Archive for the 'Música' Category

Não foi no sétimo dia que a vida fez sentido

31/03/2009

Tenho pensado em me dedicar a outro blog, de teor profissional. Algo que esteja mais próximo do meu trabalho, sem tanta música, sem tanto ruído, sem o calor do momento.  O Usina desde o início, lá em 2005, falou de tudo um pouco. Fez rodeios em cinema, literatura, música, muita música. E falou de mim, da vida, das coisas da minha vida. Não achei ruim, e ainda fico com dó quando passo tempos sem atualizá-lo, mas percebi que isso de me sentir mal por ficar longe daqui faz parte de uma necessidade angustiante minha de guardar tudo em algum lugar. O que pode e o que não pode ser guardado. E isso incomoda. As coisas são bonitas. Lindas. As coisas guardadas aqui são queridas. Mas preciso de um tempo para me renovar. Essa é a verdade. Enfim. Ando pensando em me dedicar a outro blog. Talvez eu consiga, ainda que num ritmo tartaruga, levar os dois juntos. E aquele, por estar mais próximo do meu cotidiano, dos meus estudos, seja privilegiado.

Depois do desabafo. Posso falar dos discos do Explosions in the Sky?

Explosions in The Sky - the band

Explosions in The Sky - the band

Se não me engano, conheci a banda através da Pandora, rádio online que infelizmente parou de disponibilizar acessos para ouvintes de fora dos EUA. (e agora o Last.fm… Pelo menos o Last.fm deu a opção  de podermos assinar. Assinarei).

Fui baixando álbum por álbum. Na época eu ainda trabalhava durante a madrugada (dá-lhe vinas. sistema caindo. a madrugada não descansa da roda viva). Chegava em casa não antes das 3h da manhã. A questão é que o corpo não dorme depois que se acostuma às linhas e às colunas, tabelas, à exatidão. Eu sentia que dormir seria um atraso. E então Explosions in The Sky fazia o trabalho sujo, que era mudar todo o meu fuso e me colocar na cama. São algumas das canções mais passionais que eu já ouvi. Quase não tem voz, só amor, tragédia e catarse.  Não tem rastro corpóreo. O som é instrumental e metálico mesmo.

2009 é o ano do décimo aniversário da banda. Eles começaram a tocar juntos em 1999, e em 2000 gravaram o primeiro disco. Vou me dar ao trabalho de colocar todas as capas dos álbuns, e todos os nomes das músicas aqui. Vale muito a pena. Os títulos são demais! Grifei os que eu acho mais bonitos.

how-strange-innocence

How Strange, Innocence (2000)

1. A Song For Our Fathers ——>MEHOR MÚSICA.
2. Snow and Lights
3. Magic Hours
4. Look Into The Air
5. Glittering Blackness
6. Time Stops
7. Remember Me As A Time Of Day

It sounds strange to say that instrumental songs are about something, but to us these songs were/are about such things as a couple walking through the park on a winter day, a child playing on 70’s shag carpet, the story of a boy hero leading a revolution against the tyranny of the coal mines. We’ve had a bit of a love/embarrassment relationship with the record.

(Texto tirado da página oficial da banda)

Those Who Tell the Truth Shall Die, Those Who Tell the Truth Shall Live Forever (2001)

Those Who Tell the Truth Shall Die, Those Who Tell the Truth Shall Live Forever (2001)

1. Greet Death
2. Yasmin the Light
3. The Moon is Down
4. Have You Passed Through This Night?
5. A Poor Man’s Memory
6. With Tired Eyes, Tired Minds, Tired Souls We Slept

The Earth Is Not A Cold Dead Place (2003)

The Earth Is Not A Cold Dead Place (2003)

The Earth is Not a Cold Dead Place é o único  álbum da banda em que todas as músicas ultrapassam a marca de 8 minutos.  É também o álbum que, se não me engano, tem a música preferida da Gressi: “First Breath After Coma“.

