O leve crescimento dos caninos ou Filmes para pessoas menos vulneráveis

23/08/2008

Entrei no táxi há pouco e a rádio sintonizada era a Continental, especialmente redentora para quem já tem memórias guardadas em músicas. Lembra da trilha da abertura de Vamp? Diz que sim. Era o que tava tocando. Cheguei a ensaiar um sorrisinho de canto de boca pra voltar pra 1991. Eu adorava a novela. Depois veio Roxette. O Per Gessle era charmoso – padrões da época, não me julguem por isso. A música era a que eu ouvia pra ficar pensando no meu primeiro namoradinho. A palavra é no diminutivo mesmo, porque a inocência reinava. Nem era namoro, acho, mas foi dele que ganhei as primeiras rosas vermelhas. Comprei o CD por causa disso, na época. Não é o momento pra nostalgias amorosas.

Pra refrescar a memória, olha o vídeo da abertura de Vamp:

Permitam-me um pouco de sarcasmo. Hahahaha, que coisa amadora. Horrível. Pra manter o nível deste blog, e porque o vídeo anterior tem uma cena parecida com a coreografia do clipe, eu lembro de Thriller, de um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, homônimo. Na época o Michael Jackson AINDA TINHA MELANINA. Pena que não posso colocar o vídeo aqui, porque a incorporação está desativada, mas o link está ali em cima.

* Passei na locadora e peguei Nosferatu – O Vampiro da Noite, do Herzog. Eu queria mesmo era ver o Drácula mais clássico de todos, de 1931, com o Bela Lugosi (a página oficial dele é MUITO legal. Ele mesmo dá as boas-vindas aos visitantes). Foi, por sinal, o filme que tirou o ator do anonimato, e pelo qual ele ficou conhecido mundialmente. Depois de Drácula, Bela Lugosi fez alguns filmes baseados na obra do Edgar Allan Poe (outro MESTRE) e outros, mas jamais alcançou novamente tanto fervor nas telas como em seu primeiro papel. A biografia do ator é bem interessante, embora triste. O Fantaspoa deste ano exibiu um documentário sobre a vida dele, mas a única sessão era durante a tarde, num dia de semana, horário em que medíocres mortais estão fora de seus caixões, trabalhando. Perdi. Falando em caixões, Bela Lugosi morreu (supostamente) em 1956 e foi sepultado junto com a capa de seu personagem mais famoso. Voilà, Bauhaus! Na minha opinião, a versão de Bela Lugosi’s Dead que o Nouvelle Vague regravou é melhor do que a original.

* Tentei pegar também, além de um terrorzinho, o filme que a Prill me indicou nos comentários do post anterior, Uma Janela para o Amor, mas não encontrei na locadora. Tentarei achar em outra. PORÉM aluguei um que eu queria ver faz tempo, e perdi quando estava nos cinemas: Em Paris, com o Louis Garrel, que também fez Amantes Constantes e Os Sonhadores, e o Romain Duris (Bonecas Russas é o mais famoso dele) . Vi Amantes Constantes no Guion no ano passado, e valeu MUITO a pena. É totalmente em P&B, com uma fotografia fora do sério. Duração média: três horas, e um público total de no máximo seis pessoas na sala de cinema. O DVD é uma futura aquisição. Lindo, lindo.

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16 Respostas to “O leve crescimento dos caninos ou Filmes para pessoas menos vulneráveis”

  1. prill Says:

    ai.. ai.. ai….
    caninos na carótida! sou totalmente apaixonada pelo Bela, mesmo que digam que ele morreu. a versão do Nouvelle Vague é perfeita, mais que a do Bahaus que todo mundo fica aclamando como gótica. não consigo nem sentir cheiro do gótico em Bahaus; é depressão pura e simples.

    conheci o Bela no Ed Wood, grandessíssimo cartão de visitas. depois fui atrás dos filmes originais dele (do Wood) e até consegui baixar o Plano 9, mas nesse, definitivamente Bela Lagosi was dead. tudo bem. continuo atrás do Nosferatu, no Rio parece impossível de achar, talvez na Zona Sul, mas daí eu não poderia pagar.

    tenho o Amantes Constantes em casa, mas Cris, não sei o que há que não consigo sair da parte das barricadas, bombas, policiais, etc etc. acho que porque fui com muita sede procurando “um outro lado” do The Dreamers, como se fosse um disco, sabe. eu queria ouvir mais do mesmo. Em Paris é bom? pensei em assistir da última vez que estava aqui em Londrina, mas fiquei desconfiada porque no cinema daqui só entra obras com a Cameron Diaz… desconfiei e não fui. é bacana?

