Archive for fevereiro, 2009

“Entusiasmem-se. Façam festa. Riam.”

20/02/2009

Quem me conhece bem sabe que eu tenho pavor de carnaval. Quando eu era mais nova, era só ouvir os primeiros batuques de escolas de samba na TV que eu apertava no OFF. Mesmo. Desligava a TV.  Hoje não sinto mais tanto asco, mas continuo não gostando. Tolero, mas prefiro estar longe de toda a bagunça. No carnaval do ano passado eu vi trocentos filmes. Adorei a função em Beverly Hills.

Em 2009 não vai ser diferente, mas sem filmes. Até tentaram me convencer a cair na festa, mas não adianta, Carnaval não é a MINHA festa. A solução encontrada foi a melhor possível: Forte de Santa Tereza, no Uruguai. Acampar, ver um monte de coisas legais e descansar um pouco da urbanidade :)

E olha que tri. Uma das fotos que eu encontrei quando fui pesquisar sobre o Forte se parece muito com a foto que eu postei no meu antigo blog, quando fui para Buenos Aires. É só comparar.

A do Forte:

arandela-da-fortaleza-de-santa-tereza

A de Buenos Aires:

buenos-aires

E estas são novamente da Fortaleza:

fortaleza-uruguai

forte2

Adoro essas viagens. Sobre o Parque de Santa Tereza, encontrei:

“Por causa de sua  localização sobre o Atlântico, é dotado, também de magníficas praias oceânicas.

Em sua área há quatro praias que oferecem um visual interessante, com formações rochosas peculiares, dunas e muito verde.

O nome do parque vem da Fortaleza de Santa Tereza, que faz parte do patrimônio histórico e cultural do país. Construída em 1762 pelos portugueses a quem a região pertencia na época – como medida de precaução para o caso de guerra com a Espanha, a fortaleza fica na entrada do parque, à esquerda.

Dentro do forte é possível ver canhões, uma capela, a cozinha que era utilizada pelos soldados, um museu que contém uma coleção de armas e diversas maquetes de outras fortalezas uruguaias. Uma grande atração local são as suas cinco praias: La Moza, Las Achiras, Playa dei Barco, Playa Grande e Cerro Chato. A água do mar costuma ser bastante fria e, por isto, normalmente encarada apenas pelos surfistas. 0 parque conta ainda com outras construções interessantes, com destaque para o Sombráculo (jardim de verão) e o Invernáculo (jardim de inverno).

Texto tirado daqui.

A torcida então é: que não faça um sol de rachar, mas que não chova até alagar. Pedi demais?

Beijosnãomeliguem. Eu não vou olhar muito para o celular lá mesmo.

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A origem das espécies

20/02/2009

Li Saturno nos Trópicos, do Moacyr Scliar, há bons anos. Acho que logo que passei no vestibular, ou um pouco antes. Isso quer dizer de deve ter sido lá por 2003 ou final de 2002. Me darei ao trabalho de transcrever vários parágrafos que muito oportunamente reli no início da semana.

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O Combate do Carnaval com a Quaresma, de Pieter Bruegel (1559)

Também a festa era um antídoto para a tristeza do cotidiano. No final do medievo e no começo da modernidade multiplicaram-se as festividades populares, ligadas ou não à Igreja. É a época em que os goliardos, estudantes que se vestiam de maneira característica, com guizos nos chapéus de várias pontas, percorriam a Inglaterra, a França e a Alemanha recitando poemas debochados (que serviriam de inspiração para os Carmina burana de Carl Orff) e apresentando sátiras contra a Igreja. Os goliardos eram apenas uma das “confrarias alegres” (confréries joyeuses) que então surgiram na França e em outros países.

(…)

Essa é também a época em que o Carnaval ganha impulso. Originava-se, como já se disse, da Saturnália dos antigos romanos, ou talvez das Bacanais, festas em geral realizadas no solstício de inverno. Trata-se da noite mais longa do ano no hemisfério norte e, portanto, a mais lúgubre; neutralizá-la com uma festa deve ter parecido, à época, uma boa idéia (mais tarde, a Igreja estabeleceu quase a mesma data para o Natal). A propósito similar obedeciam outras celebrações, como a Festa dos Loucos. Não se tratava, como o nome pode sugerir, de uma celebração da loucura. Era, isso sim, uma válvula de escape – necessária, na medida em que, no Renascimento, as maneiras iam se refinando, impedindo a expressão da agressividade.

