Archive for the 'arte' Category

As celebrações

30/08/2008

– “Amores que de tão perfeitos não podem ser gastos”, nas palavras bem pontuadas do anônimo freqüentador do Isso é Bossa Nova, em um comentário. Se não podem ser gastos, bem, permita-me o contraditório direito de desejar alguns defeitos.

– A arte existe para que a verdade não nos destrua.

– Recordar: do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração.

– O diagnóstico e a terapêutica

Além disso, as telas, as pessoas, os atos, domínio e imagem. Ah, e os intervalos.

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Sobre uma certa sede

11/08/2008

 Leonardo Da Vinci
Estudos de feto no útero, a parede uterina e a placenta, com mecânica e óptica

Quando eu era pequena achava o entardecer lindo. Todas aquelas cores luminosas e dispersas olhando para a terra. Enfim. Desejava um dia poder colocar no papel, com meus lápis de cor Faber-Castell, todas as formas nobres que o céu assume pouco antes de receber a lua. Um dia tentei. O estojo era aquele de “dois andares”, lembra? Com “Aquarela” no comercial da TV. O resultado foi medonho. Talvez se eu tivesse todas as cores e as tintas especiais dos grandes pintores o resultado fosse diferente. Talvez me descobrissem como grande promessa da pintura mundial. Não entendo como tanta fantasia cabe na cabeça minúscula de uma criança, e como essa fantasia toda vai embora depois que a criança cresce. A rigor, se o cérebro cresce, existe então mais espaço para mentalizações surreais, certo? Não precisa responder. Óbvio que nunca consegui imitar a natureza. Às vezes me contento em vê-la, acima de mim ou sob os meus pés, ou ao meu lado. Existe coisa mais perfeita do que um corpo humano, com todos os seus cantos, encantos, encontros e todas as suas falhas? Ainda – e Caio Fernando Abreu sabia muito bem disso quando falou em carnes, cheiros, pobreza e nobreza do corpo do outro – todas essas pequenas falhas expostas ao julgamento? Nada é mais humano e natural do que isso. Me contento, e isso pra mim é pouco, em fazer parte dessa natureza. Boris Vian me entenderia:

“Quero uma vida em forma de espinha
Num prato azul
Quero uma vida em forma de coisa
No fundo dum sítio sozinho
Quero uma vida em forma de areia nas minhas mãos
Em forma de pão verde ou de cântara
Em forma de sapata mole
Em forma de tanglomanglo
De limpa chaminés ou de lilás
De terra cheia de calhaus
De cabeleireiro selvagem ou de édredon louco
Quero uma vida em forma de ti
E tenho-a mas ainda não é bastante
Eu nunca estou contente”

Depois desse último verso chega então o momento em que Ferreira Gullar vocifera: “Mas que discurso chato! O que foi que Beckett fez contigo, menina?”. Fique sossegado, Gullar. Beckett é inocente. Nem todo teatro do absurdo dele nasce em mim.

“Eu nunca estou contente” não me parece pessimista. Encontro nisso um recurso megalomaníaco que me torna um pouco ansiosa, na verdade. Não cabe em mim a vontade de viver. Eu disse EM mim, e não A. É um pensamento circular e inútil, só como pensamento. Não sei exatamente como vou plantar minha eternidade. Dizem que toda obra de arte é uma tentativa de transcender a morte e a inevitável finitude do corpo. Apego à vida, em essência. Permanecer na terra por um pouco mais de tempo do que o corpo. Shakespeare que o diga. Leonardo Da Vinci, então? Arte e ciência em um corpo só. GÊNIO.

(Garçom, traz mais uma cerveja?)