1. “First Breath After Coma” – 9:33
2. “The Only Moment We Were Alone” – 10:14
3. “Six Days at the Bottom of the Ocean” – 8:43
4. “Memorial” – 8:50
5. “Your Hand in Mine” – 8:17

Friday Night Lights - LP Cover

Friday Night Lights - LP Cover

Original Motion Picture Soundtrack Friday Night Lights - CD Cover

Original Motion Picture Soundtrack Friday Night Lights - CD Cover

“Every once in awhile someone asks us how we ended up working on a big studio movie about football. The simplest answer is that we got an email. This particular email was from Brian Reitzell who was the music supervisor for both The Virgin Suicides and Lost In Translation (two movies that we are quite fond of). He said he was working on a new movie and he was wondering if we would be interested in doing music for it. We told him we would. He got back in touch with us a few days later and told us that the movie he was working on was called Friday Night Lights. He didn’t really have to explain much as we were somewhat familiar with the book and even more familiar with the setting of the story. West Texas. Midland and Odessa. This is the part of Texas where three out of the four of us grew up. We all read the book and we loved it. It was sad and joyful and depressing and triumphant and funny and ugly and exciting. We said yes.

1. From West Texas
2. Your Hand In Mine (w/strings)
3. Our Last Days As Children
4. An Ugly Fact of Life
5. Home
6. Sonho Dourado (Daniel Lanois)
7. To West Texas
8. Your Hand In Mine (Goodbye)
9. Inside It All Feels The Same
10. Do You Ever Feel Cursed (David Torn)
11. Lonely Train
12. Seagull (Bad Company)
13. The Sky Above, The Field Below
14. A Slow Dance

The Rescue (2005)

The Rescue (2005)

Acho a capa do The Rescue totalmente desesperada. Urgente. É autoexplicativa.

“This is an album of cathartic, beautiful, sweeping, emotionally-charged post rock, that builds from moments to dream-like, ethereal beauty, to grandiose, triumphant, uplifting passages. As with all Explosions in the Sky material, this is HIGHLY recommended. Temporary Residence Limited. “

Não foi no sétimo dia que a vida fez sentido.

1. Day One
2. Day Two
3. Day Three
4. Day Four
5. Day Five
6. Day Six
7. Day Seven
8. Day Eight

All of A Sudden I Miss Everyone (2007)

All of A Sudden I Miss Everyone (2007)

“Here are a few of the key ingredients:

Dilapidated swimming pool which held no water, a dangerous bonfire fueled by lighter fluid and tended by inexperienced outdoorsmen, a babbling brook, Trailer Park Boys seasons 1 – 5 (and the Christmas special), two hammocks, TRAILS INTO THE FOREST, wild turkeys, torrential downpours, elaborate breakfasts, the best backporch in the world, a dangerous snake on the loose inside the house, a trip to the Mall of America, A GHOST, and a ride on a rollercoaster.”

1. The Birth and Death of The Day
2. Welcome, Ghosts (mp3)
3. It’s Natural To Be Afraid
4. What Do You Go Home To?
5. Catastrophe and the Cure
6. So Long, Lonesome

Love,
Explosions

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“I Love Your Lovin’ Ways”

10/01/2009

nina

Bah, eu nem sei se ainda tenho credibilidade por aqui, já que não escrevo há mais de um mês. Mas vamos lá. Pretendo desenferrujar a ferramenta de publicação de posts deste blog. Primeiro) desejando um ano incrível para todos que por aqui passarem (os que por aqui não passarem não merecem um bom ano). Segundo) dizendo que NÃO, eu não derrubei xícara nenhuma de café no teclado no meu primeiro dia de trabalho. Por sinal, lá tem máquina de café e agora eu tomo mais de um capuccino por dia sem pagar nada por isso. Babem. Terceiro) o saldo de fim de ano foi positivo, bem positivo. Troquei de emprego, entendi, aprendi,  li mais, continuei vestindo a cor preta tanto quanto em 2007, mas terminei o ano com olhos verdes de presente. Entrei em 2009 com pagode. Nem eu me reconheço. Pula a parte do pagode. Ou deixa assim.

