Archive for the 'Images!' Category

Os motivos da minha inércia

01/11/2008

Venho por meio deste singelo e um pouco preguiçoso post informar aos que por aqui passarem que estou viva, com relativa paciência, com apego fenomenal pelos meus dias de primavera, mas sofrendo de uma enfermidade que me afasta deste espaço. Chama-se, a maldita, Blogging Blues. Quem me alertou sobre ela foi a Sandra.

O que acontece então é que meus dias têm sido bonitos demais fora da internet. Tenho lido como nunca, aproveitado mais a companhia dos meus amigos, conhecido muita música. Tenho me olhado com um distanciamento agradável. Isso significa entender melhor algumas coisas, e simplesmente esquecer ou ignorar outras. Um pouco de tolerância faz bem. Mas principalmente, estou definindo o tema da minha monografia. Isso sim, tem sido trabalhoso. A confusão mental acontece porque eu gosto de temas diversos demais. Por enquanto, as palavras mais cogitadas giram em torno de (e olhem o porquê da minha neura em definir logo essa naba. Algumas coisas simplesmente não têm conexão segura!!): Schopenhauer, Foucault, Freud e Lacan (em linha conseqüente dentro do tema em estudo, inevitavelmente passarei por eles), literatura, loucura… Tá, esse é o surgimento de um dos temas em questão. A outra possibilidade é uma idéia mais antiguinha, tem a ver com a relação entre corpo e tecnologia e… Tá tudo verde demais. Tá tudo amplo demais. Há algumas semanas eu tive um fiozinho de certeza e quase saí pulando, mas logo vi que o que eu tinha definido era insuficiente.

Não vou me alongar muito aqui. Também não desativarei o blog. Nem penso nisso, aliás. Continuarei vindo, organizando algumas coisas, talvez colocando textos menores, respondendo. É só por alguns tempos, talvez dias, talvez semanas. Não sei, entende? Não estou abandonando NADA.

As fotos abaixo, encontrei no Flickr de uma moça chamada Alisa Nel Paese. A indicação estava na revista Soma que a Helena me mostrou. Muito boa, por sinal, e de distribuição gratuita. É uma publicação de São Paulo.

Bonito, né?

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You were right about the stars*

29/08/2008

Nem me lembro de quando vi uma estrela cadente pela última vez. Deve fazer tempo, o que me leva a pensar em duas possibilidades: ou o céu anda nublado demais ultimamente ou eu não tenho olhado para cima e sequer percebo a presença das nuvens, o que é muito mais incômodo. O hermetismo urbano me sugou.

Eu costumava sentar na frente de casa para ouvir música no volume máximo e olhar o céu a aproximadamente dez anos atrás, antes de vir morar em Porto Alegre. Lembro-me de já ter visto mais de um suicídio estelar (carregamos poeira de estrelas no corpo, portanto) na mesma noite, e de alguns pedidos feitos nessas ocasiões também. Que eu me lembre, nenhum realizado, diga-se de passagem, mas não tem problema. C’est La Vie. Eram alguma coisa entre adolescentes, ansiosos e apressados (rá, adivinhem. Se esses adjetivos andam juntos, MORRI, descobri que continuo na adolescência). Não, não morri. E nenhuma estrela cadente mudou a minha vida (intervenção literária: a Clarice Lispector, de quem eu sempre falo por aqui, tem dois livros com a palavra “estrela” no título, e não só nele. São A Hora da Estrela – pobre Macabéa – e Como Nasceram as Estrelas, que seria o ORIGINAL título deste post caso eu não estivesse com a música Jesus, etc, do Wilco, na cabeça há dias).

Pois bem, vim falar de estrelas porque há mais ou menos duas semanas a Nasa divulgou fotos de uma região a 170 mil anos luz. Trata-se da Nebulosa de Tarântula (na foto acima), uma região onde acontece o nascimento de novas estrelas. A imagem, por todas as suas cores, agora enfeita a minha área de trabalho, e o contexto disso me lembrou de que existe uma lenda mato-grossense que fala da origem das estrelas. Triste, como a maioria das lendas indígenas, mas muito bela. A história vem de uma tribo chamada Bororo, que habita ainda hoje o planalto central do Mato Grosso. Entre os índios Bororo é função dos homens caçar e pescar; cabe às mulheres da tribo tecer redes, produzir o artesanato e trazer para a aldeia alimentos de origem vegetal (assim como fazer o plantio destes).

