Tou emo, mas bem de longe.

01/04/2008
cris5corte.jpg 
Do tempo em que fazer manha resolvia tudo.
Eu sou a emburrada menos convicta.

Ai, que saudades dos meus irmãos! E dos meus pais. Passei os últimos dois finais de semana acordando com uma impressão de casa vazia, querendo eles por perto. Na Páscoa senti um aperto no peito, uma vontade de estar com eles. Passei mais de uma hora com meu irmão no messenger! Essas datas são bem fortes pra mim. E serão para os meus filhos, espero eu, porque gosto dessas tradições. Quando eu tiver meu filho (eu quero um menino, e só depois uma menina. bem assim, como se eu pudesse escolher), ele vai pintar casquinhas de ovos, deixar meias na janela e coisa e tal.

Domingo acordei cedo e fui para a cozinha. Adoro a cozinha aqui de casa. Pequena, toda branca e com a geladeira cheia de fotos e ímãs. Tem até bilhete de biscoito chinês. Ela não tem tudo que uma GRANDE cozinha tem, mas tem o essencial. Tudo bem, eu também não sou uma GRANDE cozinheira, mas sei o essencial. Abri a casa e fiz chimarrão com chá de hortelã ao som de Explosions in the Sky. Ah, a trilha de Lost in Translation também é bem boa. Engraçado, mas ter feito chimarrão de manhã fez um domingo parecer novamente um domingo, coisa que não acontecia há séculos.

Eu moro há oito anos fora de casa. Na verdade nem sei porque ainda uso a palavra casa. E uso a palavra duas vezes, uma para falar do meu apartamento, aqui em Porto, e outra para falar da casa dos meus pais. Na verdade casa = home, sweet home. Esse é o sentido. Me sinto estranha na casa dos meus pais (a outra casa), porque não reconheço mais ela. Cada vez que vou passar uns dias com eles começo a abrir e fechar as gavetas e os armários enlouquecidamente, para tentar reconhecer tudo. E fico descobrindo os cantos dos quais já nem me lembrava mais. A familiaridade com os quartos e corredores já se foi há tempos. Os tapetes e cortinas então, nem devo citar. O cheiro também já me soa estranho. Não sinto o cheiro da minha casa, mas sinto o cheiro de tecido lavado com amaciante (Comfort, diria minha mãe) da casa dos meus pais. E eles por perto, na casa deles, recebendo visita.

P.S.: Acabei de cadastrar a categoria FAMÍLIA ali do lado. Não sei porque ainda não havia feito isso antes.

* * *

Eu não me lembro de nenhuma outra época em que eu estivesse mais envolvida com meu trabalho do que as últimas semanas. Também não me lembro de ter perdido o sono, como nos últimos dias, por causa de idéias que não paravam de chegar, todas aplicáveis ao trabalho (ainda: perdendo o sono por estar empolgada com isso). O que mais me surpreende é que eu estou gostando, mesmo estando cada vez mais distante do jornalismo e das redações. A idéia de planejar algo, pensar nos detalhes, combinar, produzir, publicar e ver o resultado está tomando conta do que antes era paixão por escrita, textos, reportagens… Não sei, não sei. Nos meus planos não está fugir do jornalismo, mas acho que o cardápio é bem maior do que eu imaginava.

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14 Respostas to “Tou emo, mas bem de longe.”

  1. L@uR!nh@ Says:

    “Na verdade nem sei porque ainda uso a palavra casa. E uso a palavra duas vezes…” ; “…começo a abrir e fechar as gavetas e os armários enlouquecidamente, para tentar reconhecer tudo. E fico descobrindo os cantos dos quais já nem me lembrava mais”.

