Archive for julho, 2008

Ele vem mesmo!!

30/07/2008

Notícia publicada hoje no site do Fronteiras do Pensamento:

Fronteiras especial com David Lynch

O renomado cineasta norte-americano DAVID LYNCH (início de uma nota minha, realmente necessária: faz de conta que o nome dele tá piscando ali no meio do texto, porque deveria estar. fim da nota realmente necessária) será protagonista de uma edição especial do Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem, dia 10 de agosto, domingo, às 19h30, no Salão de Atos da UFRGS. O lendário músico britânico Donovan Leitch fará uma performance musical durante a conferência do cineasta.

Fui chorar no cantinho. Não volto nunca mais.

E no dia 18 ainda tem o Wim Wenders. Lembro-me de ele ter dito no documentário Janela da Alma que gosta de usar óculos, prefere, porque a armação permite que a vida tenha um determinado enquadramento. Sem óculos tudo fica muito livre, muito solto.

O diabo sabe o que era

29/07/2008

“Sabe-se que a Lua é feita em geral em Hamburgo, e de um jeito abominável. Surpreende-me que a Inglaterra não preste atenção. Quem a fabrica é um toneleiro coxo e é claro que esse imbecil não faz a menor idéia do que seja a Lua. Ele põe um cabo besuntado de breu e uma medida de óleo de oliva; com isso espalha-se pela terra um tal fedor que é preciso tapar-se o nariz. Disso decorre ser a própria Lua uma esfera tão delicada e por isso os homens nela não podem viver. Por enquanto, ela só é habitada por narizes. E eis por que não podemos ver nossos narizes: todos eles estão na Lua.”

(Trecho de O Diário de um Louco, de Nikolai Gogol)

Só As Mães São Felizes

27/07/2008

Há duas semanas fui visitar a minha avó, em Cruz Alta. Acho que não falei nada por aqui na época, mas ela teve um AVC (derrame). Não foi agora. Isso já faz algum tempo. O fato é que ela passou dias bem pesados. Ela e a família toda, porque minha avó é a avó do coração, a matriarca da família, aquela que quer todos em volta, que manda meinhas de lã, mantas e potes de mel para aquecer o nosso inverno, que quer mimar os filhos, os netos, o(a)s namorados(as) dos netos (ela chama de brotinhos, os namorados, hahaha, ai, ai, só minha avó), os amigos, os passarinhos.

A recuperação foi demorada, cercada de cuidados e da família, principalmente porque minha avó sempre foi uma pessoa muito ativa. Da casa, e é uma casa enorme, antigona, com um jardim recheado de plantas, ela cuidava praticamente sozinha, além de viajar, fazer caminhadas… Tudo isso foi interrompido por causa do tratamento. Outra briga foi fazer ela entender que o cabelo cresceria novamente (por causa da cirurgia, uma parte do cabelo foi raspada), e que ela não precisava esconder a beleza dela. Acho minha avó muito bonita. Então, para disfarçar, ela comprou vários lencinhos e usava um em cada dia. A dona Hilda é delicada e hoje, depois de recuperada, tem um sorriso que não cabe no rosto. Ela toca os objetos com as pontas dos dedos. Com os mesmos dedos gordinhos, vindos da Alemanha, ela dobra a parte da toalha de mesa que cai na lateral e encosta na barriga dela para cima da mesa, deixando a toalha do lado inverso, enquanto toma uma xícara de café-com-leite depois do almoço (por sinal, reparei que nessa última vez em que estive lá ela não fez esse ritual). O engraçado é que minha mãe faz exatamente a mesma coisa. Borda da toalhinha para cima, inverte, “filha, me faz um café-com-leite?”. E eu já me peguei fazendo a mesma coisa com a toalha.

Não tenho dúvidas de que eu herdei muitas, mas muitas características MESMO, da minha mãe, e é isso que faz eu e ela sentirmos a presença uma da outra num dia chuvoso. Não sei contar quantas vezes sentei na varanda de casa, quando eu era criança, para assistir à chuva com a minha mãe, assim como também não sei desviar de uma lojinha de produtos orgânicos, coloniais, e essas frescuras gostosuras. Culpa dela. O gosto pela poesia deve ter vindo do Poema Enjoadinho, do Vinicius de Moraes, o poetinha. Foi esse poema que ela escreveu na primeira página do caderno de receitas dela, e eu sempre lia ele quando pegava aquele caderno:

Filhos… Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio

E eu ADORAVA esta parte. Achava tri engraçada:

Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

As mãos, herdei dela também. Dedos finos, de pianista. Ou de ladra, como dizia meu avô. E no fim, contei toda a história acima só pra mostrar o que minha mãe me mandou hoje, por msn. Mostrei pra ela o template novo do blog, sem a foto minha que ilustrava o topo do antigo. Prontamente ela me respondeu:

marlene diz (23:37):
sim. ficou bom, mas as mãos são muito significativas
marlene diz (23:37):
eu reconheceria elas entre um milhão de mãos

Minha mãe não existe. Se pudéssemos escolher nossas mães, eu escolheria ela entre um milhão de mães.

Eu Quero Acreditar

24/07/2008

Uma Scully abatida e com olheiras e um Mulder barbudo e descuidado. Estava na hora de alguém envelhecer nos filmes, não? Fui assistir à pré-estréia de Arquivo X – Eu Quero Acreditar, segundo filme baseado no seriado que por nove anos fez sucesso na TV. Morri de saudades! Aquela trilha do início e do fim de cada episódio é FATAL. E é evidente, os anos 90, assim como os 80, já fazem parte do mercado nostálgico.

