Archive for the 'Cinema' Category

Fotografias e Mistério no Bosque, mas não necessariamente ao mesmo tempo*

12/02/2009

*a cacofonia nasalizadora é permitida. Tenho licença poética.

Como eu escrevi no post anterior, o arquivo em que estavam as fotos da casa da Lenara e do Romanoff corrompeu. Ele me mandou tudo novamente logo no dia seguinte ao post (segunda-feira, acho). A Lenara ainda me deixou um comentário todo fofo com o link de onde ela armazena as fotos.

A estante do quarto é bem grandona. Sério, cabe um monte de coisas:

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A sala, assim, com luz fraquinha, fica com cara de inverno. Bem europeu... Tem um gatinho verde ali na estante :)

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A fachada:

fachada-da-casa-querida

Bah, e o bosque (!), bem pertinho da casa, pelo que eu entendi :)

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* * *

*Já que falamos nisso ou “cuide em que bosque você pisa”: no primeiro filme de terror a que eu assisti, lá pelos 7… 8 anos de idade, não lembro bem,  as cenas mais “fortes” aconteciam em um bosque, então eu fiquei com a sensação de que todos os bosques têm algo de expressivo, para não dizer tenso, além das folhas secas. O filme, por sinal, também foi o primeiro terror produzido pela Disney. Chama-se Mistério no Bosque/Olhos na Floresta (The Watcher in the Woods) e tem a Bette Davis no elenco.

Como a Disney é uma companhia mais voltada para o público infantil, os sustos são leves, naturalmente, e nem dão muito medo (hoje, porque na época eu fiquei apavorada). Os efeitos especiais estão até meio defasados, já que o filme é de 1980. Acabou virando cult. No Boca do Inferno também tem alguma coisa sobre ele.

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As idades de Ana

17/11/2008

“Em seus primeiros anos, Ana Fellini acreditava que seus pais tinham morrido num acidente. Seus avós contaram. Disseram a ela que seus pais vinham buscá-la quando o avião caiu.

Aos onze anos, alguém disse a ela que seus pais tinham morrido lutando contra a ditadura militar argentina. Não perguntou nada, não disse nada. Ela, menina faladora, desde aquele momento falou pouco ou nada.

Aos dezessete anos, era difícil beijar. Tinha uma chaguinha debaixo da língua.

Aos dezoito, era difícil comer. A chaga era cada vez mais funda.

Aos dezenove, foi operada.

Aos vinte, morreu.

O médico disse que foi morta por um câncer na boca.

Os avós disseram que foi morta pela verdade.

A bruxa do bairro disse que morreu porque não gritou.”
 

A história é do livro mais recente do Eduardo Galeano, Espelhos – Uma História Quase Universal, que segue o mesmo formato d’O Livro dos Abraços, só que é bem maior. Trezentas e poucas páginas. Por sinal, o Eduardo Galeano esteve em Porto Alegre, na Feira do Livro, na quinta-feira passada (13/11), para lançar o livro.

Essas idades todas de Ana me fazem lembrar do filme Caótica Ana (2006), do cineasta basco Julio Medem. Eu assisti há pouco tempo. Conheci a obra dele por Os Amantes do Círculo Polar, de 1998. É triste e trágico, mas tem toda uma transcedentalidade cheia de simbologias. A protagonista, como em Caótica Ana, também se chama Ana, e seu par, Otto. Palíndromos perfeitos. Depois de “Os Amantes do Círculo Polar”, assisti ao Lúcia e o Sexo. Novamente, o mesmo estilo, mas com uma fragmentação bem maior (pode-se comparar, nessa ótica, a Amores Brutos, do Iñárritu). Outra coisa que me chamou atenção em “Lúcia e o Sexo” é a fotografia, totalmente estourada, exatamente na contramão do cinema publicitário, que preza por imagens mais limpas (considere Ensaio sobre a Cegueira como um exemplo dessa busca pela limpeza visual). Logo no iníco, Medem fala pelas palavras de Lourenzo que Lucia e o Sexo é um conto cheio de vantagens: “a primeira é que quando chega ao fim não acaba, mas cai por um buraco e reaparece na metade do conto. E a segunda e maior vantagem, é que daí se pode mudar o rumo.”