Mas não sou artista, não tenho dons grandiosos como pintura, matemática, filosofia. Não sou cientista. Não sei arquitetar teorias ou grandes argumentações que tenham alcance mundial. Não tenho a resposta para a maioria das tuas perguntas. E agora vocês vão me dizer que a maternidade foi a forma encontrada pela natureza (Eu uso a palavra natureza. Não sei exatamente o que pensar quando falo em ORIGEM DO UNIVERSO E DAS ESPÉCIES) para que a eternidade fosse alcançada. Não! Não é disso que falo! Acho bonito pensar assim e tudo mais. Faz sentido. Mas sem poesia agora. Não estou falando disso. Falo do MEU corpo mesmo, dos MEUS anseios. Do começo e do fim de uma vida. Nascimento e morte. Existe um teor orgânico em tudo isso. E para onde iria a vontade de viver, se no próprio corpo ela não caberia? Se tudo sucumbe assim, o que é que fica?

Um filho faria parte da minha vida enquanto ela existisse fisicamente, seria a continuação de uma parte do meu corpo na forma de outro ser, com idéias próprias e coração como tambor. Não seria EU. Entende ou acha egocêntrico? Não importa. Não seria EU. Sístoles e diástoles morrem comigo. E o que eu fiz/farei no mundo para justificar a minha existência?

Dragan

21/06/2008

David Lynch e outras criaturas sombrias, na página do fotógrafo Andrzej Dragan.

“They are all beautiful”, diz o diretor de cinema na abertura. É a degradação da pele pelo tempo, a poeira que se instala nos cantos do corpo. O novo e o velho. O belo revestido pelo elemento mórbido. Me senti em um castelo, com cortinas amareladas, poeira e passos silenciosos. Podia tocar Faun Fables e ter uma floresta por perto.

Tem o perfil no Myspace também.

“DOESN’T MATTER

1. DOESN’TMATTER, (n); A hypothetical form of matter similar to normal matter, except that it’s atoms do not exist.

The theory of doesn’tmatter was first proposed by A. E. Roraback to explain the meaning of his life and the preponderance of apatheticism that permeated the air about him. Mr. Roraback was once known to say, “You of course have heard of anti-matter??? We have taken it one step further. We are so insignificant in the scheme of things that we have become what is known as doesn’tmatter. . . Instead of destroying any matter we come in contact with, no one notices.”

Dr. R. Tuklov II, an expert on non-existent particles, explains, “In ordinary matter, you have atoms, in which you have a nucleus with lots of electrons spinning wildly around it. In doesn’tmatter, the electrons just sort of sit around despondently.”

23/07/2007

Dawn McCarthy's SONGTELLING

 

“FAUN FABLES é uma exploração de música e teatro, liderada pela voz. Leva a lembrar forma e expressão de canções muito antigas, embora não antiquadas. É uma coleção de músicas constantemente enfeitada com amparo, narração e fisicalidade. Os shows do Faun Fables podem ser lidos como uma série de “composições” de canções, onde o mundo de cada música expande-se em um lugar integralmente dimensional.”

[http://www.faunfables.net/]

Faun Fables – Early Song

1 – The Crumb
2 – Old Village Churchyard
3 – Apple Trees
4 – Only a Miner
5 – Sometimes I Pray
6 – Honey Baby Blues
7 – Lullaby For Consciousness
8 – O Death
9 – Ode to Rejection
10 – Bliss

Além do que se vê

03/06/2007


Cris Espinoza


Cris Espinoza


Camila Camom


Ricardo Romanoff


Essa é minha. Foi tirada em fevereiro desse ano, em Buenos Aires

Dei uma olhada nos flickrs dos amigos e de gente que tem blog. Achei tanta coisa legal que to colocando os links aqui. Depois crio um espaço ali na lateral pra isso.

Pega os caminhos:
Camila Camomila (Luzes!!)
Ricardo (P & B)
Crisinha (cores!)
Cheiro da Memória
Luiz (o cotidiano através da cortina)
Lucas
O Manual não é flickr, mas sempre tem imagens bonitas .
E no Mais Canela tem ilustrações também.

13/04/2007

Dessa página. Além das ilustrações, na loja tem botons lindíssimos à venda

EXPO H.

06/12/2006


O designer gráfico Henry Lichtmann mostra seus trabalhos pela primeira vez. A exposição acontece a partir de amanhã, dia 7, na Galeria Mundo Arte Global. Passa lá.

Seres que não são daqui. Sorren

31/10/2006


Seres que não são daqui. Sorren