Ainda sobre o início de 2009, se vocês levarem as novas regras ortográficas na ponta do lápis, talvez encontrem algum TREMA por aqui. Não me preocupo com isso. Não se preocupem. Temos até 2012 para (re)aprender a escrever corretamente. Que reforma mais absurda!

Mudemos de assunto. O que eu quero agora é falar da cantora que mais me acompanhou em 2008: Eunice Kathleen Waymon. Popularmente falando, Nina Simone.  Ela é minha deusa desde que eu assisti à cena de Before Sunset (2004) em que a Celine (Julie Delpy) prepara uma xícara de chá para o Jesse (Ethan Hawke). Sinceramente, nem procurei a cantora pela música que tocava na cena; procurei por causa do nome mesmo. Achei “Nina Simone” um nome bonito. Com o tempo fui vendo que a dona de um bom nome artístico tinha também uma boa voz. E que a voz dela tinha uma pontinha de tristeza, um lirismo rouco que me fascinava. E assim ela foi tomando conta de algumas das minhas horas, geralmente de descanso.

Nascida na cidade de Tryon (estado norte-americano da Carolina do Norte) em 1933, Nina Simone assim se autodenominou porque se achava pequena, menina (do espanhol, Niña). Achando-se pequena, fez sua “pequena”  homenagem a Simone Signoret, a grande atriz do cinema francês. Pianista, compositora e cantora, Nina Simone adotou nome artístico aos 20 anos, para que pudesse cantar a “música do diabo”, BLUES, nos cabarés de Nova Iorque e Filadélfia escondida de seus pais, pastores metodistas. Nos anos 50, foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na conceituada escola de piano Julliard School Of Music, de Nova Iorque. Foi mais ou menos nessa mesma época que ela começou a acompanhar artistas na noite de Atlantic City, e também nesse tempo que se viu obrigada a continuar cantando para garantir o sustento da família. A obrigação, por fim, virou prazer.

Embora tenha transitado por blues, soul, gospel e folk, foi pelo jazz que ela ganhou cena entre as mais importantes cantoras do mundo, gravando mais de 60 discos. Ao abraçar publicamente todo tipo de combate ao racismo, Nina Simone também se destacou e foi perseguida. Envolveu-se de tal forma, que chegou a cantar no enterro do amigo Martin Luther King. Em suas memórias, a cantora declarava sua vontade: “Meus amigos estão todos mortos ou no exílio. Se pudesse ter escolhido, teria sido assassina, teria respondido golpe a golpe”.  No repertório dos shows, dificilmente  canções como Black is the colour e Everytime I feel the Spirit ficavam de fora.

A minha primeira favorita foi uma das mais conhecidas: My baby just cares for me. Com o tempo fui acolhendo Who Knows Where The Time Goes, I Love Your Lovin’ Ways e finalmente a versão de Here Comes The Sun. Heres Comes the Sun me causa a mesma sensação de Dear Prudence, dos Beatles. A explicação está no convite ao sol, na atenção. Não sei. Here Comes the Sun parece recado de mãe para filho. Eu me lembraria dessa música se quisesse dizer algo à minha mãe na noite em que ela me pegou no colo. Just Like a Woman também é linda.

Em agosto de 2000, no Festival de Jazz in Marciac, na França, Nina Simone subiu ao palco pela última vez. Morreu em abril de 2003, aos 70 anos. A declaração dada à imprensa foi que a cantora morreu de causa natural, e que já estava doente há um certo tempo. Eu gostaria de ter visto um show dela e de ter visto ela dançar rebolando tão elegantemente, como  a Julie Delpy descreveu em Before Sunset.

Para os nossos rituais pagãos

21/10/2008

Para eles, eu proponho School of Seven Bells. Antes que perguntem, digo NÃO. Não é a Enya cantando. Tem algum elemento psicodélico nisso tudo que me encantou. O Ariel, meu mentor musical (ê!), me indicou a faixa Iamundernodisguise (I-am-under-no-disguise, lê assim que fica mais fácil), do álbum Alpinisms. Disse que são gêmeas, as vocalistas, americanas e tal. Estão as duas ali na foto. Eu só pude dizer “Uau! Me manda mais disso!” Gostei bastante da faixa Half Asleep.