Há quem já tenha falado bem mal: “Ah, porque é experimental demais. Ah, porque parece filme caseiro em algumas cenas. É juvenil demais, uma pretensão frustrada do diretor. O cara tentou fazer um filme de baixo orçamento e acabou em má qualidade“. Olha, eu adorei. E outra: o filme foi indicado a dez prêmios Goya (o Oscar espanhol). Levou três. Proposital ou não, achei que deu certo e que essa paranóia delirante focada em existencialismo, coincidências, encontros e desencontros (com ancestrais, vidas passadas, pessoas ou com a própria alma, seja lá o que for) é poética, e é estilo do diretor desde os seus primeiros filmes. Funciona. 

O trailer de Caótica Ana:

Cobiça

17/10/2008


Meu novo objeto de desejo:
 
Coleção Alice no País das Maravilhas

– Alice no País das Maravilhas – 1903
– Alice – 1989
– Alice no País das Maravilhas – 1966
– As Aventuras de Alice no País das Maravilhas – 1972

Na Cultura tem, mas tu sabe, paga-se menos em outras lojas.

As capas dos DVDS são lindas. Vi na locadora e fiquei toda boba. Até vou colocar outras duas aqui pra ficar babando.

 O de cima é de 1972 e o de baixo, de 66.

 

Gabriel

06/09/2008

O nome do meu filho vai ser Gabriel. Isso não é um futuro próximo. Isso é “um dia”. Não sei exatamente de onde surgiu essa convicção. São duas, as convicções, aliás. A primeira é a de que eu terei um menino, e não uma menina. Segundo, a escolha do nome foi sendo moldada aos poucos. Acho que minha mãe certa vez, quando eu era pequena, me contou que Gabriel era o nome de um anjo (e essa é a origem do nome do meu irmão mais novo). Gabriel é o arcanjo da esperança, revelador das boas novas, a quem foi confiada a maior de todas as missões: anunciar a chegada de Jesus.  É também o anjo mais representado nas telas de cinema. Criança ainda, eu fiquei impressionada com a história, e com o nome na cabeça. Outras coisas, com o passar dos anos, foram somando-se à sensação boa que o nome sempre me causa. Coisas simples, na verdade, como agradáveis coincidências. E não, NÃO acredito em recados divinos. Vide explicação no parágrafo seguinte. Hoje o que menos importa é se Gabriel era ou não um anjo. É a beleza do nome que me prende a atenção. Milhares de boas impressões que eu não sei descrever surgem na minha cabeça quando alguém diz que se chama Gabriel. Estranho é eu pensar que já escolhi o nome do filho que não vai ser só meu. Espero que o futuro pai da criança concorde com a idéia. Pra mostrar como todo Gabriel é cativante, ó, meu irmão, a váááaaaarios anos atrás. I-MUN-DO, brincando. Ele continua  gatinho assim, só que UM POUQUINHO maior:

Não sigo nenhuma religião, e talvez minha mãe fique chateada ao ler isso. Talvez por não ter uma crença profunda no Deus que teoricamente é o pai da humanidade, senti falta de algo em que acreditar quando o Bruno, meu amigo, morreu. Me senti vazia, com pensamentos vagos e senti a morte e a vida dispersas em todo canto, no ar. Há séculos não entro em uma igreja sem ser por mero interesse pelo seu valor arquitetônico e/ou pela arte contida nas imagens, nas paredes, em todos os cantos. A mesma coisa com a Bíblia. Não a vejo como um instrumento de guia para valores e condutas, e sim como uma obra histórica e documental. Não consigo crer que ali estão todas as grandes verdades. A Bíblia entrou para a minha lista de leituras obrigatórias, que por sinal, só aumenta, pela sua riqueza literária (poesia, profecia, anjos, pestes, demônios e alguma ironia), histórica e geográfica. É preciso considerar, sem a pretensão de reduzir o valor ou igualar a qualquer outra obra, que a Bíblia é UM LIVRO; o mais amplamente lido e distribuído de todos os tempos, e também o mais censurado, queimado e perseguido. Transcende diferenças culturais e temporais. Acho que me expliquei em relação a isso

O Rodrigo, já tão citado por aqui, sem saber sobre essa minha afeição por Gabriel, o nome, outro dia me mandou procurar Gabriel, a música, da Lamb, uma banda britânica (um duo, na verdade). Aliás, até esse post ir para o ar, acho que pouquíssima gente sabia que o meu filho, que sequer foi gerado ainda, enfim, assim um dia se chamará. Não é um grande segredo. Continuando, o Rodrigo sempre acerta! Adorei. O último álbum da Lamb, What Sound, foi lançado em 2005 e depois disso a dupla se desfez. Quem gosta de Lamb, provavelmente também gostará de Antony and The Johnsons e St. Vincent. Hmmm. Lembra também um pouco de Portishead e Massive Attack. De St. Vincent, sugiro que comecem a ouvir pelas músicas Marry Me ou We Put A Pearl In The Ground. Your Lips Are Red também é bonita. A St. Vincent só lançou um álbum até agora (Marry Me).

