“I Love Your Lovin’ Ways”

10/01/2009

nina

Bah, eu nem sei se ainda tenho credibilidade por aqui, já que não escrevo há mais de um mês. Mas vamos lá. Pretendo desenferrujar a ferramenta de publicação de posts deste blog. Primeiro) desejando um ano incrível para todos que por aqui passarem (os que por aqui não passarem não merecem um bom ano). Segundo) dizendo que NÃO, eu não derrubei xícara nenhuma de café no teclado no meu primeiro dia de trabalho. Por sinal, lá tem máquina de café e agora eu tomo mais de um capuccino por dia sem pagar nada por isso. Babem. Terceiro) o saldo de fim de ano foi positivo, bem positivo. Troquei de emprego, entendi, aprendi,  li mais, continuei vestindo a cor preta tanto quanto em 2007, mas terminei o ano com olhos verdes de presente. Entrei em 2009 com pagode. Nem eu me reconheço. Pula a parte do pagode. Ou deixa assim.

Ainda sobre o início de 2009, se vocês levarem as novas regras ortográficas na ponta do lápis, talvez encontrem algum TREMA por aqui. Não me preocupo com isso. Não se preocupem. Temos até 2012 para (re)aprender a escrever corretamente. Que reforma mais absurda!

Mudemos de assunto. O que eu quero agora é falar da cantora que mais me acompanhou em 2008: Eunice Kathleen Waymon. Popularmente falando, Nina Simone.  Ela é minha deusa desde que eu assisti à cena de Before Sunset (2004) em que a Celine (Julie Delpy) prepara uma xícara de chá para o Jesse (Ethan Hawke). Sinceramente, nem procurei a cantora pela música que tocava na cena; procurei por causa do nome mesmo. Achei “Nina Simone” um nome bonito. Com o tempo fui vendo que a dona de um bom nome artístico tinha também uma boa voz. E que a voz dela tinha uma pontinha de tristeza, um lirismo rouco que me fascinava. E assim ela foi tomando conta de algumas das minhas horas, geralmente de descanso.

Nascida na cidade de Tryon (estado norte-americano da Carolina do Norte) em 1933, Nina Simone assim se autodenominou porque se achava pequena, menina (do espanhol, Niña). Achando-se pequena, fez sua “pequena”  homenagem a Simone Signoret, a grande atriz do cinema francês. Pianista, compositora e cantora, Nina Simone adotou nome artístico aos 20 anos, para que pudesse cantar a “música do diabo”, BLUES, nos cabarés de Nova Iorque e Filadélfia escondida de seus pais, pastores metodistas. Nos anos 50, foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na conceituada escola de piano Julliard School Of Music, de Nova Iorque. Foi mais ou menos nessa mesma época que ela começou a acompanhar artistas na noite de Atlantic City, e também nesse tempo que se viu obrigada a continuar cantando para garantir o sustento da família. A obrigação, por fim, virou prazer.

Embora tenha transitado por blues, soul, gospel e folk, foi pelo jazz que ela ganhou cena entre as mais importantes cantoras do mundo, gravando mais de 60 discos. Ao abraçar publicamente todo tipo de combate ao racismo, Nina Simone também se destacou e foi perseguida. Envolveu-se de tal forma, que chegou a cantar no enterro do amigo Martin Luther King. Em suas memórias, a cantora declarava sua vontade: “Meus amigos estão todos mortos ou no exílio. Se pudesse ter escolhido, teria sido assassina, teria respondido golpe a golpe”.  No repertório dos shows, dificilmente  canções como Black is the colour e Everytime I feel the Spirit ficavam de fora.

A minha primeira favorita foi uma das mais conhecidas: My baby just cares for me. Com o tempo fui acolhendo Who Knows Where The Time Goes, I Love Your Lovin’ Ways e finalmente a versão de Here Comes The Sun. Heres Comes the Sun me causa a mesma sensação de Dear Prudence, dos Beatles. A explicação está no convite ao sol, na atenção. Não sei. Here Comes the Sun parece recado de mãe para filho. Eu me lembraria dessa música se quisesse dizer algo à minha mãe na noite em que ela me pegou no colo. Just Like a Woman também é linda.

Em agosto de 2000, no Festival de Jazz in Marciac, na França, Nina Simone subiu ao palco pela última vez. Morreu em abril de 2003, aos 70 anos. A declaração dada à imprensa foi que a cantora morreu de causa natural, e que já estava doente há um certo tempo. Eu gostaria de ter visto um show dela e de ter visto ela dançar rebolando tão elegantemente, como  a Julie Delpy descreveu em Before Sunset.

