava se formando.

Ainda tenho uns dias aí antes de 2008, mas deu vontade de postar isso hoje. Isso significa que algum adendo ainda pode ser feito. Nada grave.

Senti falta de não ter fresco na memória tudo o que li e os filmes a que assisti em 2007. Não que tenha sido um ano tão ativo nesse sentido; gostaria de ter lido mais. Então a partir de 2008 começarei a fazer listas dessas coisas. Acabo de me lembrar de outros filmes que vi e que foram importantes pra mim, mas o post já está no fim. Acabo de me lembrar também que eu tinha um post programado para antes desse. Já era. Deveria ter me lembrado deles antes. E mais alguma coisa já me brota na memória.

Queima!

18/12/2007

www.nafogueira.com.br

Muito booooaa!

 

Look at the bright side

17/12/2007

Pelo menos até o Natal já estarei boa. E provavelmente também não passarei o Ano-Novo com gripe. E pelo menos ela não apareceu antes da formatura da Fabíola. Ok. Sem filosofias baratas, eu só odeio ficar doente.

Alguém gosta?

* * *

Descobri que além de chorar em alguns filmes, agora eu também choro em formaturas. Casamentos, não sei. Nunca vi nenhuma cerimônia. Ah, sim. Tudo indica que sim, porque no noivado da Clara eu chorei, mas foi lindo, oras. Quando a pessoa é muito próxima de ti, tu percebe que o que ela sente na hora é tão grande e emocionante, a ponto de não caber em um corpo só. Então transborda e tu sente também.

Humor é fundamental

15/12/2007

ique diz:
q tri cris, eu dia vou querer ter uma assim. o kako comprou uma e fica esfregando na minha cara, q raiva! e ele nem sabe fotografar

cris diz:
mas quem gosta de fotografar faz milagres com qualquer câmera

ique diz:
a dele faz até café…

Filme vai, filme vem

10/12/2007

Eu fui ver Piaf sem muita expectativa. Duas pessoas de gostos cinematográficos bem confiáveis já haviam me indicado o filme, mas mesmo assim, torcia o nariz. Além disso, não conheço quase nada sobre a obra da Edith Piaf, dona da vida contada no filme. Enfim. Eu e minha amiga até cogitamos sair da sala pra bater papo e deixar o filme pra outra hora. Mas já que estávamos lá…

Só posso dizer uma coisa: vejam. Nem sei se ainda está em cartaz. Acho que fica mais um tempo aqui em Porto Alegre. O filme é dirigido por Olivier Dahan e quem faz o papel de Edith Piaf é Marion Cotillard. Cinco estrelas pra ela.

Claro, não pensem em nada doce. É uma pancada atrás da outra. Faltando trinta minutos pra terminar o filme – mais ou menos isso – olhei para o lado e minha amiga se lavava chorando. Juro! NUNCA tinha visto alguém chorar tanto no cinema! Mesmo. Eu só não dei risada porque também acabei secando o rosto no final.

* * *

A contra-indicação

Não esperem grande coisa de O Búfalo da Noite, de Jorge Hernandez Aldana. Eu esperava e me decepcionei. O que surpreende é que o roteiro do filme é dividido entre o diretor e Guillermo Arriaga, o mesmo que assinou os roteiros de Babel, 21 Gramas e Amores Brutos. Justamente por isso eu esperava outro filme relevante na seqüência desses. Pior é que o início até indica uma boa obra. O problema é que em um certo momento a história perde o rumo e nada faz as coisas voltarem a ter sentido, o que deixa as cenas forçadas. Achei alguns diálogos bem fracos. Além disso, o filme faz um apelo exagerado ao sexo. Não precisava.

Then the bird said, “Nevermore.”

02/12/2007

Quinta-feira aluguei Na Hora da Zona Morta, do Cronenberg, pra ver. Terminei a matéria que estava fazendo sobre o diretor e emendei um artigo, mas agora sobre Crash – Estranhos Prazeres. Ambos pra faculdade. E o mais legal de tudo é que talvez por aí acabe ficando o tema da minha monografia também. Já tou procurando bibliografia e tal. Tou me sentindo meio abobada, achando fácil demais. Legal demais. Cegueira temporária, óbvio. Quando a parte pesada chegar, talvez eu mude de idéia.

Na Hora da Zona Morta é baseado em um livro do Stephen King: The Dead Zone. Aliás, pra que aquele “Na Hora” no nome do filme? “A Zona Morta”, tradução literal, já bastava. E esse caso é simples. O problema é quando modificam totalmente o sentido dos títulos. Enfim. Chegando ao ponto, o que quero dizer é outra coisa. Na Hora da Zona Morta começa com o Christopher Walken, que interpreta John Smith, um professor de literatura, lendo para os alunos a última estrofe de um dos meus poemas prediletos:

“And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon that is dreaming,
And the lamp-light o’er him streaming throws his shadow on the floor,
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted – nevermore!”

É de O Corvo, do Edgar Allan Poe. O poema tem traduções do Fernando Pessoa e do Machado de Assis. Prefiro a do Pessoa:

“E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh’alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á… nunca mais!”