O vídeo de Gabriel:

Outra, enquanto eu escrevia aqui, o Flávio me mandou o link desta página, que foi por onde ele conheceu Lamb. Ali são disponibilizados materiais sobre cinema, música, literatura, aquitetura… Bem legal :)

* Existe uma trilogia chamada The Prophecy, de Gregory Widen (no Brasil, Os Anjos Rebeldes I, II e III). Os três filmes têm como protagonista o Christopher Walken (ele já protagonizou também Na Hora da Zona Morta, do Cronenberg), e o Viggo Mortensen, que volta e meia atua em filmes do Cronenberg também, fez o primeiro da seqüência. A história é uma fantasia, terror propriamente dito, em que a “fábula” bíblica sobre a guerra dos anjos, em que Lucifer, o anjo caído, e Gabriel, o anjo a quem foi aplicada a autoridade para vencer Lucifer, lutam entre si. O filme, porém mostra Gabriel como um ser cruel, diferente das passagens originais. Gabriel como anjo caído foi uma criação de roteiro para o filme, FICÇÃO não baseada na Bíblia. Mas sobre essa história da revolta dos anjos eu falo mais depois. Acho bem legal, por sinal. Ahh,  sim, sim,  mais uma coisa pra acabar o post sem anjos renegados. Tem também o filme do Wim Wenders, Asas do Desejo, que se passa em Berlim, no pós-guerra, com o Bruno Ganz (Pão e Tulipas, Nosferatu – O Vampiro da Noite…) e o Otto Sander, (Far Away, So Close, também do Wim Wenders e com a mesma temática de Asas do Desejo, O Einstein do Sexo, etc). O argumento do filme é do escritor e dramaturgo austríaco Peter Handke, de quem cito abaixo um trecho do poema Song of Childhood:

“When the child was a child,
It was the time for these questions:
Why am I me, and why not you?
Why am I here, and why not there?
When did time begin, and where does space end?
Is life under the sun not just a dream?
Is what I see and hear and smell
not just an illusion of a world before the world?
Given the facts of evil and people.
does evil really exist?
How can it be that I, who I am,
didn’t exist before I came to be,
and that, someday, I, who I am,
will no longer be who I am?”

O leve crescimento dos caninos ou Filmes para pessoas menos vulneráveis

23/08/2008

Entrei no táxi há pouco e a rádio sintonizada era a Continental, especialmente redentora para quem já tem memórias guardadas em músicas. Lembra da trilha da abertura de Vamp? Diz que sim. Era o que tava tocando. Cheguei a ensaiar um sorrisinho de canto de boca pra voltar pra 1991. Eu adorava a novela. Depois veio Roxette. O Per Gessle era charmoso – padrões da época, não me julguem por isso. A música era a que eu ouvia pra ficar pensando no meu primeiro namoradinho. A palavra é no diminutivo mesmo, porque a inocência reinava. Nem era namoro, acho, mas foi dele que ganhei as primeiras rosas vermelhas. Comprei o CD por causa disso, na época. Não é o momento pra nostalgias amorosas.

Pra refrescar a memória, olha o vídeo da abertura de Vamp:

Permitam-me um pouco de sarcasmo. Hahahaha, que coisa amadora. Horrível. Pra manter o nível deste blog, e porque o vídeo anterior tem uma cena parecida com a coreografia do clipe, eu lembro de Thriller, de um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, homônimo. Na época o Michael Jackson AINDA TINHA MELANINA. Pena que não posso colocar o vídeo aqui, porque a incorporação está desativada, mas o link está ali em cima.