* * *

Um dia desses falo de Explosions in the Sky. Das capas dos discos deles, que eu adoro, dos nomes das músicas, das histórias que esses nomes contam. Tou juntando as pecinhas pra fazer algo decente.

A função da arte

12/09/2008

“Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul.

Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

Me ajuda a olhar!

Tirei d’O Livro dos Abraços, do Eduardo Galeano. Página 15. É um livrinho pequeno, daqueles que tu nunca vai ler inteiro de uma vez só. Às vezes abro em algumas páginas, aleatoriamente, leio e fecho novamente. Esse é o meu segundo texto favorito dali. O primeiro é este.

* * *

PS. Pela milésima quinta vez, lá vem um dia cinza me ganhar no silêncio. Nada como um guarda-chuva vermelho no meio de tantas sombrinhas pretas. Definitivamente, o mundo não acabou(!). E olhem as cores destes vídeos. Eu fico meio bêbada quando vejo coisas assim. Da Stars. Canadenses, só podia. São muito caprichosos.

O início é meio bizarro, mas o azul (branco? branco.) aparece logo.

Gabriel

06/09/2008

O nome do meu filho vai ser Gabriel. Isso não é um futuro próximo. Isso é “um dia”. Não sei exatamente de onde surgiu essa convicção. São duas, as convicções, aliás. A primeira é a de que eu terei um menino, e não uma menina. Segundo, a escolha do nome foi sendo moldada aos poucos. Acho que minha mãe certa vez, quando eu era pequena, me contou que Gabriel era o nome de um anjo (e essa é a origem do nome do meu irmão mais novo). Gabriel é o arcanjo da esperança, revelador das boas novas, a quem foi confiada a maior de todas as missões: anunciar a chegada de Jesus.  É também o anjo mais representado nas telas de cinema. Criança ainda, eu fiquei impressionada com a história, e com o nome na cabeça. Outras coisas, com o passar dos anos, foram somando-se à sensação boa que o nome sempre me causa. Coisas simples, na verdade, como agradáveis coincidências. E não, NÃO acredito em recados divinos. Vide explicação no parágrafo seguinte. Hoje o que menos importa é se Gabriel era ou não um anjo. É a beleza do nome que me prende a atenção. Milhares de boas impressões que eu não sei descrever surgem na minha cabeça quando alguém diz que se chama Gabriel. Estranho é eu pensar que já escolhi o nome do filho que não vai ser só meu. Espero que o futuro pai da criança concorde com a idéia. Pra mostrar como todo Gabriel é cativante, ó, meu irmão, a váááaaaarios anos atrás. I-MUN-DO, brincando. Ele continua  gatinho assim, só que UM POUQUINHO maior:

Não sigo nenhuma religião, e talvez minha mãe fique chateada ao ler isso. Talvez por não ter uma crença profunda no Deus que teoricamente é o pai da humanidade, senti falta de algo em que acreditar quando o Bruno, meu amigo, morreu. Me senti vazia, com pensamentos vagos e senti a morte e a vida dispersas em todo canto, no ar. Há séculos não entro em uma igreja sem ser por mero interesse pelo seu valor arquitetônico e/ou pela arte contida nas imagens, nas paredes, em todos os cantos. A mesma coisa com a Bíblia. Não a vejo como um instrumento de guia para valores e condutas, e sim como uma obra histórica e documental. Não consigo crer que ali estão todas as grandes verdades. A Bíblia entrou para a minha lista de leituras obrigatórias, que por sinal, só aumenta, pela sua riqueza literária (poesia, profecia, anjos, pestes, demônios e alguma ironia), histórica e geográfica. É preciso considerar, sem a pretensão de reduzir o valor ou igualar a qualquer outra obra, que a Bíblia é UM LIVRO; o mais amplamente lido e distribuído de todos os tempos, e também o mais censurado, queimado e perseguido. Transcende diferenças culturais e temporais. Acho que me expliquei em relação a isso

