Archive for the 'Gente' Category

E o que é pior: todo mundo se acostuma

11/01/2008

Desci agora pouco pra arejar as idéias e aproveitar a noite lá fora, já que ficar dentro de casa seria o mesmo que pedir pra derreter por causa do calor insuportável. Encontrei o Ricardo aqui pela República e fomos tomar uma cerveja. Entre uma conversa e outra vimos algo estranho em um guri que passava na rua. Ele vestia uma bermuda de cor bem clara e uma camiseta branca, e um pouco abaixo de uma das axilas havia uma mancha vermelha. Foi só depois de olharmos com mais atenção que percebemos que ele estava sangrando, e não era pouco. Outra pessoa andava ao lado dele, segurando-o pelo braço para ajudar. O mais incrível é que a rua estava cheia, e pouquíssima gente percebeu o que estava acontecendo. Logo em seguida um carro passou buzinando e carregou o guri para um hospital. Depois o garçom comentou que aquilo tinha sido um assalto perto dali, e que o garoto havia sido esfaqueado e vinha caminhando pela rua, sem falar nada. Pouca gente viu, e logo depois de colocarem o guri no carro, tudo voltou ao normal.

Nos meus sete anos, eu era o que eu sou.

21/06/2007

Num dia entre 20 e 26 de fevereiro desse ano eu me vi tomando café da manhã com pessoas de 4 línguas diferentes. Foi em num albergue, em Buenos Aires. Torre de Babel!!! Nos entendíamos no inglês e, claro, linguagem gestual e risadas. Tínhamos então uma brasileira (eu), uma americana, um israelense, e um sul-africano. O sul-africano, um cara de olhos verdes, cabelos claros e pele bem bronzeada, contava que ainda não sabia o que queria da vida, mas que futuramente seria escritor (até agora não sei se estava brincando ou falando sério, porque ele era engraçadíssimo. O cara transpirava carisma. Em um segundo passávamos de um assunto sério para uma gargalhada, e geralmente era ele o responsável por isso). Ok. Mas entre uma risada e outra, ele falou uma coisa que eu achei MÁGICA, e por isso nunca mais esqueci. O cara (puxa, estou tentando lembrar o nome dele, mas…) contava que apesar de ter 27 anos não tinha certeza de suas escolhas. A única coisa que sabia é que escreveria um livro. No mais, viajava. Queria saber mais sobre a vida, sentir coisas diferentes, conhecer pessoas, lugares e histórias. E começou a contar uma das histórias que um dia alguém havia contado pra ele. Vou tentar reproduzir as palavras dele. Pelo menos o sentido em que ele falou cada frase, e como ele contou, me lembro exatamente.

“O fato é que eu não tenho certeza sobre as coisas que espero. Mas sei que também não estou completamente errado. E tenho uma coisa pra contar. Quando você está perdido, meio sem saber o que pensar, sem rumo, ou precisa tomar uma decisão que você sabe que vai influenciar para o resto da sua vida, uma coisa pode ajudar. Você começa a pensar no que foi ontem, e então no que foi na semana passada, e então no mês passado (gesticulava delicadamente com o dedo indicador), e começa a voltar no tempo. Você então chega aos seus dezoito anos, e então aos quinze, aos dez… e então finalmente chega aos seus sete anos. E lá, nos seus sete anos, é que está a resposta. Você é o que você era quando tinha sete anos. Você vai descobrir isso. E quando você não souber o que fazer, tente se lembrar do que você pensava quando tinhas sete anos. Porque é lá que está a resposta. O que você pensava quando tinha sete anos é o que vai ajudar você agora, tantos anos depois.”

Não sei se o cara realmente queria ser escritor, e se um dia vai descobrir o que realmente espera da vida, mas bom contador de histórias era. Quando ele colocou um ponto final no que dizia todos ficaram calados. Queríamos era ouvir mais. Depois daquela manhã ele passou a ocupar um lugar na minha memória. E sei que não fui só eu que saí daquela mesa com uma sensação de que a gente sempre guarda um pouco da criança que foi por baixo dessa pele que envelhece. Nos meus sete anos, vejamos, eu era sonhadora demais.

Nada mudou.

Like lost and found

17/05/2007

Eu volta e meia salvo uma conversa ou outra do msn. Quando gosto do papo, ou quando tem algum link que eu não quero perder, ou quando me mato rindo de algo e quero rir mais um pouco depois, coisas assim. Hoje eu remexia minhas pastas no PC e achei essa conversa com o Bruno:

With words like “lost and found” and “don’t look down” diz:
e engraçado que as pessoas, pelo menos as com quem falo

With words like “lost and found” and “don’t look down” diz:
usam bastante reticências no msn

With words like “lost and found” and “don’t look down” diz:
porque talvez pareça menos frio com reticências

Bruno diz:
pois é

With words like “lost and found” and “don’t look down” diz:
parece que se tu fala sem, em alguns casos, a conversa é seca, direta demais

Bruno diz:
é que eu acho que as pessoas falam com reticencias né

Bruno diz:
é, justamente

Bruno diz:
acho que a fala sempre deixa uma coisa no ar, não sei se esperando que a outra pessoa complete, ou o quê

With words like “lost and found” and “don’t look down” diz:
as reticêncais no msn são as expressões… talvez as sobrancelhas se movendo, sei lá… ombros…

Que saudades desse magrelinho.

* * *

Ando ausente por aqui. A mudança de horários no trabaho (e o trabalho, por si só, mais ágil e menos mecânico) tiraram boa parte do meu tempo ocioso. Até não digo ocioso por ser um tempo completamente livre, mas antes eu parava mais pra pensar, viajava em idéias e em sensações para as quais agora não tenho mais tido tempo. Cadê a subjetividade que eu via em tudo, cadê?

* * *

Acessem essa revista, por favor.

Letters of Desire

21/09/2006

Yuko Shimizu Web Portfolio

Blindness

17/09/2006

A adaptação para o cinema de Ensaio sobre a Cegueira, do escritor português e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago, é o próximo projeto de Fernando Meirelles. A produção, que terá um orçamento de cerca de 20 milhões de dólares, é da inglesa Potboiler Productions e será filmada em São Paulo, cidade onde o diretor nasceu, e Toronto, no Canadá, a partir da metade de 2007. A intenção é que a estréia seja em março de 2008. Ok. Eu espero…

Valentina, de Guido Crepax

10/09/2006

 

Valentina, de Guido Crepax

Fechando com chave de ouro

10/06/2006

O Tom Jobim disse que “a gente só leva da vida a vida que a gente leva”. O que você levará da sua vida?

Não vou levar nada. Alguma coisa deixarei. Umas musiquinhas, uns livros, filhas, netos. Vou deixar umas coisas bonitas. Coisas que valeram a pena.

* Fim de uma bela entrevista com o Chico Buarque, que dá pra ler na íntegra aqui.

Por um pouco mais de simplicidade

30/03/2006

“Para mim, teatralidade significa o dramático embelezamento de coisas que de outro modo seriam banais. É a arte da aposiopesis: o abrupto fechamento de um livro, o acender de um cigarro, um efeito fora de cena, como um tiro de pistola, um grito, uma queda, uma colisão, uma entrada ou uma saída de efeito, tudo isso que parece recurso barato ou óbvio quando tratado com sentimento e discrição é parte da poesia do teatro. Uma idéia sem significação teatral é de pequeno ou nenhum valor. O mais importante é o efeito teatral”

Charles Chaplin