Quando vi o trailer pensei em algum tema mais universal, que envolvesse a humanidade, mitologia e abduções alienígenas, e não personagens específicos, de um lugar bem pontuado, em um núcleo menor. As amplas imagens de campos cobertos por neve me levaram por esse caminho. Pensei também em algo com envolvimento governamental maior… (Ah, sim, em relação a isso, o máximo que aparece é um retrato do Bush na parede e um movimento irônico nas sobrancelhas do Mulder). O fato é que não divulgaram quase nenhuma informação sobre o roteiro. Teasers, coisas assim, até saíram, mas o mistério mesmo só é morto e enterrado – e olhe lá – nas salas de cinema.

Na verdade o filme se parece muito com mais um episódio do seriado, com direito a deixa para continuação e tudo mais. Não tão assustador quanto eu imaginava. Me segurei na poltrona umas duas, hmm, três vezes, acho. Mesmo com a direção de Chris Carter, que também assinava a série, Eu Quero Acreditar não evoluiu para algo novo. Muito mais humano e menos estranho e inexplicável, o filme lembra “Seven – Pecados Capitais”, mas talvez alguém encontre alguma referência ao Hannibal Lecter…

Tudo bem que um padre vidente que chora sangue, cachorros mutantes e cientistas russos totalmente deslocados de seu “habitat natural” (não vou falar mais do que isso porque estraga, se já não estraguei) são estranhezas típicas do seriado, mas eu senti falta da linha “A VERDADE ESTÁ LÁ FORA”, da mitologia, dos símbolos indecifráveis e claro, das referências a OVNIs e alienígenas! O lado bom é que o carisma dos agentes do FBI Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) compensa, além das várias referências ao seriado.

O roteiro, bem redondinho, foi construído de tal forma que mesmo quem não acompanhava a série pode entender a história dos personagens. O Mulder continua ansioso, nebuloso, e inclinado a acreditar no extraordinário, mas agora é foragido do FBI. Ainda acha que um dia pode encontrar a irmã desaparecida. Pelo menos era isso que, implicitamente, movia ele em cada caso nos tempos de seriado e é nessa tecla que o roteiro de Eu Quero Acreditar vai bater novamente. A Scully continua cética, motivada pelo objetivismo científico e ainda sofre confrontos com a própria religiosidade. A questão é que ela agora não quer mais viver “na escuridão”. O climinha entre os dois agentes, que já era aparente na série, agora é explícito. Pelo menos nenhuma abelha atrapalhou o beijo, como aconteceu no primeiro filme. Que isso ia acontecer, também já não era nenhuma novidade, então acho que não falei nada que não devia. E foi bem bonitinho : )

A estréia mundial é amanhã, 25 de julho.

O que eu faço com os seus sonhos?

22/07/2008

unicórnio (dicionário de simbologia, manfred lurker): um dos seres fabulosos mais difundidos do mundo antigo. na china, era símbolo das virtudes soberanas. numa tradição indiana, o peixe que salvou Manu do dilúvio também é descrito como um unicórnio marinho. segundo o Bundahish, obra religiosa dos séculos IX / X, o unicórnio sobrepuja o poder do mal. Orígenes compara o chifre único com o poder universal de Cristo, “que terá o domínio único de todos os reinos como o unicórnio”. associado a pureza e castidade, tornou-se símbolo de Maria. com seu chifre, purifica a água envenenada pela serpente e ingressa na medicina. no brasão britânico, diante do leão inglês, o unicórnio representa a Escócia.

E antes da aparição dos unicórnios, sentadinha no chão e de pernas cruzadas, eu assistia ao mundo que passava em frente ao meu quarto, ou sala, não sei. Era um ambiente tão pessoal. Prefiro a sala. Mas as paredes eram todas de vidro. Ninguém me via, mas dali eu via o mundo inteiro.

Cause I’m raining

20/07/2008

Em homenagem ao belo dia de chuva e ao dia do amigo

“Rain in Cracow”, tirada daqui

“Rain Stroll”, tirada daqui

“Vampire Season”, daqui

E mais fotos em “13 Fabulous Photos of a Rainy Day

Em reformas

19/07/2008

E só pra avisar… Estamos em obras. Andei cortando links, testando templates e outras cositas. Provavelmente o blog está cheio de textos desalinhados, fontes em tamanhos diferentes e outras coisas que não vi ainda. É só desviar. Daqui a pouco tudo volta ao normal.

Coisa de indie

19/07/2008

Eles estão por toda parte, falando com ponto final e tudo, diz o Ariel, com a maior carinha de nojo. Ó, o site que ele me mandou: daytrotter.com

Gostei das ilustrações. Mas tem coisas sobre bandas, artistas e tal. Legalzinho  : )

Falando nisso, domingo tem show do Conor Oberst no Santander. Ihu. Eu vou. Lembro que quem me apresentou Bright Eyes, a banda do Oberst, foi o Bruno, nos tempos em que ainda trabalhávamos de madrugada, no offline (hmm, difícil explicar o que é o offline, mas resumindo, publicávamos as versões online dos jornais do Grupo RBS. Entendeu?). Ele disse que havia comprado uma camiseta dessa banda pra Analu, mas não sabia muito bem se as músicas eram boas, porque não conhecia. Comprou porque a camiseta era bonita… Nos olhamos meio em dúvida, e cada um foi pra um computador procurar no Google. Chegamos à conclusão de que tinha valido a pena comprar a camiseta. Se não me engano ele até comprou um CD deles depois. Ou foi um do Iron and Wine, não me lembro exatamente. Triste ele não estar mais aqui pra ir junto no show. Ia gostar.