O Rodrigo, já tão citado por aqui, sem saber sobre essa minha afeição por Gabriel, o nome, outro dia me mandou procurar Gabriel, a música, da Lamb, uma banda britânica (um duo, na verdade). Aliás, até esse post ir para o ar, acho que pouquíssima gente sabia que o meu filho, que sequer foi gerado ainda, enfim, assim um dia se chamará. Não é um grande segredo. Continuando, o Rodrigo sempre acerta! Adorei. O último álbum da Lamb, What Sound, foi lançado em 2005 e depois disso a dupla se desfez. Quem gosta de Lamb, provavelmente também gostará de Antony and The Johnsons e St. Vincent. Hmmm. Lembra também um pouco de Portishead e Massive Attack. De St. Vincent, sugiro que comecem a ouvir pelas músicas Marry Me ou We Put A Pearl In The Ground. Your Lips Are Red também é bonita. A St. Vincent só lançou um álbum até agora (Marry Me).

O vídeo de Gabriel:

Outra, enquanto eu escrevia aqui, o Flávio me mandou o link desta página, que foi por onde ele conheceu Lamb. Ali são disponibilizados materiais sobre cinema, música, literatura, aquitetura… Bem legal :)

* Existe uma trilogia chamada The Prophecy, de Gregory Widen (no Brasil, Os Anjos Rebeldes I, II e III). Os três filmes têm como protagonista o Christopher Walken (ele já protagonizou também Na Hora da Zona Morta, do Cronenberg), e o Viggo Mortensen, que volta e meia atua em filmes do Cronenberg também, fez o primeiro da seqüência. A história é uma fantasia, terror propriamente dito, em que a “fábula” bíblica sobre a guerra dos anjos, em que Lucifer, o anjo caído, e Gabriel, o anjo a quem foi aplicada a autoridade para vencer Lucifer, lutam entre si. O filme, porém mostra Gabriel como um ser cruel, diferente das passagens originais. Gabriel como anjo caído foi uma criação de roteiro para o filme, FICÇÃO não baseada na Bíblia. Mas sobre essa história da revolta dos anjos eu falo mais depois. Acho bem legal, por sinal. Ahh,  sim, sim,  mais uma coisa pra acabar o post sem anjos renegados. Tem também o filme do Wim Wenders, Asas do Desejo, que se passa em Berlim, no pós-guerra, com o Bruno Ganz (Pão e Tulipas, Nosferatu – O Vampiro da Noite…) e o Otto Sander, (Far Away, So Close, também do Wim Wenders e com a mesma temática de Asas do Desejo, O Einstein do Sexo, etc). O argumento do filme é do escritor e dramaturgo austríaco Peter Handke, de quem cito abaixo um trecho do poema Song of Childhood:

“When the child was a child,
It was the time for these questions:
Why am I me, and why not you?
Why am I here, and why not there?
When did time begin, and where does space end?
Is life under the sun not just a dream?
Is what I see and hear and smell
not just an illusion of a world before the world?
Given the facts of evil and people.
does evil really exist?
How can it be that I, who I am,
didn’t exist before I came to be,
and that, someday, I, who I am,
will no longer be who I am?”

You were right about the stars*

29/08/2008

Nem me lembro de quando vi uma estrela cadente pela última vez. Deve fazer tempo, o que me leva a pensar em duas possibilidades: ou o céu anda nublado demais ultimamente ou eu não tenho olhado para cima e sequer percebo a presença das nuvens, o que é muito mais incômodo. O hermetismo urbano me sugou.

Eu costumava sentar na frente de casa para ouvir música no volume máximo e olhar o céu a aproximadamente dez anos atrás, antes de vir morar em Porto Alegre. Lembro-me de já ter visto mais de um suicídio estelar (carregamos poeira de estrelas no corpo, portanto) na mesma noite, e de alguns pedidos feitos nessas ocasiões também. Que eu me lembre, nenhum realizado, diga-se de passagem, mas não tem problema. C’est La Vie. Eram alguma coisa entre adolescentes, ansiosos e apressados (rá, adivinhem. Se esses adjetivos andam juntos, MORRI, descobri que continuo na adolescência). Não, não morri. E nenhuma estrela cadente mudou a minha vida (intervenção literária: a Clarice Lispector, de quem eu sempre falo por aqui, tem dois livros com a palavra “estrela” no título, e não só nele. São A Hora da Estrela – pobre Macabéa – e Como Nasceram as Estrelas, que seria o ORIGINAL título deste post caso eu não estivesse com a música Jesus, etc, do Wilco, na cabeça há dias).