Roma e outras cidade italianas , notadamente Veneza, Florença, Milão e Nápoles, transformaram o Carnaval numa grande celebração que ocorria nos últimos dias antes da Quaresma, período destinado à penitência e à meditação. O contraste – na verdade a oposição – entre Carnaval e Quaresma, entre prazer e abstinência, não passava despercebido aos artistas. Em O Combate do Carnaval com a Quaresma (1559), Pieter Bruegel retrata a Quaresma como uma dama seca, magra, triste, usando um vestido cinzento – o retrato da melancolia. Já o Carnaval, obeso, rubicundo, está sentado sobre um enorme tonel de bebida empunhando um espeto com carne assada. A palavra Carnaval, aliás, vem de carne, e de fato, carnes de porco, de vaca, de coelho eram consumidas em grande quantidade. Em muitas cidades alemãs, os açougueiros eram figuras importantes nos desfiles. Em Koenigsberg, em 1583, noventa açougueiros desfilaram carregando uma salsicha de mais de duzentos quilos. Mas “carne” também aludia, claro, à carnalidade, ao sexo; falos gigantescos às vezes apareciam nos desfiles. O que coincidia, como na Saturnália, com uma liberdade geral de costumes, não raro agressiva; mascarados podiam insultar pessoas e criticar autoridades.

(…)

Bakhtin (Mikhail) mostra como esse e outros festejos cumpriam um papel histórico e psicológico importante, subvertendo, ainda que transitoriamente, a cruel ordem social: ao lado do mundo oficial, comportado, surgia um segundo mundo, carnavalesco. A localização da festa no calendário era apropriada, já que, no passado, ele ocorria logo após o ano-novo, marcando assim, diz Bakhtin, o fim do ano velho, dos velhos tempos; como o bifronte deus Janus, que deu origem à palavra janeiro, a festa medieval tinha uma face oficial, religiosa, a mirar o passado, e uma face debochada, olhando o futuro.

Saturno nos Trópicos – A Melancolia Européia Chega ao Brasil
Moacyr Scliar
Editora Companhia das Letras
p. 108 a 110

Fotografias e Mistério no Bosque, mas não necessariamente ao mesmo tempo*

12/02/2009

*a cacofonia nasalizadora é permitida. Tenho licença poética.

Como eu escrevi no post anterior, o arquivo em que estavam as fotos da casa da Lenara e do Romanoff corrompeu. Ele me mandou tudo novamente logo no dia seguinte ao post (segunda-feira, acho). A Lenara ainda me deixou um comentário todo fofo com o link de onde ela armazena as fotos.

A estante do quarto é bem grandona. Sério, cabe um monte de coisas:

leao-querido1

A sala, assim, com luz fraquinha, fica com cara de inverno. Bem europeu... Tem um gatinho verde ali na estante :)

gatinho-querido-11

A fachada:

fachada-da-casa-querida

Bah, e o bosque (!), bem pertinho da casa, pelo que eu entendi :)

bosque-perto-da-casa-querida

* * *

*Já que falamos nisso ou “cuide em que bosque você pisa”: no primeiro filme de terror a que eu assisti, lá pelos 7… 8 anos de idade, não lembro bem,  as cenas mais “fortes” aconteciam em um bosque, então eu fiquei com a sensação de que todos os bosques têm algo de expressivo, para não dizer tenso, além das folhas secas. O filme, por sinal, também foi o primeiro terror produzido pela Disney. Chama-se Mistério no Bosque/Olhos na Floresta (The Watcher in the Woods) e tem a Bette Davis no elenco.

Como a Disney é uma companhia mais voltada para o público infantil, os sustos são leves, naturalmente, e nem dão muito medo (hoje, porque na época eu fiquei apavorada). Os efeitos especiais estão até meio defasados, já que o filme é de 1980. Acabou virando cult. No Boca do Inferno também tem alguma coisa sobre ele.

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O que dizem as paredes

09/02/2009

Eu tinha programado postar aqui algumas fotos da casa em que o Romanoff e a Lenara estão morando, em Frankfurt. Achei de muito bom gosto. Ele mandou várias apresentando o lar deles para os amigos daqui. Bem legal. A entrada é daquelas de casinha antiga, aconchegante, com bastante verde, se não me engano. A ideia era postar as fotos e comentar algumas coisas que achei bacana na decoração, só que o arquivo em que estavam salvas corrompeu, e eu perdi tudo. Ou seja, Ricardo, me manda tudo de novo, please? Enquanto ele não manda as fotos novamente, eu vou falando sobre isso igual (se eu deixar para postar depois, as minhas ideias fogem).