    Uma Janela para o Amor é impecável (e o título certo é “room with a view”, achei que fosse window). cê gosta da Helena Bohan-Carter? foi o primeiro filme dela que eu vi, depois disso se tornou minha heroína. me diz um filme ruim com essa mulher! depois ela apareceu na minha frente como Marla Singer e quase morri. é um filme super hiper simples, até hoje sei lá o que há nele que é tão arrebatador: no início do século XX, uma mocinha inglesa viaja para Florença com sua tia solteirona (Maggie Smith, saca o elenco…) e outra espevitada (Judi Dench). na pensão onde ficam hospedadas, conhece um rapaz excêntrico ao estilo esquizofrenia leve. coisa boba, mas o andar da carruagem é uma vertigem. é engraçadíssimo, romântico e tanto perturbador.

    caramba! escrevi a beça, desculpa!
    mais uma postagem sua e mais uma lista de coisas que preciso ir atrás. por último, a abertura de VAMP. que novela massa! rss.. era doente por ela. lembro dum capítulo em que estavam todos prontos pra matar o conde Vlad quando alguém cai através do teto e atrapalha tudo. o Jorge Fernando com a estaca na mão diz: ah, gente, assim não dá, pelo amor de Deus, a novela podia ter terminado agora! inesquecível! vanguarda total. como a Globo se tornou uma merda completa… que triste.

    pronto, agora vou te deixar em paz
    que os seres noturnos te protejam

    beijo :)

  2. prill Says:

    e fui obrigada a voltar…

    pensando aqui: Helena Bohan Carter se liga ao Tim Burton, que se siga ao Johnny Depp, que se liga ao Ed Wood e este, então, se liga ao Bela Lagosi. Viva o hyperlink!!


  3. Nossa, como eu amo vampiros haha mas não cheguei a ser gótica, nem nada. Mas só o fato deles enfiarem os dentões na jugular já era algo bastante sexy d; Bela Lugosi vampiro foi a minha Xuxa, depois vê-lo nos filmes do Ed Wood, já bastante velho e já chegando no fim da vida, só confirmaram o quanto ele era especial.

    http://br.youtube.com/watch?v=qHkXFsK6UUg

    Cena que não sai da mente [=

    Beijos.


  4. haha vai ver a gente já se esbarrou pelo T7 e nem sabe [=
    tô morando aqui desde finalzinho de junho. trabalho na Goethe e pego o T7 todo dia pra ir pro trabalho e depois voltar pra casa. ah, tô aqui na Cidade Baixa e tu mora onde? [=

    tô gostando bastante daqui – tirando esse frio pra matar paraense hehe tu te mudou pra cá por quê?

    beijão.

  5. Matheus Says:

    wow…
    bom cris, não dos mais educados no cinema mas passo aqui para mandar minhas lembranças e dizer que apesar de não comentar com frequencia eu sempre que posso venho aqui pra ler você.
    só um parentesis aqui: essa expressão pode até se tornar chamosa não é mesmo “ler você”. vou trabalhar nisso.
    rsrs
    beijos


  6. ahahahah, tu falou em “caninos” e eu já pensei que este era um post canino! sério agora, esse post me fez lembrar uma amiga minha de infância que era a-pai-xo-na-da pelo Michael Jackson. eu tinha um compacto dele (olha que coisa antiga), e ela ia na minha casa às vezes pra pedir pra ouvir e dançar as coreografias… eu curtia muito a trilha do Thriller, era o máximo naquela época…

  7. Natusch Says:

    1) O Dracula de Bela Lugosi é filmão. Lento, às vezes até meio estranho para quem está acostumado com o ritmo acelerado da maioria do cinema atual, mas bastante envolvente. E o cidadão simplesmente humilha como o vampiro mais seguro de si da história =P
    2) Eu lembro da Vamp, claro – e o tema de abertura é interpretado pela VANGE LEONEL, caso tenham esquecido o nome da distinta. Eu assistia essa novela quando moleque, e curtia bastante – acho até que tenho um trecho de um capítulo, perdido numa fita vhs em algum lugar da casa. Depois procurarei, ando saudosista mesmo…
    3) Poe = MESTRE ABSOLUTO. Os reles mortais deveriam se ajoelhar e cantar hinos de louvação até o fim dos tempos.
    4) E, só para ser do contra, eu gosto BEM MAIS da vrs do Bauhaus. Mesmo porque, embora alguns não acreditem, eu gosto bastante de Bauhaus, hehehe…

    Beijo, moça :)

  8. Caco Says:

    Olá, primeira visita por aqui… Gostei do teu blog…
    Sobre ‘A room with a view’, é muito bom – ora solar na Itália, ora acinzentado na Inglaterra.
    [Nossa, este filme é de 23 anos atrás!]
    Veja também outros filmes da parceria Ivory-Merchant-Jhabvala… (The remains of the day, Howard’s End, …).
    Achei o livro chatíssimo, mas o filme vale a pena.