Pois bem, vim falar de estrelas porque há mais ou menos duas semanas a Nasa divulgou fotos de uma região a 170 mil anos luz. Trata-se da Nebulosa de Tarântula (na foto acima), uma região onde acontece o nascimento de novas estrelas. A imagem, por todas as suas cores, agora enfeita a minha área de trabalho, e o contexto disso me lembrou de que existe uma lenda mato-grossense que fala da origem das estrelas. Triste, como a maioria das lendas indígenas, mas muito bela. A história vem de uma tribo chamada Bororo, que habita ainda hoje o planalto central do Mato Grosso. Entre os índios Bororo é função dos homens caçar e pescar; cabe às mulheres da tribo tecer redes, produzir o artesanato e trazer para a aldeia alimentos de origem vegetal (assim como fazer o plantio destes).

A lenda:

Em uma certa tarde, enquanto os homens estavam na floresta, as mulheres da tribo saíram para procurar espigas de milho; queriam fazer bolos e pães para os maridos. Caminharam durante longo  tempo e só encontraram alguns pezinhos mirrados, com poucas espigas. No dia seguinte resolveram levar algumas crianças da aldeia para ajudá-las, e o resultado foi satisfatório. O número de espigas já era suficiente para a surpresa que fariam aos maridos. Porém enquanto transportavam as espigas, um menino roubou algumas  e levou-as para a avó: “Prepare um bolo para que eu possa dividi-lo com meus amigos”. A velhinha não sabia nada sobre a origem das espigas, e na companhia de seu amigo, um papagaio, prontamente fez a vontade do menino. Assim que o bolo ficou pronto, os meninos devoraram alegres os pedaços e farelos, sem deixar nenhum sinal da refeição. Depois de saciados, lembraram-se de que as espigas haviam sido roubadas, e ficaram com medo de que as mães os castigassem pela arte cometida. Resolveram então fugir para a floresta, mas antes disso tomaram precauções para que a velhinha e seu companheiro, o papagaio, não contassem nada às mulheres. Cortaram-lhes as línguas.

E assim correram em direção à floresta. No caminho encontraram um beija-flor. Os meninos pediram então para que o beija-flor voasse o mais alto que conseguisse, e amarrasse a ponta de um cipó no céu para que conseguissem subir. O pássaro fez como lhe haviam pedido, e enquanto ele voava, os meninos iam subindo, subindo, um a um, pelo cipó céu acima. Quando as mulheres voltaram para a aldeia e não encontraram os meninos, ficaram preocupadas e foram perguntar para a velhinha, que nada podia responder, pois já não tinha mais língua. As mulheres então começaram a procurar pelas redondezas, muito mais preocupadas em encontrá-los do que aborrecidas pelo roubo das espigas. Uma das mães viu, então, a ponta do cipó, ainda próxima do chão. Imaginando que os meninos haviam subido por ali, elas começaram a gritar, implorando para que os filhos descessem e voltassem à aldeia, mas os meninos continuavam subindo, e o beija-flor voava cada vez mais alto com a ponta do cipó no bico, em direção ao céu. Mesmo com todo o choro e as súplicas das mães, os meninos não voltaram. Assim, como castigo pela desobediência e ingratidão, foram obrigados, todas as noites, a olhar fixamente para a terra e cuidar de suas mães, que sofriam de saudade. E os olhos dos meninos, sempre abertos, tornaram-se as estrelas.