* Passei na locadora e peguei Nosferatu – O Vampiro da Noite, do Herzog. Eu queria mesmo era ver o Drácula mais clássico de todos, de 1931, com o Bela Lugosi (a página oficial dele é MUITO legal. Ele mesmo dá as boas-vindas aos visitantes). Foi, por sinal, o filme que tirou o ator do anonimato, e pelo qual ele ficou conhecido mundialmente. Depois de Drácula, Bela Lugosi fez alguns filmes baseados na obra do Edgar Allan Poe (outro MESTRE) e outros, mas jamais alcançou novamente tanto fervor nas telas como em seu primeiro papel. A biografia do ator é bem interessante, embora triste. O Fantaspoa deste ano exibiu um documentário sobre a vida dele, mas a única sessão era durante a tarde, num dia de semana, horário em que medíocres mortais estão fora de seus caixões, trabalhando. Perdi. Falando em caixões, Bela Lugosi morreu (supostamente) em 1956 e foi sepultado junto com a capa de seu personagem mais famoso. Voilà, Bauhaus! Na minha opinião, a versão de Bela Lugosi’s Dead que o Nouvelle Vague regravou é melhor do que a original.

* Tentei pegar também, além de um terrorzinho, o filme que a Prill me indicou nos comentários do post anterior, Uma Janela para o Amor, mas não encontrei na locadora. Tentarei achar em outra. PORÉM aluguei um que eu queria ver faz tempo, e perdi quando estava nos cinemas: Em Paris, com o Louis Garrel, que também fez Amantes Constantes e Os Sonhadores, e o Romain Duris (Bonecas Russas é o mais famoso dele) . Vi Amantes Constantes no Guion no ano passado, e valeu MUITO a pena. É totalmente em P&B, com uma fotografia fora do sério. Duração média: três horas, e um público total de no máximo seis pessoas na sala de cinema. O DVD é uma futura aquisição. Lindo, lindo.

Frase do dia

15/08/2008

Repita em voz alta:

EU VOU VER O WIM WENDERS!

Com aliteração e tudo.

Norman Bates = motorista de táxi

13/08/2008

Sabe a clássica trilha da cena do assassinato no banheiro em Psicose?

Pois bem. Eu estava no táxi hoje e o celular do motorista começou a tocar. Adivinha qual era o toque? Que momento. Ele atendeu respeitosamente: “Oi, Dona XXX” (XXX é pra não expôr a vítima). Falou por alguns segundos e após encerrar a conversa concluiu muito sutilmente: “Bah, o que seria de mim sem a minha sogra…”

[…]

Notas The Flash:

1) Sempre que eu fecho os olhos enquanto estou tomando banho lembro-me da cena  de Psicose e do close fantástico no rosto da Janet Leigh colado no chão. Abro os olhos na hora.

2) Nunca entendi por que tanta implicância com as sogras. Só é permitido pela insistência no clichê mesmo.

3) Há algum tempo a Vanity Fair prestou uma homenagem ao mestre do suspense. Artistas como Scarlett Johansson, Jodie Foster, Robert Downey Jr., Renée Zellweger, Javier Bardem, Julie Christie, Marion Cotillard, Emile Hirsch, Gwyneth Paltrow, Charlize Theron, Naomi Watts, entre outros, recriaram as famosas cenas dos clássicos do Hitchcock para a publicação. As imagens abaixo são a original em Psicose, com Janet Leigh, e a seqüência reencenada por Marion Cotillard. Ficou legal, né?

4) Dos atores que eu citei no item acima, os que já ensaiaram também uma carreira musical são: Scarlett Johansson, Robert Downey Jr. e Gwyneth Paltrow (como diz meu amigo Willian: Roberto Justus e tal – que não merece destaque em negrito…)

5) A Marion Cotillard é linda, e conseguiu ficar horrível em algumas cenas de Piaf – Um Hino de Amor

Dancing with Myself

04/08/2008

Aproveitando a visita do MESTRE aos pampas. Visita essa que, a menos que algum milagre aconteça, eu NÃO VOU PRESENCIAR (foi-se mais um prato para a parede), aluguei toda a primeira temporada de Twin Peaks. Tenho até quinta-feira para ver todos os episódios. Estou no primeiro, e as bizarrices ainda são modestas, mas nada que o YouTube não me possa adiantar. Uma dancinha para a semana começar bem:

Ainda:
A Prill me disse que ele canta. Fez mais, me mandou a página do David Lynch no Last.fm. Canto, danço, represento…

5h05min. Segunda-feira. Preciso dormir.