    Comigo é a mesma coisa, e foi bom saber que não estou sozinha! :)
    Não sinto tanta falta de casa pq divido apto com parentes muito próximos (o que às vezes me faz querer explodir coisas! hehe) e tbm adoro estar sozinha. Mas os retratos do voltar pra casa (que no meu dialeto se tornou “casa da mãe”) são semelhantes e desconfortáveis…


  2. acho que isso é confuso mesmo. Embora “em casa” (casa dos meus pais) não seja mais minha casa, depois de cinco anos morando fora, é o único lugar onde tenho um apego de fato.
    De qualquer forma, eu sempre adoro voltar “pra casa”, mesmo sabendo que sou mesmo uma visita heheh
    Beijão Cris

  3. gabriel Says:

    Muito legal essa sua escrita…a pascoa também fiquei com um aperto no coração…saudade de casa…saudade grande de minha casa…saudade dos abraços sinceros e as vezes a vida nos prega peças mesmo…como com a saudade e como com esse seu distanciamento do que vc escolheu como profissão…eu me separei da minha tambem…mas agora eu volto..do jeito que eu sempre sonhei…me aproximo cada vez mais da profissao que sempre sonhei mesmo que ela nao tenha muit a ver com o que me formei…
    Cara gosto muito de passar por aqui…principalmente quando encontro o escrito que encontrei hoje…muito legal a leveza e a sinceridade…eh o que posso dizer e pelo visto sempre acabo elogiando este seu espaço…
    saudaçoes sinceras..

  4. Sara Says:

    Adorei!!! A foto então?! hehehe
    Tu anda muito “sumida”, “em casa” né?! Saudades
    Beijão

  5. Paola Says:

    Olha se precisar de um ombrinho tou aqui viu!
    Beijos

  6. Cris Says:

    Laurinha e Pati, me lembrei agora de que na agenda do meu celular, o telefone aqui de casa (o apto) está como “home”. Daí sempre que toca, por um segundo, eu penso que é da casa dos meus pais. Já deveria ter trocado, mas sempre me esqueço = P

    Gabriel, me conta, no que tu te formaste e no que tu trabalha agora?
    Que bom que vem sempre aqui, e que gosta do lugar : )
    Bjs

    Sara, estou TODOS os dias em casa. “Sumida” ou não, estou em casa. Quem foge sempre é tu. Beijoooooo!
    ; P

    Paola, valeu. Tá tudo bem por aqui : )
    Beijão!

  7. ma Says:

    aiaiaiai…… mas as caixas com tuas coisas no quarto que era teu ainda estão lá….e o lençol xadrez rosinha em homenagem ao País do morangal continua como era qdo vc saiu…Não gosto da palavra visita ,ela delimita tempo e sentimentos, a presença dos filhos jamais pode ser uma visita pq traz alegria e de quebra leva o coração da gente qdo parte …Visita nenhuma faz isto!
    Beijão

  8. ricardo romanoff Says:

    me convida pro próximo chimas de domingo de manhã, sou parceiro =]

  9. Cris Says:

    Ric, pode deixar!
    Coisa mais boa tomar chimarrão bem cedinho : )
    Bjos

    Mãe, eu sei que tá tudo bem guardadinho. Cada vez que vou trago algo comigo pro Sul!
    Mas sei lá. A casa só não é totalmente estranha por causa de vocês. Me sinto à vontade lá, mas não conheço mais muita coisa…
    Na metade do ano tou aí : )
    Beijo!

  10. ma Says:

    Na realidade já se foram quase dez anos e poucas coisa ficaram desta época, fora a casa ,a rua, alguns amigos e as lembranças.
    Sempre que voltamos a nossa primeira casa procuramos sinais de passagem por ela,a nossa passagem… e aí são as sensações e recordações que predominam(as caixinhas,os ursinhos,o cheiro,as cortinas e tudo que vc falou por ficar abrindo gavetas e portas).
    Penso e disto tenho certeza,que o nosso cérebro congela estas informações e o tempo pára neste exato instante que saímos..ficamos acompanhando de longe mas as sensações e vivências param aí porque nossa vida segue em outro lugar e plano.Quebrou-se uma cadeia e inicia-se outra bem longe deste home que vc fala..
    Ao voltar o cérebro reconhece e cobra estas coisas guardadas mas como o tempo tb não parou nesta casa estranhamos o lugar, os corredores, o antigo quarto, pq para quem ficou as coisas tb não pararam e diga-se graças a Deus que não…aí a estranheza e um pouco de egoísmo até…queríamos o nosso ninho de volta,a nossa segurança, o nosso colo.Ele até continua lá e vc sabe ,mas não é o mesmo!(Pq vc também não é a menina de 16 anos que está saindo dalí).
    Aí ainda outra situação:os ovinhos e as meias já tb ficaram lá atrás …O sapo de estimação…o país do morangal…o Dilim…a sessão besteirol e tantas coisas que fizeram a nossa infancia,ficaram dentro da gente e vão fazer a diferença para nossa futura família mas tb foram…e acho que esta é toda nossa dificuldade de aceitar e pela qual ficamos tristes .
    Esta sensação tb eu sinto cada vez que volto para minha primeira casa …não é mais a mesma…mas tenho uma certeza e que ela valha pra vc tb:
    longe de ser visita ,a tua família é e sempre será esta ,querendo ou não, e ela é que vai sempre te querer por perto,sem restrições ,porque é cega para mudanças .Alí vai ser sempre a mesma coisa(A Titi que saiu ou a Cris que existe hoje) pq o sentimento não muda nunca…Fica a casa, a ruas e a saudade boas que merece ser relembrada de vez em quando …mas para rir e sorrir…E mais uma vez a vida continua lá e cá !
    Tempo bom e saudadinha filha.Pensa …

  11. suzanapohia Says:

    Ai cris mto lindo esse texto… e é bem isso mesmo de divisão. tem horas que acabo não me sentindo nehum pouco em casa aqui em porto alegre, pq grande parte das pessoas que amo seguem lá no interior. qdo o dia foi bem dificil é horríbel chegar em casa e não ter aquele colo de mãe, no entanto cada vez que vou pra casa (são gabriel). sinto falta do meu espaço aqui de porto alegre, mas no celular não adianta o número daqui tá gravado como ap e não como casa… eheh

  12. Vica Says:

    Que fofa!!! Alemoazinha!

  13. Cris Says:

    Mãe, ainda não sei de onde tu tira tanta paciência pra vir aqui, ler, reler, responder… Coisa mais boa, tu ser assim! Pode ser, essa tua teoria. Pode ser. Por isso te falei que apesar de ser uma visita, me sinto bem “em casa”. Tanto que não consegui ainda usar a expressão “casa dos meus pais”. Ainda uso casa, e sempre terei duas. Se eu falar casa dos meus pais, me sinto distante de vocês. Alheia a tudo. Tem dias que eu ligo e o que mais quero é ouvir como foi o dia de vocês. Não um “tá tudo bem”. Eu sei que tá tudo bem, mas há dias em que eu quero ouvir o que tu fez em cada minuto do dia. Faz falta saber essas coisas. Enfim. Mandei-te um e-mail. Viste? Muitas saudades!!
    Beijão!

    Suzana, na verdade acho que o que faz a casa da gente é muito mais do que um lugar, né? É um espaço no tempo cheio de lembranças. Não sei descrever isso, mas imagino que pra tu te sentir bem em um lugar tu precisa ser acolhida, seja por uma casa, paredes, tijolos, seja por um lar, família, amigos : )

    Vica, MUITO alemoa!! Caramba, eu quase não tinha cabelo! Pareço uma macaquinha albina na foto! E a maior é minha imã, rabugentinha. Hehehe. Bjs

  14. gabriel Says:

    geografo…é o que sempre fui….planejador urbano especialidade que sempre persegui…pesquisador….escritor…leitor cientifico e nao cientifico…professor o que sempre acreditei que seria…e os caminhos demoraram para se cruzar entre todas essas escolhas e no fim…embora o fim esteja sempre distante…consegui fazer com que as coisas funcionassem e trabalhassem a meu favor. Bom é isso agora cabe melhorar meu inglês pra ver se minhas teses conseguem chegar a outros cantos do mundo. Sempre passo por aqui…quando quero descansar a mente…aqui é um dos bons lugares para isso…
    saudações pra ti guria…saudações sinceras…


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