A lenda:

Em uma certa tarde, enquanto os homens estavam na floresta, as mulheres da tribo saíram para procurar espigas de milho; queriam fazer bolos e pães para os maridos. Caminharam durante longo  tempo e só encontraram alguns pezinhos mirrados, com poucas espigas. No dia seguinte resolveram levar algumas crianças da aldeia para ajudá-las, e o resultado foi satisfatório. O número de espigas já era suficiente para a surpresa que fariam aos maridos. Porém enquanto transportavam as espigas, um menino roubou algumas  e levou-as para a avó: “Prepare um bolo para que eu possa dividi-lo com meus amigos”. A velhinha não sabia nada sobre a origem das espigas, e na companhia de seu amigo, um papagaio, prontamente fez a vontade do menino. Assim que o bolo ficou pronto, os meninos devoraram alegres os pedaços e farelos, sem deixar nenhum sinal da refeição. Depois de saciados, lembraram-se de que as espigas haviam sido roubadas, e ficaram com medo de que as mães os castigassem pela arte cometida. Resolveram então fugir para a floresta, mas antes disso tomaram precauções para que a velhinha e seu companheiro, o papagaio, não contassem nada às mulheres. Cortaram-lhes as línguas.

E assim correram em direção à floresta. No caminho encontraram um beija-flor. Os meninos pediram então para que o beija-flor voasse o mais alto que conseguisse, e amarrasse a ponta de um cipó no céu para que conseguissem subir. O pássaro fez como lhe haviam pedido, e enquanto ele voava, os meninos iam subindo, subindo, um a um, pelo cipó céu acima. Quando as mulheres voltaram para a aldeia e não encontraram os meninos, ficaram preocupadas e foram perguntar para a velhinha, que nada podia responder, pois já não tinha mais língua. As mulheres então começaram a procurar pelas redondezas, muito mais preocupadas em encontrá-los do que aborrecidas pelo roubo das espigas. Uma das mães viu, então, a ponta do cipó, ainda próxima do chão. Imaginando que os meninos haviam subido por ali, elas começaram a gritar, implorando para que os filhos descessem e voltassem à aldeia, mas os meninos continuavam subindo, e o beija-flor voava cada vez mais alto com a ponta do cipó no bico, em direção ao céu. Mesmo com todo o choro e as súplicas das mães, os meninos não voltaram. Assim, como castigo pela desobediência e ingratidão, foram obrigados, todas as noites, a olhar fixamente para a terra e cuidar de suas mães, que sofriam de saudade. E os olhos dos meninos, sempre abertos, tornaram-se as estrelas.

* * *

*Eis a música que originou o título do post, uma das minhas preferidas do Wilco. Acho que merecia um clipe melhor, sem egocentrismos visuais da banda e com um pouco mais de ficção, mas prestem atenção na letra e na melodia:

Goethe manda lembranças

18/08/2008

O Romanoff avisa que abasteceu o Flickr com novas fotos de Frankfurt (crédito das  imagens acima devidamente reconhecido), mas ainda não me disse como são as cucas alemãs.

* * *

Sempre achei tão bonito o nome do movimento do qual Goethe, nascido em Frankfurt, fez parte, lá no início do romantismo literário alemão: Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto, em português). Diz-se que o romantismo nasceu na alemanha, com Os Sofrimentos do Jovem Werther, mas a história é controversa. Dizem também que nasceu na Inglaterra, com William Blake. Não me importo muito em argumentar a favor de um ou contra outro, na verdade. Eu bebo na fonte do ultra-romantismo byroniano, que influenciou toda a segunda geração romântica brasileira. Spleen,  ambientes sombrios, platonismo no amor, o mal do século, o dualismo (atração e medo, desejo e remorso)… O mito (é um mito ou é fato?) de que Álvares de Azevedo morreu virgem faz parte dessa idealização da mulher e das relações, tão presente na obra do escritor. “Foi poeta, sonhou e amou na vida”, quem não conhece? Tão lúdico e sublime, e tão IRREAL, tendo partido da poesia de alguém que não conheceu o amor inteiramente. Isso só é possível na literatura, amor assim como o dele, só de espera, sem ânsia, sem pele. Lord Byron, o britânico que o inspirou, foi descrito como “louco, mau e perigoso para se conhecer” por Lady Caroline Lamb, APÓS o término do tempestuoso caso que a aristocrata tivera com o poeta.