* * *

*Eis a música que originou o título do post, uma das minhas preferidas do Wilco. Acho que merecia um clipe melhor, sem egocentrismos visuais da banda e com um pouco mais de ficção, mas prestem atenção na letra e na melodia:

O leve crescimento dos caninos ou Filmes para pessoas menos vulneráveis

23/08/2008

Entrei no táxi há pouco e a rádio sintonizada era a Continental, especialmente redentora para quem já tem memórias guardadas em músicas. Lembra da trilha da abertura de Vamp? Diz que sim. Era o que tava tocando. Cheguei a ensaiar um sorrisinho de canto de boca pra voltar pra 1991. Eu adorava a novela. Depois veio Roxette. O Per Gessle era charmoso – padrões da época, não me julguem por isso. A música era a que eu ouvia pra ficar pensando no meu primeiro namoradinho. A palavra é no diminutivo mesmo, porque a inocência reinava. Nem era namoro, acho, mas foi dele que ganhei as primeiras rosas vermelhas. Comprei o CD por causa disso, na época. Não é o momento pra nostalgias amorosas.

Pra refrescar a memória, olha o vídeo da abertura de Vamp:

Permitam-me um pouco de sarcasmo. Hahahaha, que coisa amadora. Horrível. Pra manter o nível deste blog, e porque o vídeo anterior tem uma cena parecida com a coreografia do clipe, eu lembro de Thriller, de um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, homônimo. Na época o Michael Jackson AINDA TINHA MELANINA. Pena que não posso colocar o vídeo aqui, porque a incorporação está desativada, mas o link está ali em cima.

* Passei na locadora e peguei Nosferatu – O Vampiro da Noite, do Herzog. Eu queria mesmo era ver o Drácula mais clássico de todos, de 1931, com o Bela Lugosi (a página oficial dele é MUITO legal. Ele mesmo dá as boas-vindas aos visitantes). Foi, por sinal, o filme que tirou o ator do anonimato, e pelo qual ele ficou conhecido mundialmente. Depois de Drácula, Bela Lugosi fez alguns filmes baseados na obra do Edgar Allan Poe (outro MESTRE) e outros, mas jamais alcançou novamente tanto fervor nas telas como em seu primeiro papel. A biografia do ator é bem interessante, embora triste. O Fantaspoa deste ano exibiu um documentário sobre a vida dele, mas a única sessão era durante a tarde, num dia de semana, horário em que medíocres mortais estão fora de seus caixões, trabalhando. Perdi. Falando em caixões, Bela Lugosi morreu (supostamente) em 1956 e foi sepultado junto com a capa de seu personagem mais famoso. Voilà, Bauhaus! Na minha opinião, a versão de Bela Lugosi’s Dead que o Nouvelle Vague regravou é melhor do que a original.

* Tentei pegar também, além de um terrorzinho, o filme que a Prill me indicou nos comentários do post anterior, Uma Janela para o Amor, mas não encontrei na locadora. Tentarei achar em outra. PORÉM aluguei um que eu queria ver faz tempo, e perdi quando estava nos cinemas: Em Paris, com o Louis Garrel, que também fez Amantes Constantes e Os Sonhadores, e o Romain Duris (Bonecas Russas é o mais famoso dele) . Vi Amantes Constantes no Guion no ano passado, e valeu MUITO a pena. É totalmente em P&B, com uma fotografia fora do sério. Duração média: três horas, e um público total de no máximo seis pessoas na sala de cinema. O DVD é uma futura aquisição. Lindo, lindo.

Oh, Sister

09/08/2008

Gostei de uma música do Bob Dylan. Já tinha desistido de tentar entender onde é que as pessoas vêem tanta magia (não me joguem pedras pontiagudas. Tem gente que não gosta de Beatles, NÉ?).

Dizem que é nas letras. Concordo, são bonitas, mas nunca tive muita paciência pra ficar insistindo nas fanhosas músicas se o que já tinha ouvido não me causara nenhum alvoroço. Deixemos por conta do acaso.

O acaso bateu ontem, com One More Cup of Coffee. Bonita. Podem me indicar mais coisas, portanto. Ele ainda pode me cativar, assim como o filho já o fez.