Uma das coisas legais que ele comentou é que existe um dia da semana em que as pessoas colocam para a rua objetos e móveis  que não querem mais. Claro que algumas coisas vão para a rua porque estragaram, ou porque estão velhas demais e tal. Mas isso também não é uma loteria. Alguns objetos  estão em bom estado e podem tranquilamente servir na decoração de outra casa:

Romanoff diz:
uma vez vimos um conjunto de copos com uma jarra que eram bem legais
Romanoff diz:
ficamos de pegar na volta do correio
Romanoff diz:
mas 5min depois não estava mais lá
Romanoff diz:
:/

As luminárias eles conseguiram pegar, e só trocaram os cabos e as lâmpadas. Ficaram tri bonitas na casa. Queria eu ter as fotos pra mostrar pra vocês.

Aqui em Porto Alegre, o meu clima é esse, de reorganização. Decoração, na verdade. A minha irmã foi oficialmente morar com o namorado (mãe, tu sabia disso?) e o apartamento ficou só para mim. Ela ainda não levou a cama dela, nem tirou todas as roupas e objetos dela daqui. Isso vai acontecer aos poucos, mas aos poucos eu também vou decorando tudo ao meu gosto. Ontem ela levou a cadeira aqui da escrivaninha, então agora eu preciso procurar uma legal para mim. O tapete do quarto também vai daqui a alguns dias, e o banquinho do banheiro também já foi.

sugar

Da Supermarket

Eu sempre gostei da ideia (é a terceira vez que eu escrevo idéia e tenho que voltar e retirar o acento) de morar sozinha. Quando ainda morava com meus pais, sempre imaginei que um dia moraria em um loft. Acho que as divisórias nos ambientes quebram um pouco da liberdade que um lar pode proporcionar a quem mora sozinho. Eu me sinto um pouco mais presa tendo que dividir meu espaço com paredes. Como não posso me desfazer delas, vou decorando, enchendo de ilustrações, fotos, deixando tudo mais pessoal.

Eu tenho paixão por imagens, cores e formas. Essas ilustrações que saem em calendários criativos e revistas de cultura bem diagramadas simplesmente me ganham. Acabo recortando tudo, colando em caixas, colorindo a casa. Hoje o alvo foi a tomada da cozinha. Exercício para praticar a coordenação motora: recorta, mede, cola, repara… Funcionou, e ficou bem legal! A da sala já estava ilustrada. Ainda tenho mais uma na cozinha, uma no quarto, e uma no corredor para decorar. Mas agora, só quando tiver paciência para continuar o trabalho.

colheres-para-salada

Da Rosamundo

Para a sala, ainda falta comprar almofadas coloridas (as que estão aqui estão um caco!), trocar (ou mandar arrumar, né) a cadeira tri boa de sentar que quebrou, e agora serve só para decorar, comprar a cadeira para a escrivaninha… Eu queria também ter um baú. Não desisto dessa idéia. Adoro baús. Acho tão provinciano. Dá um ar nostálgico para a casa. Agora não tem espaço, mas quando a Sara levar a cama dela, terei mais espaço no quarto.

inside-a-black-apple

Do Inside a Black Apple

Outra, preciso de uma caixa organizadora de bijuterias. Mas de UMA só mesmo. UMA que possa armazenar tudo. Agora eu tenho um monte de caixinhas e isso toma espaço demais. Se alguém souber se existe algum tipo de “porta-pulseiras”, me avisa. Eu tinha pensado em algo que funcionasse como um cabide, sabe, onde eu pudesse ir encaixando os braceletes e tal… Enfim, coisas para organizar aqui dentro não faltarão. E eu estou adorando a oportunidade de poder decorar tudo sozinha. Também tinha pensado em luminárias para a sala e o quarto. Elas deixam o ambiente tão mais confortável, principalmente no inverno. Ah, sim, e também quero almofadas grandes para o canto da sala. Ainda me faltam copos, acreditam? Eu adoro xícaras, e por isso tenho uma coleção delas, só que me esqueço de comprar copos. Só me lembro que preciso deles quando realmente preciso de um. A cozinha também precisa de tapetes…

Aos poucos eu vou mudando tudo, e de repente até coloco umas fotos aqui pra mostrar como ficou. Ah, e depois que o Romanoff me mandar novamente as fotos da casa dele, eu coloco aqui pra mostrar as luminárias de que falei antes :)