Lord Byron era “Don Juan”, libertino, apesar de ser coxo, e ao contrário de Álvares de Azevedo, desfrutou de todos os melhores pecados da carne, teve inúmeras amantes, foi admirado e fazia parte do imaginário das mulheres por sua literatura excêntrica. Sua imagem pública era declaradamente copiada dos vilões góticos; o arquétipo do “homem fatal” (soa-me brega e vulgar, essa expressão, mas é a que melhor define o que pretendo explicar). Talvez o escritor encontrasse sua felicidade (volúpia, digo) exatamente no crime, no que não lhe era permitido pelas leis sociais. Não vejo motivo para não salientar também que geralmente os heróis românticos e de energia desafiadora, tal como Byron, são irresistíveis para suas “vítimas”. Algo vampiresco no ar? Literariamente é permitido; em sonhos, também (um testemunho! uma confissão! déjà vu). Entre as extravagâncias do escritor, alega-se ainda que tenha tido um caso com a própria irmã, Augusta, do qual a moça saiu grávida.

Eu pararia de descrevê-lo por aqui, mas acho importante também dizer que o QI estimado  de Lord Byron era de 180; o normal oscila entre 90 e 105, por aí. Ainda, ele foi um dos primeiros escritores a descrever os efeitos da maconha. Sobre esta, não é novidade que era/é muito usada por escritores de contos fantásticos, e não somente. Na época de Poe a moda era ópio. Éter também, acho. O Horacio Quiroga tem um conto chamado O Inferno Artificial, em contraposição a Baudelaire e seus paraísos, em que descreve os efeitos do éter. Quiroga usou muito essa droga na tentativa (?) de amenizar (há sempre um pretexto, um “onde tudo começou”) as agonias de sua biografia, que será tema de outro post, portanto não falarei sobre isso agora. Apenas para bom entendimento, digo que a vida do escritor teve uma seqüência de tragédias em família.

Voltando ao título deste texto, um trecho de Goethe – e não o trecho final, que eu acho triste demais para encerrar um post. Prefiro este, com uma idéia mais VIVA do amor:

(…) Guilherme, o que é o mundo para o nosso coração sem amor? O mesmo que uma lanterna mágica sem luz! Mal colocas dentro dela a lamparina e já se projetam imagens das mais coloridas na parede branca! E mesmo que todas não sejam mais do que efêmeros fantasmas, elas nos fazem feliz enquanto permanecemos ali, acordados, e como criança nos extasiamos com suas aparições maravilhosas. Hoje não pude ir ver Carlota, uma visita inesperada me segurou em casa. Que havia a fazer? Mandei o meu criado ao encontro dela, só para ter junto de mim alguém que tivesse estado em sua presença. Com que impaciência o esperei, com que alegria tornei a vê-lo! Não tivesse vergonha e teria me atirado ao seu pescoço e coberto seu rosto de beijos.

Falam que a pedra de Bolonha, quando exposta ao sol, absorve seus raios e reluz por algum tempo durante a noite. Dava-se o mesmo comigo e aquele rapaz. A lembrança de que os olhos de Carlota haviam pousado em seu rosto, em suas faces, nos botões de sua casaca e na gola de seu sobretudo, tornava-o tão querido, tão sagrado para mim! Naquele momento não daria aquele rapaz nem por mil táleres! Me sentia tão bem em sua presença. Deus te livre de rir disso, Guilherme! Serão sempre fantasmas os responsáveis por nos sentirmos bem?

(Os Sofrimentos do Jovem Werther)

Dragan

21/06/2008

David Lynch e outras criaturas sombrias, na página do fotógrafo Andrzej Dragan.