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16 Respostas to ““I Love Your Lovin’ Ways””

  1. Vica Says:

    Minha paixão por ela é mais antiga, por causa do filme A Assassina, com a Bridget Fonda. Ela era uma criminosa que o governo dos EUA colocava a seus serviços, como matadora. Ela ouvia só Nina Simone. Eu também gostei do nome. Ouvi Wild is the Wind e me apaixonei total.


  2. […] Leia mais deste post no blog de origem: Clique aqui e prestigie o autor […]

  3. Edu Says:

    Cara Cris,

    Passei por aqui como a mulher na canção de Chico que espera o marinheiro que nunca volta. Sem esperança.
    E estava errado. Felizmente
    Bom relê-la e volta.
    Um ab
    Edu

  4. Sandra Leite Says:

    Cris, querida, hermana

    Feliz 2009! Adorei relê-la. Sabe, você fala coisas tão lindas de um modo ‘Cris’ de ser. Como é isso? Feliz, intenso! Uau, li seu post ao som de “here comes the sun”. Essa música tem um significado todo especial pra mim. Parece mesmo, como tu disse, canção de ninar. “before sunset” , pq será que esse filme diz tanto pra tanta gente? Adoro, adoro mesmo.
    Adorei as decisões quanto ao skype – ufa, o Banco do Brasil agradece :)
    Que você viva intensamente os 365 dias desse 2009. Não sei não, mas acho uqe será um ano incrível. Tenho que te mandar as fotos.

    beijos, Cris

    Feliz, feliz 2009!


  5. agora sim 2009 começou =)

  6. suzanapohia Says:

    Comecei a procurar músicas da Nina Simone no final de 2008. Tenho poucas ainda. Tb fui atrás dela por causa do filme. Incrível, mas queria mto assistir um show dela pela cena do filme. E sabendo mais da história dela através do teu post deu mta vontade de ir atrás de suas obras. Um feliz 2009 Cris! E mta inveja pelo capuccino!!

  7. mariposo-L Says:

    Amigo, blz , eu estou a um mês ouvindo o álbum remix dela esta simplesmente lindo …. abs


  8. Cris, querida, um ótimo ano pra ti
    Beijo,
    Pati

  9. JU Gioli Says:

    Nina Simone é uma fera, adoro suas música.

    JU

  10. Sandra Leite Says:

    cade ???? sumiu? :(


  11. Tu simplesmente não po-de deixar de citar a interpretação da Nina Simone para “I put a spell on you”. É simplesmente o máximo. Eu confesso que essa música, cantada por ela ou pelo Screamin Jay Hawkins (versão totalmente diferente, mas adoro) me faz ouvir a mesma música por mais de uma dúzia de vezes de uma tacada só, apaixonadamente [http://br.youtube.com/watch?v=klIcu7r46Ig]

  12. Vitrola Says:

    OI!

  13. natusch Says:

    Não esqueça de nós =P

    Beijo!

  14. lucas Says:

    cheguei aqui através do empurracomagua da karlinha. gostei do blog, lerei mais!

  15. Tia Mone Says:

    Quem bom ter ver aqui novamente! Saudades!

  16. Cris Says:

    Vica,
    não conheço esse filme! Vou procurar.
    Valeu pela dica :)

    Edu,
    eu ando demorando pra voltar aqui neste ano. Confesso que não só por causa do trabalho novo. Ando mesmo é meio desligada daqui. Como falei nos posts anteriores, o ritmo das postagens vai diminuir, mas não vou parar, não :)
    Venha sempreee!

    Sandra,
    continuo esperando as fotos…
    Eita, mineira! Beijão!!

    Ric,
    No Tão Somente começou antes! Hahaha! Beijão :)

    Su,
    Já que não posso te oferecer um capuccino lá do trabalho, repetimos o de outro dia ali pelo Centro :)

    Mariposo-L,
    Hmm, eu não sabia que ela tinha um álbum remix… Sempre fico desconfiada com essas outras versões, sabe? Mas se tu diz que é bom, eu vou procurar :)

    Pati,
    ótimo ano pra ti também, guria!
    Apareça mais na capital gaúcha.
    Beijo!

    Ju,
    Sensacional, ela, né? Valeu pela visita. Volte sempre :)

    Claaauuu,
    É verdade! Essa é demais também. Caramba, por isso que eu adoro isso aqui. Eu fico conhecendo um monte de outras coisas pelos comentários :)

    Oi, Paulo! Que bom te ver por aqui :)
    Um beijo e um ano excelente pra ti!

    Natusch, voltei!
    Beijoca

    Oi, Lucas, que bom que tu gostaste. Venha sempre, sim :)
    Um beijo!

    Tia Mone, não com a mesma frequência de antes, mas volta e meia apareço. Beijo


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