Archive for abril, 2008

Dante

28/04/2008

Chegou e acenou de longe ao diabo. O lazarento nem era tão feio quanto descreviam. Vermelho, muito menos. O tridente já descascava na decadência. Virado em ossos, descarnado, o bicho acenou de volta e seguiu em frente.

Para mim, era só mais um dia de trabalho aos renegados.

Se ao menos uma alma desvairada dali merecesse perdão, mas não. Ali ninguém merece perdão. Eu dava-lhes uma oportunidade única de voltar à terra da misericórdia. E a cada chance oferecida recebia uma recusa pronta. A libertinagem e a alegria descomprometida do inferno sempre foram mais atrativas àqueles que as provaram.

O diabo aproximou-se do cristão, sentou-se ao seu lado e com voz rouca puxou papo:

É melhor reinar no inferno do que servir no paraíso, meu bom homem. Pensou na minha proposta?

Tinha ali atendimento psicológico?

Não. Mas e no inferno por acaso agora se oferece atendimento psicológico? Estás louco? Ser petulante. Minha terra é de ninguém, e por isso mesmo é minha. Nela se faz o que quer sem contar nem medir. Solidão aqui não existe. Não se vive sozinho no inferno. Isso é coisa daqueles que muito pensam e pouco fazem. Odeio existencialistas. Acham que sabem tudo. Apronta tuas palavras e dá-me tua alma de bom grado. Meu tempo é curto.

Sem sarcasmos, que não estou aqui a passeio, Lucifer.

Insistente na tarefa, o sujeito levanta-se, sem dar ouvidos à criatura que lhe cobra resposta e segue virtuoso. De tempos em tempos, ainda pisa em terras carrancudas para tentar resgatar as almas que ali se perdem pelo caminho.

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Ai, ai… atualizando o perfil

17/04/2008

Cris Simon, 24 anos, Porto Alegre, Brasil e Cin… ———–> e blá, blá, blá, 25 anos, e blá, blá, blá

Na velocidade da luz

16/04/2008

Outro dia fiquei pensando em que momento, em segundos, ou mesmo parte disso, a gente perde ou ganha uma pessoa, mesmo sem se dar conta disso. Não cheguei a conclusão nenhuma, mas talvez exista mesmo uma parte exata do tempo para isso acontecer. Não estou dizendo tempo na vida toda. Minha medida é em segundos mesmo. Já ganhei uma pessoa por horas em apenas um segundo e nem sei como. E já perdi também. Ou deixei de tê-la mais perto. É como se tu tentasse pegar um peixe pequeno, um Lambari, com a mão. Tu tenta, tenta, e em um certo momento, tu agarra ele, fecha a mão e não solta mais. A diferença é que o peixe tu “captura” de propósito, vendo isso acontecer. Só consigo pensar que existe um momento em que tu cativas uma pessoa e se deixa cativar. Um instante exato, porque mesmo as coisas gradativas são divididas nos ponteiros.

Resposta

04/04/2008

A Vica deixou um comentário ali embaixo me perguntando quem era a Julie, e eu percebi que acabei não deixando nada claro sobre a cantora no post, além de dizer que ela é fantástica. Pois bem. Achei digno transformar o que seria uma resposta no espaço para comentários em um post, porque vale a pena.

A Julie Doiron é uma cantora canadense dada a melodias folk e bem pessoais. Ela começou lá por 1990, tocando baixo com a Eric’s Trip, banda que já não existe mais e que tinha fortes influências de Sonic YouthYo La Tengo (o próprio nome Eric’s Trip vem de uma música do Sonic Youth, do álbum Daydream Nation). Época de LP, side A, side B e tal. A banda foi se desmanchando aos poucos e acabou em 1996. A Julie seguiu carreira solo. Inclusive, saiu da banda com esse intuito. Em 96 ela lançou o primeiro álbum, identificando-se como Broken Girl. Era uma fase mais frágil dela, intimista. Em 97 veio o segundo álbum, Loneliest in the morning, junto com uma carreira um pouco mais consolidada. Ela deve ter uns sete ou oito álbuns, um melhor que o outro.

Na página oficial tu encontra toda a discografia e pode acompanhar. Dá pra baixar algumas coisas, mas não é free. Tem um disco cantado inteiramente em francês, chamado Desormais, de 2001.  Se quiser, tem o perfil dela no Myspace também, com algumas músicas, mas na minha opinião as melhores não estão ali. Se bem que Yer Kids é bem bonitinha… Bom, agora é ouvir.