“They are all beautiful”, diz o diretor de cinema na abertura. É a degradação da pele pelo tempo, a poeira que se instala nos cantos do corpo. O novo e o velho. O belo revestido pelo elemento mórbido. Me senti em um castelo, com cortinas amareladas, poeira e passos silenciosos. Podia tocar Faun Fables e ter uma floresta por perto.

Tem o perfil no Myspace também.

“DOESN’T MATTER

1. DOESN’TMATTER, (n); A hypothetical form of matter similar to normal matter, except that it’s atoms do not exist.

The theory of doesn’tmatter was first proposed by A. E. Roraback to explain the meaning of his life and the preponderance of apatheticism that permeated the air about him. Mr. Roraback was once known to say, “You of course have heard of anti-matter??? We have taken it one step further. We are so insignificant in the scheme of things that we have become what is known as doesn’tmatter. . . Instead of destroying any matter we come in contact with, no one notices.”

Dr. R. Tuklov II, an expert on non-existent particles, explains, “In ordinary matter, you have atoms, in which you have a nucleus with lots of electrons spinning wildly around it. In doesn’tmatter, the electrons just sort of sit around despondently.”

Tobin Sprout

25/05/2008

Bad Bunny

Outro dia, lá pelas tantas, ouvindo as recomendações do last.fm, conheci o trabalho solo do Tobin Sprout. Eu ouço bastante Guided by Voices, mas nunca pesquisei nada sobre a carreira de cada integrante depois da separação deles (2004).

O Tobin Sprout era vocalista e guitarrista do Guided by Voices, embora a fama maior tenha ficado com o Robert Pollard, líder e principal compositor da banda. Coloquei o nome no google e achei a página oficial, com as ilustrações e todos os links relacionados. Junto com a carreira musical, Sprout também consolidou uma boa reputação como designer e artista plástico, que é com o que ele trabalha hoje em dia. Os quadros dele são bem bacanas e parecem um pouco com as criaturas do Mark Ryden. Achei algo no Myspace também. Destaque para Small Parade.

*Falando em coelhos, eu vi Donnie Darko de novo = )

Meu cartão chegou!

11/01/2008

Lembram que eu falei que meu amigo me mandaria um cartão-postal lá da França e tal? Pois é. Chegou na véspera do Natal. Na verdade chegou na sexta-feira (21/12), mas como eu não tenho o mínimo costume de abrir a caixinha de correio aqui de casa, quem faz esse trabalho legal é minha irmã. Ela recebeu o cartão na sexta, e eu só fui ver que aquele envelope pardo que estava em cima da escrivaninha era pra mim no domingo (23/12) . Foi um dos meus presentes de Natal.

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Lindo, não? Tudo em francês, como prometido.

First impressions of earth

28/10/2007

Pensamentos em rede. Use vírgulas para separá-los, e cuidado com os nós.

26/09/2007

Parei em frente ao quadro e fiquei um tempo olhando. A galeria era a mesma – a sala branca – e os tons de vermelho eram os mesmos, mas em menor quantidade. Na verdade não tinha reparado que o quadro do qual eu mais tinha gostado era melancólico, até ouvir a afirmação. É mesmo. Pior que era. Mas uma coisa não impede a outra. Também não tinha ouvido uma definição melhor para a melancolia: um estado reflexivo (não lembro bem se a palavra era essa, mas era esse o sentido. Contemplativo, talvez. É por aí.).

Os pés foram riscados em preto, envelhecidos. Tinham um apelo rústico e solitário, mas não me pareciam tristes. Melancólicos. Aham. Já cheguei à conclusão há muito tempo que tristeza é uma coisa e melancolia é outra, embora os dicionários não concordem comigo. A linha de pensamento seguiu pelas folhas vermelhas no topo da imagem e pelo verde musgo, até meio imperceptível escondido nos rabiscos, e chegou ao inverno. Acho que me passou frio. O inverno, pra mim, poderia ser feito somente pelas cores do quadro. Sei que ali no meio também deveria ter um marrom. Preto e branco. Inverno precisa ser noir. E eu queria aquela obra pra mim, mas nem me lembro de quem era.

Agora a imagem está na Galeria Augusto Meyer, na Casa de Cultura.