  9. Sara Says:

    Muito bom Cricaa! Adorei rever a abertura… Tava ontem mesmo lembrando de Vamp e de outras novelas legais… Q Rei sou Eu (q a Globo está cogitando reprisar) e Rainha da Sucata! Tá cada vez melhor!
    Beijocas

  10. Cris Says:

    Prill, uau! Estamos no mesmo caminho! Viva o hiperlink! : )
    Fora todas as coisas que escrevi em resposta no Limão, esqueci de falar sobre Em Paris. bah, achei pesado. Maravilhoso, e de ótima trilha, mas pesado. É um filme bem porrada porque trata justamente de coisas totalmente reais, normais e cotidianas, que são as relações humanas. Coisas assim andam me impressinando bem mais do que qualquer Nosferatu! Beijão : )

    Karla, continuo em busca do Drácula protagonizado pelo Bela Lugosi. Gostei dessa cena. Me fez ficar mais curiosa ainda :)

    Matheus, quem é vivo sempre aparece!
    Acabei de passar pelo Once Upon a Time e vi que tu atualizou.
    Beijo, beijo! :)

    Clau, a Lola não anda deixando teu sono em paz, né? Eu também era apaixonada pelo Michael Jackson!!! Na real eu adorava dançar as músicas dele, mas nunca tinha visto a fisionomia da figura. Uma vez tava vendo TV e perguntei pra minha mãe quem era AQUELA MULHER cantando as músicas dele!!! Era ele… Perdi a inocência e toda a magia em torno dele se desfez naquele dia = \

    Natusch
    Adorei: “o vampiro mais seguro de si da história”. Bela Lugosi não morreu. Não me lembrava do nome da distinta. Vange Leonel. Bah, tempo bom : )
    A Prill ali no comentário dela também me lembrou de uma cena hilária de quando QUASE mataram o Vlad! (que eu não sabia ser interpretado PELA “Neila Torraca” de quem sempre ouvia falar. Achava que Ney(La)torraca fosse uma mulher!!) Vã ingenuidade… Pardon me Ney Latorraca.
    P.S. Tu gosta de Bauhaus? Bah, teu gosto musical é meio estranho mesmo, não duvido ;P

    Caco, tudo bom? Seja bem-vindo :)
    Obrigada pelas indicações. Vou procurar os filmes, sim. Sabe, minha lista de filmes já foi pro saco há tempos. Agora vou procurando os filmes sem ordem ou projeto algum. Se me indicam e eu gostei da idéia, procuro. Vou na tua e na da Prill, que falou de A Room with a view :)
    Depois de tentar ler “Perfume” após ter visto o filme, e isso ter sido um desastre, me prometi que nunca mais verei um filme se tiver a idéia de ler o livro no qual ele foi baseado. Minha imaginação fica limitada demais na leitura depois de ver o filme = (

    Sarinha, quem me ensinou a ver Vamp foi tu. Belas influências. hehehe
    A Globo vai reprisar Q Rei Sou Eu? Baahh. E tu te esqueceu de falar de Pantanal, que tá passando de novo e era vanguarda! A abertura só é que tá mais artificial do que nunca! Mas ainda vale pela nostalgia :P
    Beijocas!

  11. Sandra Leite Says:

    Olá vampira :)

    Super liberado o comentário do anônimo pra ti, imagina se não?Dá vontade de escrever nas paredes, nas ruas, edificios….quero ver depois!!!!

    beijos e eu adoro o USINA “demais da conta” (isso é by Minas)


  12. haha tu é praticamente minha vizinha, então d:
    moro na república com a joão alfredo. vivo lá pelo zaffari mesmo ou então, almoçando no ritrovo nos finais de semana – ou com namorado e amigos que adoram beber por lá.

    bora marcar uma ala minuta no tudo pelo social qlq dia? haha

    soube do cevas e blogs, ai perto de onde tu mora? sempre rola uns encontros de blogueiros por ai [=


  13. Se não me falha a memória, assisti a “Nosferatu” lá na PF Gastal, naquela sessão Raros (não sei se ainda existe). Saudades da PF Gastal e de vocês por aí :)

  14. Médici Says:

    eu teria pego: M, o Vampiro de Dusseldorf!

    Prefiro ele, a Nosferatu. Mas eu tenho um fraco pelo Fritz Lang, daí é foda.

    e olha só, Karla Nazareth é não só minha conterrânea, como minha amiga e também vizinha. hahaha!

    Ovo Alegre, ok!

  15. Cris Says:

    Pati, tu anda com saudades do Beco também, que eu sei!
    Vem visitar a gente :)

    Médici, não vi o do Fritz Lang ainda. Bah, Nosferatu é MUITO bom!! =)

    E pois é, nem me fala. Como conversávamos antes: Porto Alegre não é um ovo, o mundo é que é uma ervilha!
    Beijo, beijo!

  16. daia Says:

    em paris acabou de sair em dvd. eeeeeeeeee.


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