Ah, e as capas dos álbuns são de um bom gosto indiscutível.

P.S. Aproveito pra deixar claro aqui que o meu aniversário está chegando, e que se alguém bem querido quiser me dar de presente algum álbum da Julie, serei uma aniversariante sorridente.
: )

Where there’s music

03/04/2008

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Muito, MUITO genial essa página.

Julie

02/04/2008

Myspace da Julie

Ainda não enjoei da Julie. Outro dia achei uns vídeos dela tocando com um grupo chamado The Superfantastics. Primeiro achei que ela fizesse parte, depois me liguei que ela deve ter acompanhado eles em alguma turnê, não sei bem. Na verdade achei melhor ela cantando sozinha. O grupo faz um som que não difere de muita coisa que tem por aí.

Procurei o vídeo de uma das melhores músicas, na minha opinião, Will You Still Love Me In December, mas não encontrei.

Tou emo, mas bem de longe.

01/04/2008
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Do tempo em que fazer manha resolvia tudo.
Eu sou a emburrada menos convicta.

Ai, que saudades dos meus irmãos! E dos meus pais. Passei os últimos dois finais de semana acordando com uma impressão de casa vazia, querendo eles por perto. Na Páscoa senti um aperto no peito, uma vontade de estar com eles. Passei mais de uma hora com meu irmão no messenger! Essas datas são bem fortes pra mim. E serão para os meus filhos, espero eu, porque gosto dessas tradições. Quando eu tiver meu filho (eu quero um menino, e só depois uma menina. bem assim, como se eu pudesse escolher), ele vai pintar casquinhas de ovos, deixar meias na janela e coisa e tal.

Domingo acordei cedo e fui para a cozinha. Adoro a cozinha aqui de casa. Pequena, toda branca e com a geladeira cheia de fotos e ímãs. Tem até bilhete de biscoito chinês. Ela não tem tudo que uma GRANDE cozinha tem, mas tem o essencial. Tudo bem, eu também não sou uma GRANDE cozinheira, mas sei o essencial. Abri a casa e fiz chimarrão com chá de hortelã ao som de Explosions in the Sky. Ah, a trilha de Lost in Translation também é bem boa. Engraçado, mas ter feito chimarrão de manhã fez um domingo parecer novamente um domingo, coisa que não acontecia há séculos.

Eu moro há oito anos fora de casa. Na verdade nem sei porque ainda uso a palavra casa. E uso a palavra duas vezes, uma para falar do meu apartamento, aqui em Porto, e outra para falar da casa dos meus pais. Na verdade casa = home, sweet home. Esse é o sentido. Me sinto estranha na casa dos meus pais (a outra casa), porque não reconheço mais ela. Cada vez que vou passar uns dias com eles começo a abrir e fechar as gavetas e os armários enlouquecidamente, para tentar reconhecer tudo. E fico descobrindo os cantos dos quais já nem me lembrava mais. A familiaridade com os quartos e corredores já se foi há tempos. Os tapetes e cortinas então, nem devo citar. O cheiro também já me soa estranho. Não sinto o cheiro da minha casa, mas sinto o cheiro de tecido lavado com amaciante (Comfort, diria minha mãe) da casa dos meus pais. E eles por perto, na casa deles, recebendo visita.

P.S.: Acabei de cadastrar a categoria FAMÍLIA ali do lado. Não sei porque ainda não havia feito isso antes.

* * *

Eu não me lembro de nenhuma outra época em que eu estivesse mais envolvida com meu trabalho do que as últimas semanas. Também não me lembro de ter perdido o sono, como nos últimos dias, por causa de idéias que não paravam de chegar, todas aplicáveis ao trabalho (ainda: perdendo o sono por estar empolgada com isso). O que mais me surpreende é que eu estou gostando, mesmo estando cada vez mais distante do jornalismo e das redações. A idéia de planejar algo, pensar nos detalhes, combinar, produzir, publicar e ver o resultado está tomando conta do que antes era paixão por escrita, textos, reportagens… Não sei, não sei. Nos meus planos não está fugir do jornalismo, mas acho que o cardápio é bem maior do que eu imaginava.